Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
23 Jul, 2026 - 15:00

Entrevista de emprego: como vencer as perguntas difíceis

Cláudia Pereira

Saiba como responder às perguntas mais difíceis numa entrevista de emprego, da falha profissional às expectativas salariais.

Está sentado à frente do recrutador e a pergunta chega sem aviso: “qual foi o seu maior erro profissional?” ou “quanto quer ganhar?”. O nervosismo é normal, mas a forma como responde pode pesar tanto no resultado final como o currículo que levou meses a construir. As perguntas difíceis não existem para o desconfortar sem motivo: servem para o entrevistador perceber como pensa sob pressão, como se responsabiliza por erros e se as suas expectativas são compatíveis com a função.

Quem chega despreparado tende a hesitar, a dar respostas vagas ou, pior, a desvalorizar-se numa negociação salarial que pode determinar o seu rendimento durante anos. Preparar respostas estruturadas para as perguntas mais comuns não é decorar um discurso, é garantir que a ansiedade do momento não lhe custa uma oportunidade ou dinheiro todos os meses.

Quais são as perguntas mais difíceis?

“Fale-me de si”: a pergunta que decide o tom da entrevista

Esta pergunta parece inofensiva, mas costuma ser a que mais candidatos desperdiçam. Contar a história de vida completa, desde a escola primária, é o erro mais comum. O recrutador quer uma resposta de 60 a 90 segundos que ligue o seu percurso à função em concurso.

A estrutura mais eficaz é: presente (o que faz agora), passado (a experiência relevante que o trouxe até aqui) e futuro (porque quer esta função em concreto). Evite repetir informação que já consta do currículo; use este momento para dar contexto e mostrar motivação real pela vaga.

Qual foi o seu maior erro ou fracasso profissional

Aqui o recrutador não está à procura de um erro fatal, mas de auto-consciência e capacidade de aprendizagem. Responder “nunca cometi erros graves” soa a falta de humildade ou de experiência.

O método STAR (Situação, Tarefa, Ação, Resultado) organiza bem este tipo de resposta: descreva brevemente o contexto, o que estava em causa, o que fez para corrigir a situação e, sobretudo, o que mudou na sua forma de trabalhar depois disso. Escolha um erro real, mas que já não defina o seu desempenho atual, e termine sempre na lição aprendida, nunca na desculpa.

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Porque saiu do emprego anterior ou porque tem um hiato no currículo

Períodos de desemprego, mudanças frequentes de emprego ou saídas conturbadas geram desconfiança se ficarem por explicar. A honestidade funciona melhor do que tentar disfarçar a situação, mas é possível ser honesto sem entrar em detalhes negativos sobre antigos empregadores.

Se saiu por reestruturação ou despedimento coletivo, diga-o com naturalidade: é uma situação comum e o recrutador sabe disso. Se o hiato se deveu a formação, cuidado familiar ou procura ativa de emprego, explique de forma objetiva e mostre o que fez durante esse período para se manter atualizado na área. Evite críticas diretas a antigas chefias, mesmo quando têm razão de ser; o foco deve estar sempre no que aprendeu e no que procura agora.

Quanto espera ganhar: a pergunta com maior impacto financeiro

É provavelmente a pergunta mais importante, porque a resposta pode determinar o seu salário durante todo o tempo que ficar na empresa. Responder com um valor demasiado baixo significa deixar dinheiro em cima da mesa; um valor demasiado alto, sem justificação, pode eliminá-lo do processo.

Antes da entrevista, pesquise a faixa salarial da função no seu setor e região, através de plataformas como o Glassdoor, o LinkedIn Salary ou conversas com pessoas do setor. Apresente sempre um intervalo, não um número fixo, baseado nessa pesquisa e na sua experiência concreta. Se lhe perguntarem o salário atual, pode optar por não revelar o valor exato e redirecionar a conversa para as suas expectativas para a nova função, algo que é hoje aceitável na maioria dos processos de recrutamento em Portugal.

recrutadores a cumprimentar candidato
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Como lidaria com um conflito com um colega ou uma chefia

Esta pergunta avalia maturidade profissional e capacidade de trabalho em equipa. Negar que já teve conflitos costuma soar pouco credível; o mais eficaz é descrever uma situação real, focando-se sempre na resolução e não no confronto.

Use novamente uma estrutura tipo STAR: contexto do desacordo, o que estava em causa profissionalmente, os passos que deu para resolver a situação (diálogo direto, procura de um ponto comum, envolvimento de um superior quando necessário) e o resultado final. Evite nomear colegas ou empresas e nunca use este momento para desabafar sobre uma situação que ainda o incomoda.

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