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Afonso Aguiar
Afonso Aguiar Com: Marvin Tortas
15 Set, 2020 - 18:20

Condução Autónoma: quais os diferentes níveis e quais são legais em Portugal?

Afonso Aguiar Com: Marvin Tortas

Existem cinco níveis de condução autónoma, no entanto, nem todos são legais em Portugal e em outros países da Europa. Entenda quais e saiba o porquê.

Autpilot

Por defeito, a condução autónoma pressupõe não ser necessário haver um condutor.

No entanto, em Portugal e no resto da Europa, a definição de condução autónoma tem um conceito ligeiramente diferente e ainda não é possível ir para o trabalho e regressar de carro sem ter de tocar no volante, travão, embraiagem ou afins, tal como acontece nos Estados Unidos ou outros países.

Apesar de ainda não existirem sistema infalíveis 100% autónomos, com a evolução tecnológica, foram implementados sistemas de auxílio à condução que acabam por garantir alguma autonomia do veículo ou auxiliar os sistemas de segurança.

A primeira grande inovação na condução autónoma surgiu ainda nos anos 90 com a introdução do Cruise Control pela mão da Mercedes nos primeiros Classe S. Depois, já no decorrer do século XXI, vieram os sensores de proximidade, os sistemas de assistência à travagem, os alertas de ultrapassagem da faixa de rodagem e sensores da presença de outros veículos no chamado ângulo morto de visibilidade.

Mais recentemente já há marcas que conseguem um nível semi-autónomo, em que o carro guia efetivamente se guia sozinho mas, por exemplo, é necessária uma intervenção no volante por parte do condutor a cada 15 segundos ou para fazer uma ultrapassagem ou contornar um obstáculo precisam da ação do condutor. Este é o nível máximo de condução autónoma permitido em Portugal e na grande maioria dos países da Europa.

No entanto, nos Estados Unidos, a condução autónoma é já uma realidade e algumas marcas de automóveis, nomeadamente a Tesla, já equipam os seus carros com níveis de condução autónoma mais avançados, onde é possível ir de A a B sem qualquer intervenção do condutor, mas que ainda assim requerem a presença de alguém ao volante em caso de emergência.

Tesla Model S
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Porém, uma vez que tudo isto é recente e a condução autónoma ainda não é 100% infalível e a organização responsável pelos estudos em engenharia automobilística, Society of Automotive Engineers (SAE International), definiu cinco níveis de condução autónoma.

Estes são os cinco níveis de condução autónoma que existem

Tesla

Nível 0

Este é o estilo de condução mais puro que existe, onde impera o analógico e onde não existem quaisquer auxílios automáticos ao condutor, embora os alertas de colisão frontal ou de aviso de saída da faixa estejam incluídos neste nível, uma vez que por si só, não tem qualquer interferência na condução.

Nível 1

O nível 1 é o mais básico, onde estão incluídos todos aqueles sistemas de auxílio não automáticos mas que interferem na direção ou na aceleração e travagem, mas nunca nas duas ao mesmo tempo.

É o caso, por exemplo, do cruise control adaptativo, o sistema que permite regular a velocidade e a distância a que quer seguir em relação ao veículo da frente. A grande maioria dos modelos mais recentes já inclui esta tecnologia.

Nível 2

No nível dois encontram-se essencialmente sistemas automáticos, normalmente, de emergência, que são acionados pelo próprio veículo em determinadas circunstâncias. Neste nível os sistemas podem intervir na direção, aceleração e travagem ao mesmo tempo.

Alguns destes necessitam ser ativados pelos condutor, outros já vêm incorporados e estão sempre ativos, sendo que o condutor pode desligar esse sistema se assim entender.

Os mais conhecidos são: o cruise control adaptativo com sistema start-stop, que permite ao veículo reduzir automaticamente a velocidade ao aproximar-se de um outro que circule mais devagar, podendo inclusive imobilizar-se de forma totalmente autónoma (útil essencialmente em trânsito); o sistema de “travagem de emergência”, que alerta o condutor para a aproximação de um obstáculo, travando de forma autónoma se o condutor não reagir atempadamente; e a correcção automática de direcção, quando o veículo ultrapassa a marcação da faixa de rodagem sem que o condutor acione o pisca, o sensor de manutenção na via de rodagem, que mantém o carro no centro da via automaticamente, ou o Estacionamento Automático.

O sistema Autopilot da Tesla, o mais famoso dos sistemas de condução autónoma, é um sistema condução autónoma de nível 2 avançado.

Nível 3

Segundo a SAE International, a partir deste nível entra-se na condução “semi-autónoma”, o nível de automatização condicional. Ou seja, por exemplo, o “cruise control ativo” passa a ser capaz não só de manter a velocidade e diminui-la perante obstáculos, podendo inclusive contorná-los sem interferência do condutor, e o automóvel é capaz manter sempre a sua posição no centro da via de trânsito sem também qualquer tipo de interferência.

Os sensores e o sistema de inteligência artifical podem ler sinais de trânsito, controlar distância para os outros veículos e parar nas passadeiras ou quando um peão se intromete. Teoricamente, estará preparado para situações de tráfego ou velocidade limitada.

Porém, dadas as limitações, o veículo requisitará que o condutor assuma o controlo quando verificar que circula a uma velocidade rápida constante. Ou seja, principalmente em auto-estradas.

