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Valdemar Jorge
Valdemar Jorge
15 Mar, 2022 - 12:16

Mercedes-Benz 600S: o restauro do carro da Presidência Portuguesa

Valdemar Jorge

O emblemático Mercedes-Benz 600S da Presidência da República foi alvo de um restauro que durou três anos. Conheça a história deste automóvel.

Mercedes-benz 600S da Presidência

O Mercedes-Benz 600S (W100) que integra o parque automóvel da Presidência da República, foi adquirido pelo Estado Português, em 1966, e esteve ao serviço entre os anos de 1977 e meados de 1990.

Atualmente pode ser visto na exposição “O Motor da República”, iniciativa que o Museu da Presidência está a promover no Museu dos Transportes e Comunicações na Alfândega do Porto.

Uma viatura para chefes de Estado

O modelo, lançado pela Mercedes-Benz em 1963 tinha como destino chefes de Estado e outras individualidades. Estava equipado com motor V8 com 6,3 litros, a gasolina, transmissão automática e suspensão hidráulica. Outro equipamento que recorria a sistema hidráulico era o sistema que regula a posição dos assentos, o vidro que separa motorista e passageiros, bem como portas e tampa da bagageira.

O exemplar Mercedes-Benz 600S foi adquirido pelo Estado Português, em 1966, por 785 mil escudos (cerca de quatro mil euros) e adstrito ao Conselho de Ministros.

Em 1977 foi transferido para a Presidência da República, onde prestou serviço por 13 anos.

A integrar a exposição “O Motor da República” exibe-se em todo o seu esplendor. Mas há alguns anos não se mostrava tão magnífico. Para chegar ao estado atual foi alvo de profundo restauro executado por profissionais da Sociedade Comercial C. Santos.

Conheça a história deste restauro que teve lugar na viragem do século e cujo orçamento assustou os responsáveis do Ministério das Finanças.

Automóvel chegou desmontado em caixas

O restauro do Mercedes-Benz 600S constituiu o primeiro grande desafio de Agostinho Azevedo, responsável pela Colisão na Sociedade Comercial C. Santos. Então, com 28 anos, tinha chegado à empresa há pouco tempo.

A intervenção no veículo foi muito exigente. Exigente de tal forma que o automóvel entrou nas instalações não da forma tradicional, mas sim desmontado em caixas.

O desafio começou naquele momento, 1998, e terminou em 2000, com a entrega do automóvel imaculado, como se saísse do stand pela primeira vez.

“Sem dúvida que foi um grande desafio, pelas condições em que a viatura chegou. Mesmo para o melhor orçamentista, é sempre muito complicado fazer um orçamento quando as coisas nos chegam desmontadas. Foi dessa forma que se começou a fazer uma estimativa. O carro foi descarregado e começou-se a elaborar ao detalhe tudo o que a viatura precisava”, explica, à da SocInterview, Agostinho Azevedo.

Interior do Mercedes-Benz 600S

Equipa motivada colocou mãos à obra

A equipa de profissionais perante o desafio que tinha entre mãos não desanimou. O primeiro passo foi executar um orçamento. Após o detalhe de tudo o que seria preciso para fazer brilhar de novo o Mercedes-Benz 600S a conclusão foi um valor de 12 mil contos (cerca de 60 mil euros). O orçamento foi entregue ao Ministério das Finanças.

“Algumas pessoas não acharam muita piada, porque eram valores realmente excessivos e como eu estava há pouco tempo na Sociedade Comercial C. Santos, tudo se ‘enquadrava’ para que alguma coisa não estivesse bem”, revela o responsável pela área de Colisão, que na altura desempenhava funções há pouco tempo na empresa.

Agostinho Azevedo acrescenta ainda que na altura, com 28 anos, embora tivesse conhecimentos e experiência, nunca tinha coordenado um restauro na empresa.

A responsabilidade da intervenção era imensa. “Ainda por cima numa viatura tão emblemática como esta”, sustenta.

Importância aos detalhes foi uma preocupação

O trabalho de restauro prolongou-se por três anos. A fatura foi emitida com o valor de 11.900 euros. “Portanto, a estimativa, não andava muito longe da realidade”, acrescenta Agostinho Azevedo.

O responsável da Sociedade Comercial C. Santos refere ainda que neste tipo de intervenção “dá-se muita importância a todos os detalhes”, o que acaba por demorar o processo de restauro.

É o caso específico da pintura: “o carro foi pintado duas vezes, precisamente para dar este acabamento que estamos aqui a ver”.

No restauro do Mercedes-Benz 600S da Presidência da República intervieram diversos profissionais desde estofadores a mecânicos, passando por chapeiros e pintores.

Todas as peças que tiveram de ser substituídas foram cedidas pela Mercedes-Benz.

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