Olga Teixeira
Olga Teixeira
23 Jun, 2021 - 15:00

Evite fazer um empréstimo para pagar as suas dívidas

Olga Teixeira
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Se pondera fazer um empréstimo para pagar as suas dívidas, pense duas vezes. Afinal, há alternativas para resolver o problema. Saiba quais são.

Fazer um empréstimo para pagar dívidas nunca é uma boa opção. Se a sua situação financeira está um pouco complicada, existem alternativas para impedir que esta se agrave. Conheça algumas opções para ajudar a resolver o problema.

Sentir dificuldades para pagar as suas dívidas não significa que esta preocupação não tenha solução. Até porque pode ser uma situação pontual, motivada pela conjuntura.

Dados do Banco de Portugal, revelados em fevereiro de 2021, mostram que o envidamento das famílias aumentou 2,3 mil milhões de euros, atingindo os os 141,3 mil milhões de euros.

A situação económica não é favorável, mas é importante manter a calma e ver como pode resolver a questão.

A crise, o desemprego, a paragem de algumas atividades e a incerteza no que respeita à evolução da pandemia não ajudam. É provável que o último ano tenha sido complicado para a sua família. Mas fazer um empréstimo para pagar dívidas não será certamente a melhor forma para pôr as suas contas em ordem.

Fazer empréstimo para pagar dívidas: razões para evitar

O principal motivo para não fazer um empréstimo para pagar dívidas é que ao tentar resolver um problema está a criar outro. Sim, a primeira dívida ficou paga. Mas acabou por contrair outra. E continua a ter de pagar, embora a uma entidade diferente. Ou seja, as dívidas não desapareceram.

A segunda razão é que, provavelmente, vai acabar por contrair um empréstimo com piores condições. Fazer um crédito pessoal para pagar as prestações em atraso de um crédito habitação ou automóvel poderá fazer com que se endivide por vários anos e com uma taxa de juro pouco favorável. No fim de contas, vai pagar várias vezes o valor que pediu.

Outro motivo para não fazer um empréstimo para pagar dívidas é que existem outras formas de lidar com os seus créditos e com um eventual risco de incumprimento.

Como lidar com as dívidas?

É importante ter em conta que endividamento e sobre-endividamento são coisas diferentes. Endivida-se quando, por exemplo, pede um crédito para comprar uma casa. O sobre-endividamento acontece quando deixa de ter capacidade para pagar as suas contas.

Assim, é fundamental saber lidar com o primeiro para evitar o segundo. Ou seja, gerir as dívidas para evitar que elas se acumulem. Porque se isso acontecer, pode entrar em incumprimento e agravar a sua situação.

Por isso, e ao gerir as suas dívidas, evite criar o “efeito bola de neve”. Isto é, não deixe que as coisas se descontrolem. A melhor forma de o fazer é agir o mais depressa que possa. Esperar que o assunto se resolva equivale a perder tempo. E, no caso das dívidas, mais tempo equivale a juros de mora, ou seja, ao avolumar do valor que deve.

Pedir ajuda pode ser a melhor forma de começar a resolver a questão. Conversar com o seu Banco e, de uma forma franca, informar que está a ter problemas para pagar um empréstimo, vai levar a que se possam encontrar alternativas.

Faça tudo o que estiver ao seu alcance, mas evite fazer um empréstimo para pagar dívidas ou pensar que essa é a única solução possível.

Pedir ajuda, mas com cautela

Por vezes, um aconselhamento especializado pode ser a solução. Recorrer à Rede de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE) é uma das formas de beneficiar de apoio gratuito e isento por parte de entidades com experiência nesta matéria.

Tenha em atenção que, muitas vezes, os anúncios que prometem resolver problemas de crédito mais não são do que empresas com propostas que só vão agravar a sua situação. O objetivo destas empresas é, justamente, aquilo que quer evitar: querem convencê-lo a fazer um empréstimo para pagar dívidas.

Assim, se vai pedir apoio, recorra às entidades recomendadas e autorizadas pelo Banco de Portugal.

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3 dicas para pagar dívidas sem fazer um empréstimo

Posta de parte a hipótese de fazer um empréstimo para pagar dívidas, deve conhecer as outras opções disponíveis. A ideia, como já vimos, é começar a resolver o assunto de uma forma que não agrave a situação.

Veja, então, alguns dos caminhos que pode seguir.

1

Renegociar

Esta é a palavra de ordem quando existem dificuldades para pagar dívidas. Conversar com o seu Banco ou com outras empresas credoras é o primeiro passo.

Ao informar o Banco que está em dificuldades será acionado o Plano de Ação para o Risco de Incumprimento (PARI). Este mecanismo prevê a apresentação de propostas que ajudem a solucionar o incumprimento.

No caso de um empréstimo bancário poderá renegociar as condições: por exemplo, prolongando o prazo de pagamento. Ou pode solicitar um período de carência, isto é, uma fase em que deixa de pagar juros, capital ou ambos.

Poderá também optar pela consolidação de créditos. Ou seja, em vez de pagar vários empréstimos, terá apenas um, que reúne todos os seus créditos. Geralmente, este opção permite baixar o valor das prestações.

2

Fazer planos de pagamentos

Se tem dívidas a fornecedores de eletricidade ou outros serviços (incluindo ao Estado), peça a integração num plano de pagamentos. Assim, estará a dar um sinal de que quer efetivamente pagar e poderá ir saldando a dívida aos poucos.

3

Amortizar e antecipar

Se tem um crédito de pequeno valor ou que esteja perto de terminar, considere a hipótese de fazer uma amortização ou antecipar o pagamento.

Desta forma terá menos uma prestação para pagar e menos uma dívida com que se preocupar.

Cortar nas despesas, tentar aumentar os rendimentos, criar um plano de poupança são outros pequenos gestos que podem ajudar a equilibrar o orçamento. E todas estas soluções são bem mais vantajosas do que fazer um empréstimo para pagar dívidas.

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