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Marta Maia
Marta Maia
25 Out, 2018 - 12:13

5 boas razões para não deixar o seu dinheiro parado

Marta Maia

Deixar o seu dinheiro parado não é uma boa prática e pode, inclusivamente, fazê-lo ficar mais pobre ao fim de alguns meses. Saiba porquê.

5 boas razões para não deixar o seu dinheiro parado

Ter dinheiro guardado é ótimo e todos zelamos pelas nossas poupanças, mas ter dinheiro guardado não tem de ser o mesmo que ter dinheiro parado.

Ter dinheiro parado é uma má prática financeira que tem como resultado final a perda de dinheiro, por isso deve evitar ao máximo deixar as poupanças esquecidas numa qualquer conta bancária ou até num esconderijo.

Se tem valores que não vai usar, faça-os mexer. Com maior ou menor risco, preocupe-se em combater a inércia e mantenha os seus rendimentos ativos. Já diz o ditado que “dinheiro gera dinheiro”, e vamos explicar-lhe por que motivo não deve deixar as contas a dormir.

5 motivos pelos quais não deve deixar o seu dinheiro parado

dinheiro parado

1. O dinheiro parado perde valor

Ter dinheiro parado em casa, guardado num esconderijo ou numa caixa, é o mesmo que ir deitando algumas moedas fora todos os dias. O dinheiro perde valor todos os dias – chama-se inflação – e, a cada ano que passa, as notas e moedas que guarda valem menos.

Uma vez que a inflação é, em princípio, um fenómeno económico permanente, resta-lhe encontrar alternativas que façam o seu dinheiro crescer e gerar mais dinheiro, compensando o facto de o que tem ter um valor cada vez menor. E isso só acontece se investir.

2. O dinheiro que tem em casa está (e torna-o) vulnerável

Incêndios, inundações, assaltos… tudo isto pode acontecer em sua casa e, não duvide, o dinheiro que tem lá guardado vai ser o primeiro a sofrer as consequências.

Guardar dinheiro em casa era uma prática muito comum no tempo dos nossos avós e, curiosamente, tem regressado com alguma força entre as gerações mais jovens, que, desconfiadas do sistema bancário, acreditam que ter o dinheiro debaixo da cama é mais seguro do que depositá-lo numa conta no banco.

No entanto, dinheiro parado em casa é sempre dinheiro parado: desvaloriza, como vimos no ponto anterior, e faz com que perca dinheiro todos os dias. Se tem reservas em relação aos depósitos bancários, procure investimentos onde possa aplicar os valores que tem – como investimentos imobiliários. Não faltam alternativas e deixar o dinheiro sem mexer é que deve ser a última opção a considerar.

3. As contas correntes fazem-no perder dinheiro

As contas correntes são muito práticas e permitem-lhe gerir o orçamento mensal de forma simples, mas deixar o dinheiro lá parado é quase tão eficaz como deixá-lo parado numa gaveta, se não for pior.

As contas correntes não trazem rendimento, não pagam juros e, em muitos casos, ainda lhe cobram custos de manutenção. Resultado: se guardar 100 euros numa conta corrente e nunca mexer no dinheiro ao longo de um ano, é provável que acabe com apenas uma percentagem pequena do que depositou.

Tal como o nome indica, as contas correntes são apenas para a gestão das despesas diárias, não servem para guardar poupanças. Não deixe o dinheiro lá parado.

4. Os juros podem trabalhar por si

Uma das grandes vantagens de nunca deixar o dinheiro parado é que pode ficar a ver os juros a trabalhar por si. Falamos dos juros compostos – em que o valor do rendimento é somado ao saldo total e passa a fazer, ele próprio, parte do montante considerado para o cálculo percentual dos juros seguintes.

Vamos trocar isto por miúdos: se depositar hoje 100 euros no banco durante 5 anos com juros compostos de 1% ao ano, no final do primeiro ano vai receber um euro (1% de 100 euros), mas no final do segundo ano já vai receber 1,01€ (1% de 101 euros). No quinto ano, o rendimento já aumentou para 1,04€ (1% de 104,06€ entretanto acumulados). Faça esta conta à escala de alguns milhares de euros e percebe por que motivo dizemos que o juro trabalha por si.

5. A conta poupança pode não ser suficiente

Esta não é uma situação generalizada – depende da sua habilidade na negociação dos juros da sua conta poupança -, mas pode acontecer que deixar o dinheiro parado numa conta poupança também o faça perder.

A perda acontece quando a taxa de juro da conta poupança está mais baixa do que a taxa da inflação. Imagine que tem uma conta poupança com uma taxa de juro de 1%, mas no final do ano descobre que a inflação está nos 2%. Isto quer dizer que o seu dinheiro cresceu 1%, mas desvalorizou 2%. Ora, contas feitas, na verdade perdeu 1% da sua riqueza.

Deixar o dinheiro parado em contas poupança só compensa enquanto estas tiverem taxas de juro maiores do que a taxa de inflação. Se não é o seu caso, então está na hora de começar a procurar alternativas.

O que fazer para mexer o dinheiro?

dinheiro parado

Para que o seu dinheiro não desvalorize, o ideal é investir em algo que renda. Dependendo da quantidade de dinheiro que tem, há várias soluções que pode considerar.

Depósitos a prazo e contas poupança

A regra é só uma: a taxa de juro tem de ser mais alta do que a taxa de inflação. Pode escolher opções com maior ou menor risco – sabendo que as que trazem maior risco também rendem mais -, mas, desde que o dinheiro cresça mais do que desvaloriza, já está bom. Pelo menos não perde.

Investimentos na bolsa

O risco destas operações é grande, mas, se tiver conhecimento, instinto e uma estratégia bem definida, pode valer muito a pena. A menos que seja conhecedor do mercado e saiba bem o que está a fazer, não o aconselhamos a deixar os ovos todos no mesmo cesto, mas a combinar este investimento com outra coisa.

Pode, por exemplo, separar uma parte do dinheiro para investir na bolsa e guardar o resto numa conta poupança. Sendo a taxa de juro da conta poupança bastante baixa, o objetivo é fazer o valor investido em bolsa render o que o bolo maior não rende.

Sempre que a bolsa o fizer ganhar algum, separe esse lucro e junte-o à conta poupança, mantendo sempre o mesmo valor investido. Aos poucos, vai fazer crescer a conta poupança a um ritmo acelerado e compensando o desequilíbrio face à inflação, sem arriscar perder tudo em más apostas.

Investimentos imobiliários

São uma aposta segura e muito popular, mas requerem um investimento inicial avultado. Comprar imóveis – para arrendar, para remodelar ou apenas para revender dali a uns tempos – é uma forma de guardar o dinheiro de forma material e em algo que dificilmente desvaloriza.

Se não tem o suficiente para comprar uma casa, invista em terrenos que prometam valorizar. Podem não lhe render nada no imediato, mas, se não tiverem construção, não pagam IMI. Quem sabe daqui a uns anos não os vende por um valor muito mais atraente do que aquele por que os comprou?

O conselho, no fundo, é que nunca se esqueça do seu dinheiro. Tudo o que pára desvaloriza, e é preciso manter o dinamismo para que se aplique o ditado popular de que dinheiro gera dinheiro. Estude, informe-se sobre as opções que existem e, muito importante, nunca tire os olhos do que já tem. Reveja regularmente as taxas de juro a que o seu dinheiro rende e confirme se valem mesmo a pena. Quanto mais rápido for a reagir, menor é a perda que sofre.

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