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Marvin Tortas
Marvin Tortas
07 Out, 2019 - 15:30

Ensaio Honda Jazz: uma boa opção para o segmento B?

Marvin Tortas
Honda Jazz

O Honda Jazz foi apresentado ao mundo pela primeira vez em 2001, e deste então já vendeu mais de 7 milhões de unidades. No entanto, o seu design algo peculiar parece nunca ter conquistado de verdade os portugueses.

Em 2015, chegou-nos esta 3ª geração, que foi revista em 2018, com o claro intuito de tornar este urbano mais apelativo aos olhos do público mais jovem, com a adição de faróis LED na parte frontal e traseira, e com um novo grupo de pára-choques, também eles com um desing mais dinâmico e musculado.

Neste ensaio procuramos encontrar de que modo é que este carro se compara aos atuais líderes do segmento B, nomeadamente o Renault Clio, o Peugeot 208 ou o Citroen C3, e quais são os argumentos mais fortes deste “mini MPV” para se tentar intrometer nesta “luta”.

Honda jazz: versatilidade japonesa

Análise Exterior

No capítulo estético, talvez o Honda Jazz não seja o utilitário mais apelativo que encontramos à venda no mercado português, sobretudo para o público mais jovem. Mas este pequeno grande utilitário recebeu uma importante atualização e viu assim o seu design estar mais em linha com os restantes modelos da Honda.

Honda Jazz
Fonte: Honda

Infelizmente, nem mesmo a adição de faróis de assinatura LED à frente e na traseira, e de novas linhas mais desportivas e anguladas nos pára-choques parecem ter mudado muito a percepção que o público em geral tem do Honda Jazz.

Honda Jazz
Fonte: Honda

No que toca a dimensões, este citadino conta com 4.03m de comprimento, 1,69m de largra e 1,53m de altura. No entanto, este carro, sobretudo no interior, faz estes 4 metros parecerem muito maiores. Na verdade, este design caricato que mais se assemelha a uma mini MPV (Multi Purpose Vehicle) tem na verdade um propósito.

Análise Interior

É no interior que encontramos o verdadeiro propósito de existir do Honda Jazz. Este utilitário é, sem sombra de dúvidas, o carro mais prático do seu segmento, e a prova viva de que nunca devemos julgar um carro apenas pela sua estética.

Honda Jazz
Fonte: Honda

Relativamente ao espaço existente no interior deste Honda Jazz, e em comparação direta com os seus rivais do segmento B (Renault Clio, Peugeot 208 e Citroen C3), esta “mini van” japonesa dá-lhes uma verdadeira goleada.

Nos bancos traseiros, dois adultos podem fazer viagens de longa duração no maior dos confortos pois têm facilmente mais de 20cm de distância entre os seus joelhos e os bancos frontais.

O espaço para a cabeça é também ele muito generoso, fazendo com que este carro mais se assemelhe a um SUV de segmento C.

Já no que a espaço para a bagageira diz respeito, neste Honda Jazz contamos com 354L, estando totalmente em linha com as dimensões que oferecem tanto o Renault Clio como o Nissan Micra, por exemplo.

O que não existe nos restantes modelos, e que este Honda Jazz “roubou” ao Honda HR-V são os magic seats, que nos permitem rebater a parte inferior dos bancos traseiros, criando assim um espaço de sensivelmente 1300L entre as duas filas de bancos para podermos transportar objetos mais volumosos, como por exemplo, bicicletas.

Honda Jazz
Fonte: Honda

Se o espaço impressiona, a qualidade dos materiais escolhidos pela Honda para forrar o interior deste carro já não nos diz assim tanto, e infelizmente, abundam os plásticos mais rijos em praticamente todos os sítios onde tocamos, ficando assim bastante aquém, por exemplo, do Peugeot 208 nesta capítulo.

Quanto ao sistema de informação e entretenimento, aquele que encontramos no Honda Jazz é exatamente o mesmo que encontramos em qualquer outro Honda e que tantas criticas tem recebido, não só por não ser o sistema mais intuitivo de operar, nem o mais rápido a responder, nem tampouco aquele com os gráficos mais bem trabalhados.

Honda Jazz
Fonte: Honda

Ainda assim, e no que toca a tecnologia, este Jazz conta de serie com sensores traseiros, câmara traseira, GPS, sistemas de conectividade com o smartphone através de Bluetooth, LKAS (sistema de manutenção na faixa de rodagem), ACC (sistema de anti colisão em cidade) ou até mesmo bancos aquecidos..

Condução

O Honda Jazz destina-se sobretudo a pessoas que procuram um carro prático, confortável, fiável e seguro, e embora este não seja o mais entusiasmante dos automóveis no que a comportamento dinâmico diz respeito, a verdade é que cumpre estes 4 itens com grande distinção.

Honda Jazz
Fonte: Honda

Aliás, o Honda Jazz comporta-se tão bem nestas 4 facetas que é por isso que mais de 70% das pessoas que compra um Honda Jazz já teve um modelo de uma geração anterior.

A suspensão deste carro tem uma toada muito suave, a própria direção é também muito leve e precisa, onde o mais pequeno movimento do volante se traduz em movimentos das rodas, tornando-o assim bastante fácil de conduzir em cidade.

Honda Jazz
Fonte: Honda

Outro dos aspectos que cativa qualquer pessoa que conduza este carro são os seus consumos. Apesar da Honda anunciar para este 1.3 de 102cv um consumo médio de 5.3L/100km, e durante os mais de 600km que tivemos oportunidade de ensaiar este carro, registamos uma média ainda inferior a este valor, marcando o computador de bordo 5.2L/100km. Algo impressionante para um carro a gasolina.

Este motor 1.3 de 102cv contempla apenas 123Nm de binário e atinge o seu pico máximo de força às 4000rpm. Não sendo propriamente um motor muito vivaz, não convidando a uma condução desportiva, não é também o motor mais prático de se utilizar, isto porque devido à sua comedida potência e “estranho” escalonamento, nos faz ter que recorrer constantemente à caixa de velocidades para podermos explorar ao máximo as suas capacidades.

Preços

Os preços do Honda Jazz começam nos 18 825€ para a versão 1.3 I-VTEC com 102cv de potência e caixa manual, e nos 24 575€ para a versão Dynamic equipada com o motor 1.5 I-VTEC de 130cv de potência.

Veredicto Final

Em suma, o Honda Jazz é um carro muito particular dentro do seu segmento, e tem um público muito específico.

É verdade que o seu design não tem o charme ou o encanto de um utilitário francês, nem é tão divertido de conduzir como um rival alemão. Mas é igualmente verdade que este é sem dúvida o carro mais espaçoso e mais prático dentro do seu segmento, cumprindo na perfeição tudo aquilo que se compromete a fazer.

Por isso, se estiver no mercado à procura de um utilitário do segmento B, apesar do Renault Clio e do Peugeot 208 serem as propostas mais óbvias, não deixe de equacionar o Honda Jazz, sobretudo se precisa de um carro prático e muito espaçoso, e com o qual tenciona ficar largos anos sem qualquer registo de problemas mecânicos.

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