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Teresa Campos
Teresa Campos
18 Set, 2020 - 11:57

Doenças psicossomáticas: sinais a que deve estar atento

Teresa Campos

As doenças psicossomáticas têm origem psiquiátrica, mas a sua manifestação pode ser física. Fique a saber tudo sobre este transtorno de somatização.

Mulher com dores de cabeça

As doenças psicossomáticas têm origem num transtorno psiquiátrico que se traduz em desconfortos físicos, os quais podem afetar vários órgãos do corpo e manifestar-se por meio de dor, diarreia, tremores ou falta de ar.

Apesar de bem reais, estes sintomas não são causados por nenhum distúrbio orgânico. Contudo, isso não significa que quem tenha doenças psicossomáticas não sofra e não tenha necessidade de acompanhamento médico o qual, por vezes, tem dificuldade em chegar ao diagnóstico adequado. Fique a perceber melhor.

Doenças psicossomáticas: caraterísticas e tratamento

Geralmente, as doenças psicossomáticas ou o transtorno de somatização afetam indivíduos ansiosos e depressivos. Assim, quem sofre destes distúrbios normalmente necessita de fazer psicoterapia, assim como de tomar antidepressivos e ansiolíticos.

Doenças psicossomáticas mais frequentes

Como já dissemos, os distúrbios psicológicos podem atingir diversos órgãos do corpo. Porém, há manifestações físicas mais frequentes do que outras, as quais passamos a enumerar:

  • Estômago: dor e/ou ardor, enjoos, gastrites e úlceras;
  • Intestino: diarreia ou prisão de ventre;
  • Garganta: dor e irritação;
  • Pulmões: sensação de falta de ar;
  • Músculos e articulações: tensões, contraturas e dores;
  • Coração: dores no peito, palpitações, tensão alta;
  • Rins: dor e/ou dificuldade em urinar;
  • Pele: prurido, ardor ou formigueiros;
  • Sexualidade: impotência ou diminuição do desejo sexual, dificuldade em engravidar e alterações no ciclo menstrual;
  • Sistema nervoso: dores de cabeça, enxaquecas, alterações da visão, do equilíbrio, da sensibilidade e da motricidade.

Muitas vezes, estes sintomas podem até agravar doenças pré-existentes, como é o caso da artrite reumatóide ou do síndrome do intestino irritável, por exemplo.

Fatores de risco

Há pessoas que podem estar mais sujeitas a desenvolver doenças psicossomáticas. Alguns dos fatores de risco para estes distúrbios são:

  • hereditariedade;
  • distúrbios de personalidade;
  • complicações genéticas e fisiológicas;
  • influência ambiental;
  • menor controlo das emoções ou problemas psicológicos;
  • atividade em excesso;
  • isolamento social;
  • desenvolvimento de “comportamentos de dor”.
Mulher com depressão

Causas

Já indicámos que as doenças psicossomáticas costumam ter como origem problemas, como depressão, ansiedade e stress. Todavia, há, ainda, outras situações que podem potenciar este género de distúrbios, como é o caso de:

  • Burnout: associado a trabalho excessivo ou desgastante, como o de professores ou de profissionais de saúde;
  • Traumas: episódios marcantes, como abusos, acidentes ou conflitos podem estar na base destes transtornos;
  • Violência psicológica: quem vive contextos de bullying ou de violência pode contribuir para desenvolver este género de distúrbios;
  • Ansiedade, tristeza e depressão: os estados depressivos podem desenvolver doenças psicossomáticas;

Consequências possíveis

As doenças psicossomáticas, se não forem devidamente diagnosticadas ou tratadas, podem conduzir a outros problemas, nomeadamente:

  • alcoolismo e toxicodependência;
  • conflitos conjugais ou familiares;
  • instabilidade profissional;
  • complicações renais;
  • dificuldades nos relacionamentos;
  • desenvolvimento de transtornos mentais;
  • maior risco de suicídio.
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DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS: DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E PREVENÇÃO

Diagnóstico

Como já referimos, nem sempre é fácil, nem rápido, chegar ao diagnóstico deste género de doenças.  Geralmente, primeiro é realizado um exame físico e laboratorial que, não revelando qualquer outra doença, conduz ao diagnóstico de doença psicossomática. Nesse caso, a consulta de um especialista, como um psiquiatra, é prudente.

Sintomas como sensações de batimento cardíaco acelerado, tremores, boca seca ou falta de ar (que não se reflitam nos exames médicos) são exemplos de sinais de alerta para as doenças psicossomáticas. As suas consequências mais frequentes são os distúrbios gastrointestinais, neurológicos ou sexuais.

Tratamento

Além de tratar a parte psicológica, é essencial controlar os sintomas físicos e, por isso, é muitas vezes necessário recorrer a fármacos, como analgésicos, anti-inflamatório e anti-histamínicos. Paralelamente, são fundamentais as consultas num psicólogo e/ou psiquiatra.

Os antidepressivos, os ansiolíticos e a psicoterapia também fazem parte do tratamento, pois ajudam a reduzir a ansiedade que está, frequentemente, na origem das doenças psicossomáticas.

Existem ainda recursos naturais que podem auxiliar a combater o stress, como praticar exercício físico; fazer ioga ou pilates; experimentar exercícios de respiração; descansar; meditar; dormir bem; alimentar-se adequadamente; e beber chá de camomila.

close up de mãos de médico e paciente numa consulta

Prevenção

Para prevenir as doenças psicossomáticas, deve evitar os seus principais agentes causadores, ou seja, a ansiedade, o stress e a depressão.

Ter um estilo de vida saudável é fundamental. Portanto, deve assegurar que faz uma alimentação equilibrada; pratica atividade física regularmente; tem momentos de lazer e relaxamento; e, se necessário, recorre à psicoterapia.

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