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Marta Maia
Marta Maia
28 Nov, 2019 - 18:01

A extensão de garantia é um bom negócio?

Marta Maia

São cada vez mais frequentes os produtos que oferecem uma extensão de garantia. Este serviço, porém, é pago à parte e nem sempre compensa. Descubra porquê.

Extensão de garantia

Enquanto consumidor, deve haver poucas sensações piores do que comprar um equipamento e vê-lo avariar semanas depois de terminar o período de garantia.

Para evitar estas situações, as seguradoras – e muitas lojas – passaram a oferecer uma extensão de garantia associada aos mais variados produtos.

A extensão de garantia é uma “proteção extra”, mas não vem sem um custo associado. E, nalguns casos, essa despesa acrescida pode não fazer sentido.

Ajudamo-lo a fazer as contas para perceber se vale ou não a pena investir num serviço adicional de garantia.

O que é a extensão da garantia

A extensão da garantia é uma espécie de seguro que o consumidor pode contratar quando compra um equipamento ou um produto. Este seguro prolonga a cobertura oferecida pelo fabricante além do período de garantia obrigatório por lei.

Por exemplo, se comprar uma máquina de lavar com garantia do fabricante de dois anos, a extensão de garantia pode alongar esse prazo por um, dois ou mais anos.

Como funciona a extensão da garantia

O sistema de extensão de garantia é relativamente simples: se o produto avariar dentro do prazo de aplicação da garantia do fabricante (que, geralmente, é de um ano no mínimo), tem de pedir suporte ao próprio fabricante.

Se o equipamento avariar depois desse prazo – mas ainda no período de validade da extensão de garantia que comprou – pode pedir o mesmo suporte (e nas mesmas condições) à seguradora.

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Vantagens da extender a garantia

Contratar a extensão da garantia dá-lhe mais tempo de precaução, ou seja, assegura que terá suporte em caso de problemas até mais tarde.

A extensão da garantia também lhe dá duas entidades possíveis a quem recorrer no caso de o equipamento avariar: o fabricante e a seguradora que lhe vendeu o serviço de extensão da garantia.

Em qualquer dos casos, a extensão da garantia é particularmente útil quando em causa estão produtos ou equipamentos de elevado valor ou cuja reparação é muito cara, porque o libertam de suportar os custos sozinho.

Desvantagens da extender a garantia

Se já comprou produtos e o vendedor tentou convencê-lo a contratar uma extensão de garantia, sabe bem quanto pode custar (e não costuma ser pouco).

Este tipo de serviço acaba por encarecer os produtos, o que pode ser um problema na hora de fazer as contas.

A extensão de garantia também pode não ser a sua melhor amiga se o equipamento avariar ainda dentro do período de vigência da garantia do fabricante. Nestes cenários, as seguradoras aconselham-no a procurar o fabricante e descartam-se de responsabilidades.

A somar ao ponto anterior há ainda a dificuldade em acionar a extensão da garantia.

São comuns os casos em que os consumidores não conhecem em detalhe o contrato de extensão da garantia e só no momento da avaria é que descobrem que, afinal, a extensão não abrangia todas as coberturas inicialmente oferecidas pelo fabricante ou que tem regras de ativação complicadas.

Garantia aumentada: produtos em que pode contratar o serviço

Os eletrodomésticos são os produtos em que a extensão da garantia é mais comum, até porque são artigos de valor significativo e, quando usados com muita frequência, têm maior probabilidade de ceder ao desgaste.

É também comum encontrar serviços de extensão da garantia associados a equipamentos eletrónicos (como telemóveis e computadores) ou até automóveis.

Vale a pena contratar a extensão da garantia?

Tudo vai depender do produto que está a garantir e dos valores envolvidos na operação. Para decidir, tenha em consideração:

O valor do equipamento agora e no fim do prazo da extensão

Imagine que compra um equipamento por 500 euros, com garantia de fabricante de dois anos. O vendedor oferece-lhe uma extensão de garantia de mais um ano por 200 euros. Será que compensa?

Vai ter de fazer as contas, não ao valor atual do equipamento, mas ao valor que ele terá daqui a três anos.

É certo que, se o equipamento avariasse amanhã, os duzentos euros da garantia iam compensar (porque vale 500), mas é igualmente certo que podia recorrer à garantia do fabricante, sem nenhum encargo adicional.

Por outro lado, se o equipamento avariar daqui a três anos e, por essa altura, já não valer 200 euros, então sairá a perder. Mais valia trocar por um novo ou pagar o conserto do que ter gasto tanto dinheiro na extensão da garantia.

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O custo da extensão

Claro que, se lhe oferecerem uma extensão de garantia de um carro por apenas dois euros, é um negócio que pode aproveitar sem piscar os olhos.

No entanto, é muito improvável que isso aconteça. Se a garantia superar os 25% do valor total do produto, e considerando que ela se aplica já depois de passar o tempo de garantia do fabricante, é um negócio que dificilmente compensa.

As coberturas

Como sempre acontece, as letras pequeninas do contrato são as mais importantes.

No caso da extensão da garantia, é muito importante saber duas coisas: que coberturas são abrangidas pela extensão e quais são os procedimentos para ativação da extensão de garantia.

Em primeiro lugar, conhecer as coberturas abrangidas permite-lhe perceber se o negócio é vantajoso para si.

Uma coisa é pagar 200 euros por uma extensão de garantia que lhe dá um equipamento de 500 euros totalmente novo quando o seu avaria.

Outra coisa, completamente diferente, é pagar 200 euros por uma extensão de garantia que só cobre despesas acima dos 400 euros em reparação do equipamento.

Por fim, é essencial que conheça os procedimentos para ativação da extensão de garantia.

Se esses procedimentos forem confusos, pouco claros ou muito difíceis de cumprir, não avance com a compra, porque provavelmente nunca vai usar esse serviço.

Na realidade, acontece os consumidores pagarem pelo aumento da garantia e depois, quando precisam, acabarem a pagar consertos do próprio bolso só porque não compensa passar por todo o processo burocrático imposto pela seguradora.

Em qualquer dos casos, tudo vai depender do que quer segurar, do valor do produto (quer financeiro, quer emocional), do grau em que desvaloriza comparado com o prazo de extensão da garantia, e do valor que o produto terá quando esse prazo terminar.

Regra geral, equipamentos pequenos tendem a compensar menos na extensão da garantia, ao passo que produtos mais caros já tornam o negócio mais interessante. É uma questão de fazer as contas e escolher o melhor para o seu bolso.

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