Share the post "Ferrari Luce: relâmpago elétrico custa mais de meio milhão"
Se acha que há momentos na história automóvel que ficam gravados a ferro e fogo, a apresentação do Ferrari Luce é certamente um deles. Depois de décadas a defender o motor de combustão como a única forma legítima de fazer um Ferrari, a marca de Maranello apresentou ao mundo o seu primeiro veículo elétrico de produção e fê-lo com uma grandiosidade à altura do nome que carrega.
O nome não foi escolhido ao acaso. Luce significa “luz” em italiano, e a Ferrari confirma que este nome inaugura uma nova estratégia de nomenclatura para a era elétrica. Não se trata de um carro que ilumina apenas o caminho à sua frente, mas um que pretende iluminar o caminho da própria marca.
Luce: quando Jony Ive e a Ferrari se encontram
Se há aspeto do Ferrari Luce que imediatamente provoca reação, seja de espanto, admiração ou desconcerto, é o design. O Luce foi desenvolvido em estreita colaboração com a LoveFrom, o estúdio criativo fundado por Sir Jony Ive (o homem que desenhou o iPhone, o iMac e o MacBook na Apple) e pelo designer industrial australiano Marc Newson.
A parceria durou cinco anos e envolveu todas as dimensões do carro. O resultado é um Ferrari que “pede ao olho que se recalibre antes de o emblema aterrar completamente”, como descreveu a publicação Designboom. E fá-lo de forma deliberada.
Exteriormente, o Luce apresenta uma linguagem formal radicalmente diferente dos Ferrari que conhecemos. A carroçaria tem um aspeto contínuo e ininterrupto, com uma forma quase orgânica que a Ferrari descreve como “shell-like”, uma concha.
As asas aerodinâmicas dianteiras e traseiras flutuam na extremidade da carroçaria e criam a ilusão de uma única forma em gota de água revestida numa carapaça metálica.
Na frente, um S-duct profundo e negro (uma solução derivada da competição) encurta visualmente o avanço e confere ao carro uma identidade gráfica inconfundível.
Na traseira, os quatro faróis redondos icónicos da Ferrari… só aparecem quando o carro está ligado. De contrário, há apenas um painel negro. É um gesto subtil, mas carregado de significado.
O Luce é um sedan de cinco portas, sendo as traseiras de abertura inversa, e foi apresentado em cinco acabamentos, do vermelho Ferrari, ao branco e ao azul-claro.
Interior: a filosofia Apple ao serviço da Ferrari

O interior é, provavelmente, onde a influência da LoveFrom é mais evidente e mais cativante. Numa era dominada por enormes ecrãs táteis que parecem tablets colados ao tablier, o Ferrari Luce faz precisamente o contrário: aposta em botões mecânicos, manípulos, comutadores e controlos físicos fabricados em materiais táteis como vidro e alumínio anodizado.
O volante de três raios, uma reverência à tradição Ferrari, é em alumínio 100% reciclado e integra o Manettino clássico, a binnacle e os paddleboards de controlo de binário.
O painel de instrumentos é digital, mas composto por dois painéis OLED sobrepostos com agulhas físicas entre eles, um detalhe que exige tempo para ser apreciado, mas que, uma vez descoberto, não se esquece.
A ventilação é controlada rodando manualmente as saídas de ar em alumínio. O painel de controlo pode ser pivotado pelo condutor ou pelo passageiro. É, nas palavras da Ferrari, “uma celebração de centenas de produtos discretos, cada um meticulosamente considerado e tratado com cuidado individual.”
Especificações técnicas do Luce: mais de 1.000
Por baixo desse design de ruptura, o Ferrari Luce esconde uma engenharia de ponta desenvolvida especificamente para este modelo.
| Especificação | Detalhe |
|---|---|
| Motores | 4 motores elétricos (um por roda) |
| Potência máxima | 1.113 cv (830 kW) |
| Bateria | 122 kWh NMC (SK On) |
| Arquitetura elétrica | 880 V (plataforma bespoke Ferrari) |
| Carregamento | 350 kW |
| Autonomia | +530 km (ciclo WLTP) |
| Velocidade máxima | Mais de 310 km/h |
| Tração | Integral (all-wheel drive) |
| Lugares | 5 |
| Porta-bagagens | 600 litros |
| Distribuição de peso | 47:53 (dianteiro/traseiro) |
| Entre-eixos | 2.959 mm |
| Assemblagem | E-Building, Maranello, Itália |
A Ferrari desenvolveu uma plataforma exclusiva de 880 V para o Luce, um valor superior à norma de 800 V adotada por marcas como Porsche, o que permite carregar a até 350 kW, um ritmo de carregamento que rivaliza com os melhores do segmento.
Com quatro motores de fluxo radial permanente síncrono, um por roda, o Luce beneficia de uma distribuição de binário independente em cada eixo, o que se traduz em agilidade notável para um carro com mais de 2,2 toneladas.
A Ferrari afirma que a distribuição de peso de 47:53 foi meticulosamente trabalhada para preservar as características dinâmicas da marca.
Para não perder o ADN Ferrari, o Luce amplifica os sons de vibração natural do seu trem motriz elétrico, criando uma experiência sonora que preserva a visceral ligação emocional associada a um Ferrari tradicional.
Preço e disponibilidade: o EV mais caro do mundo?

O Ferrari Luce chega ao mercado com um preço de partida de 550.000 euros, tornando-o, em muitos mercados, o veículo elétrico de produção mais caro do mundo. As entregas estão previstas para o quarto trimestre de 2026.
Para ter uma referência, o Ferrari Purosangue, o primeiro SUV da marca e ele próprio uma revolução quando chegou, custa cerca de 400.000 euros.
O Luce posiciona-se claramente como o modelo de topo da gama Ferrari e, ao mesmo tempo, como uma proposta de valor diferente, direcionada para famílias com poder aquisitivo elevado que procuram conforto, tecnologia de ponta e cinco lugares sem abdicar da emoção da marca.