Miguel Pinto
Miguel Pinto
01 Jun, 2026 - 10:00

Facebook, Instagram e Whatsapp passam a ter planos pagos

Miguel Pinto

A Meta vai lançar planos pagos para as suas aplicações mais emblemáticas, facebook, Instagram e Whatsapp. Saiba quanto vai custar.

faceboo

Há anos que utilizamos o Facebook, o Instagram e o WhatsApp de forma completamente gratuita. Em troca, cedemos os nossos dados para fins publicitários, um modelo de negócio que sustentou a Meta durante mais de uma década. Agora, algo está a mudar.

A empresa anunciou a 27 de maio o lançamento oficial de planos de subscrição pagos para as três plataformas, Instagram Plus, Facebook Plus e WhatsApp Plus. O anúncio foi feito por Naomi Gleit, diretora de produto, e marca uma viragem estratégica clara.

A tecnológica gigante de Mark Zuckerberg quer diversificar as suas fontes de receita, reduzindo a dependência quase exclusiva da publicidade. No entanto, as versões gratuitas continuam disponíveis para toda a gente. Os planos pagos são opcionais e destinam-se a quem quiser funcionalidades extra.

Instagram Plus, Facebook Plus e WhatsApp Plus

Os três planos são vendidos separadamente e têm preços diferentes.:

  • Instagram Plus: 3,99 dólares/mês (cerca de 3,44 €)
  • Facebook Plus: 3,99 dólares/mês (cerca de 3,44 €)
  • WhatsApp Plus: 2,99 dólares/mês (cerca de 2,57 €)

Por enquanto, não existe qualquer opção de pacote que permita subscrever as três plataformas em simultâneo, embora a Meta já tenha sinalizado que isso poderá mudar no futuro, sob o nome Meta One.

O que inclui cada plano?

Instagram Plus foca-se sobretudo em ferramentas de audiência e visibilidade. Os subscritores passam a poder ver quantas vezes os seus stories foram revistos, criar listas de audiência ilimitadas, prolongar um story para além das 24 horas habituais ou destacar um story semanalmente para mais visualizações.

Poderão, ainda, navegar pelos stories de outras pessoas de forma anónima, sem aparecer na lista de espetadores. Há ainda reações animadas exclusivas, os chamados “Super Hearts”, e opções de personalização do perfil.

O Facebook Plus partilha muitas das mesmas funcionalidades do Instagram Plus, incluindo as reações exclusivas, a personalização de ícone da aplicação e fontes da biografia, bem como estatísticas avançadas para Stories.

Já o WhatsApp Plus tem uma orientação diferente. Aqui, o foco está na personalização visual da aplicação. Os subscritores terão acesso a temas inéditos, toques de chamada personalizados, autocolantes premium e a possibilidade de fixar mais conversas. É, no fundo, uma aposta na estética e na organização do dia a dia no mensageiro.

Estes planos substituem o Meta Verified?

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Não. A Meta foi clara neste ponto e os novos planos Plus coexistem com o Meta Verified, o programa já existente de verificação de contas pago.

O Meta Verified concentra-se na verificação de identidade, proteção contra falsificação de conta e apoio prioritário, algo direcionado sobretudo para criadores de conteúdo e marcas. Os novos planos Plus, por sua vez, são para o utilizador comum que quer mais controlo e personalização sobre a sua experiência diária nas plataformas.

Meta One: a subscrição unificada do futuro

A empresa revelou que está a trabalhar numa visão de longo prazo, com uma subscrição centralizada chamada Meta One, que reunirá num só lugar todas as ofertas da empresa, dos planos Plus às ferramentas de IA.

Neste contexto, a Meta também está a testar planos de inteligência artificial autónomos:

  • Meta One Plus (7,99 dólares/mês): acesso a funcionalidades de IA com maior capacidade do que o plano gratuito;
  • Meta One Premium (19,99 sólares/mês): raciocínio mais avançado para tarefas complexas, geração de imagens e vídeos;
  • Meta One Essential (14,99 dólares/mês) e Meta One Advanced (49,99 dólares/mês): planos orientados para criadores e empresas, com verificação, proteção de identidade, maior alcance e ferramentas analíticas avançadas.

Os testes para os planos de IA arrancam em junho de 2026 em mercados como Singapura, Guatemala e Bolívia. Os planos para criadores estão a ser testados em países como a Arábia Saudita, Marrocos e Tailândia. Por ora, não há datas confirmadas para a Europa.

Mas a publicidade continua?

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Sim. E este é um ponto que importa sublinhar. Os novos planos pagos não eliminam a publicidade. Isto distingue-os do modelo que a Meta introduziu na Europa em 2023, numa resposta ao RGPD, onde os utilizadores podiam pagar para navegar sem anúncios.

Os planos Plus são sobre funcionalidades e personalização, não sobre privacidade ou ausência de publicidade. Quem quiser uma experiência sem anúncios terá de continuar a aguardar por uma solução específica para esse efeito, que a Meta ainda não anunciou formalmente neste contexto.

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Vai valer a pena subscrever?

Depende do tipo de utilizador que é. Para a maioria das pessoas que usa estas plataformas de forma casual, as versões gratuitas continuam a ser mais do que suficientes.

Os planos Plus têm mais interesse para criadores de conteúdo, profissionais de marketing ou simplesmente para utilizadores que passam muito tempo nestas plataformas e querem uma experiência mais rica e personalizada.

O maior desafio que a Meta enfrenta é justamente o de num mundo saturado de subscrições mensais, convencer os utilizadores a pagar mais uns euros por funcionalidades que, até ontem, eram vistas como acessórios. Não é tarefa fácil.

A empresa admitiu que irá ouvir o feedback da comunidade e ajustar os produtos antes de alargar o lançamento.

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