Este nível de condução autónoma não é legal em Portugal, para já, e requer autorização para ser utilizado na grande maioria dos países.

Nível 4

Neste nível, o nível de Alta Automatização, deixa de ser necessário o condutor intervir em praticamente todas as ocasiões, exceptuando pequenas localidades ou zonas cuja cartografia seja desconhecida pelo sistema de navegação.

Ainda assim, por questões de segurança, é importante que o condutor se mantenha maioritariamente atento. Caso este não responda, o automóvel é capaz de parar, sozinho, em segurança.

Nível 5

Este é o chamado nível utópico, onde deixa de haver condutores, só passageiros. A partir do momento em que alguém entra no automóvel e indica o local de destino, o resto deixa de ser responsabilidade de quem nele circula.

Atualidade e futuro da condução autónoma

Condução autónoma

Apesar de ainda haver algumas marcas, como a Porsche, que se mostram contra a condução autónoma, alegando o “prazer da condução“, a maior parte procura seguir esse rumo.

Por exemplo, a Jaguar Land Rover investiu já, pelo menos, 2.4 milhões de euros num projeto de condução autónoma, o qual tem vindo, desde novembro de 2017, a testar veículos de nível 4 de autonomia, no Reino Unido.

A BMW investiu sete mil milhões de euros em elétricos e condução autónoma, e a Lexus anuncia que conseguirá atingir a condução autónoma ainda no ano de 2020.

A Audi também é uma grande adepta da condução autónoma e tem os seus modelos mais recentes, como o Audi A8, equipados com condução autónoma de nível 3, embora esta não seja legal em todos os países.

Finalmente, a Tesla, que já incorporou o autopilot nos seus Model S, 3 e X. Porém, segundo a mesma, “o piloto automático permite que o automóvel efetue as operações de direção, aceleração e travagem automaticamente, na faixa onde circula”, sendo por isso considerado um sistema de condução autónoma de nível 2 avançado.

Condução Autónoma: como funciona este fenómeno

Radar LIDAR

A base para a condução autónoma é o sistema LIDAR. Esta é uma tecnologia ótica de deteção remota a Laser que mede propriedades da luz refletida, de forma a obter dados como a distância e/ou outra qualquer informação a respeito de um determinado objeto distante.

Sendo um sensor remoto ativo, envia sinais à superfície da Terra e regista o sinal refletido. Portanto, não é afetado pela falta de luminosidade, nem por outras variáveis como as condições climatéricas.

A título de exemplo, no seu sistema de condução autónoma de nível 2 avançado, a Tesla utiliza oito câmaras e doze sensores ultra-sónicos para identificar a presença de veículos e/ou objetos em torno do automóvel. O sistema é controlado por um processador potente desenvolvido e produzido pela Nvidia – o Nvidia Drive AGX.

Todavia, a Audi acredita que é necessário diferentes tipos de câmaras e sensores, para conseguir uma maior eficiência. Os novos Audi A8, A7, A6 e Q8 vêm equipados com um sensor laser que detecta objectos (carros, peões e animais) até oitenta metros num ângulo de 45º, com uma precisão única e em milésimos de segundo. São o primeiro caso outorgado pela SAE com o sistema de condução autónoma nível 3 e estão preparados para o fazer até velocidades de 80 km/h.

Perante todos estes dados, pode-se, portanto, afirmar que a condução autónoma a 100% é o futuro. No entanto, tendo em conta opiniões e ambições diversas, é impossível precisar quando se tornará uma realidade.

Automóveis Autónomos em Portugal e no Mundo

Na maior parte dos países Europeus, a legislação, para já, só prevê automóveis com níveis de condução autónoma de nível 2. Assim, os Tesla, embora com níveis de condução autónoma bastante avançados, podem ser utilizados e comercializados em todos os países.

O primeiro país a outorgar leis que aprovem automóveis com níveis de condução avançada 2 e 3 foi a Alemanha, em meados de 2017.

Ainda assim, a maior parte dos países não se opõem necessariamente aos níveis mais avançados de condução autónoma. Os Estados Unidos da América já aprovaram testes em estrada urbana com veículos autónomos e o Reino Unido e a Suécia foram dos primeiros países a legislar relativamente à circulação de carros autónomos nas estradas.

Também o Japão já anunciou a intenção de que Tokyo esteja preparada para os veículos autónomos antes dos Jogos Olímpicos, agora re-agendados para 2021.

Em Portugal, entre 15 e 18 de Outubro de 2018, dois veículos autónomos percorreram a A9 (CREL), entre os nós da Pontinha e Odivelas, em condições normais de trânsito. Por questões de segurança, os veículos foram escoltados pela GNR e tinham uma equipa de investigadores a bordo, assim como um condutor para intervir em caso de necessidade.

O teste decorreu no âmbito do projecto europeu AUTOC-ITS, desenhado com o objetivo de analisar o desenvolvimento de soluções para veículos autónomos e estudar a reação dos sistemas em situações como piso escorregadio, veículos imobilizados e marcha lenta.

A condução autónoma de nível 5 está ainda longe de reunir consenso e para já, continua a ser uma utopia. E apesar de muitos defenderem que este será o fim da mortalidade e dos sinistros nas estradas, outros tantos são aqueles que não confiam nas tecnologias ou não querem abdicar do prazer de condução.

Qual a sua opinião? É a favor ou contra a condução autónoma? Acha que o mundo, e em particular, Portugal, estão preparados para isso?

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