Share the post "Banco de Portugal alerta para nova burla com cartões Multibanco enviados pelo correio"
Receber um novo cartão Multibanco pelo correio é, para a maioria dos clientes, um procedimento perfeitamente normal.
É precisamente essa aparência de normalidade que está a ser explorada numa nova fraude identificada pelo Banco de Portugal.
O esquema passa pelo envio de um cartão falso acompanhado de uma comunicação que procura levar a vítima a fornecer dados ou a realizar uma operação através de canais controlados pelos criminosos.
O alerta foi divulgado lembra que um cartão novo não deve ser ativado através de links, contactos telefónicos ou códigos QR indicados numa carta, mesmo quando o documento e o próprio cartão parecem legítimos.
Como funciona a nova burla dos cartões Multibanco?
O esquema começa com o envio, por correio, de um cartão que aparenta ser emitido pelo banco do destinatário. A acompanhar o cartão pode surgir uma carta com instruções para proceder à sua ativação ou validação.
O problema está no método proposto. A comunicação fraudulenta pode incluir um número de telefone, uma hiperligação ou um código QR através dos quais a vítima é encaminhada para uma suposta página do banco.
Essa página pode reproduzir a aparência do site oficial da instituição, numa tentativa de obter dados pessoais, credenciais de acesso ao homebanking ou outros elementos que permitam aos criminosos aceder à conta bancária.
Segundo o Banco de Portugal, os criminosos podem já dispor de alguns dados do destinatário, como o nome, a morada ou o banco de que é cliente. Essa informação permite tornar a comunicação muito mais convincente e personalizada.
É uma evolução de técnicas de engenharia social já conhecidas. Em vez de uma mensagem evidentemente suspeita, o criminoso cria uma situação que parece fazer sentido: o cliente está prestes a receber ou recebeu um novo cartão e precisa de o ativar.
O cartão parece verdadeiro. É seguro?

Não. Um dos principais perigos desta burla é precisamente o facto de o cartão Multibanco e a comunicação poderem parecer legítimos.
O Banco de Portugal recomenda, por isso, que o conteúdo da comunicação seja analisado com atenção, mesmo quando o cartão aparenta ter sido emitido pelo banco habitual.
Existe ainda um sinal de alerta particularmente importante e que é a urgência.
Uma mensagem que ameaça bloquear a conta, cancelar o cartão ou impedir o acesso aos serviços bancários caso não seja realizada determinada ação imediatamente deve ser encarada com desconfiança.
O Banco de Portugal recomenda expressamente que se desconfie de pedidos que pressionem o cliente a agir de imediato.
A pressa é uma ferramenta recorrente nas burlas. Quanto menos tempo uma pessoa tiver para verificar a informação, maior é a probabilidade de agir sem confirmar se o pedido é realmente legítimo.
Quando deve ser ativado um novo cartão Multibanco?
O Banco de Portugal esclarece que os cartões têm validade até ao último dia indicado no próprio cartão.
Quando se trata de uma renovação, o banco envia habitualmente o novo cartão nas semanas anteriores ao fim da validade do cartão em utilização.
Por isso, a ativação não é um processo que exija uma resposta imediata motivada por uma ameaça de bloqueio da conta.
Assim, um cartão pode ser ativado através de um caixa automático ou dos canais oficiais do próprio banco, nomeadamente o site ou a aplicação da instituição.
O cliente não deve utilizar os contactos, links ou códigos QR indicados numa carta suspeita para confirmar a autenticidade da comunicação ou ativar o cartão.
O que fazer se receber um cartão que não esperava?

A primeira regra é não utilizar o cartão nem seguir as instruções da comunicação antes de confirmar a sua autenticidade.
Se o cartão não foi solicitado ou se existe alguma dúvida sobre a sua origem, o Banco de Portugal recomenda contactar diretamente o banco através dos canais oficiais.
O Portal do Cliente Bancário alerta também que as instituições não devem enviar cartões não solicitados, salvo situações como a renovação de um cartão que já está a ser utilizado pelo cliente.
Perante uma situação de fraude ou suspeita de fraude com cartões Multibanco, o cliente contacte de imediato a instituição bancária e participe o caso às autoridades, nomeadamente PSP, GNR, Polícia Judiciária ou Ministério Público.
E se já tiver fornecido os dados?
Nesse caso, a rapidez é especialmente importante. Deve contactar imediatamente o banco através de um contacto oficial e explicar exatamente o que aconteceu.
Dependendo da informação que tenha sido partilhada, poderá ser necessário bloquear o cartão, cancelar credenciais de acesso ou tomar outras medidas para impedir operações não autorizadas.
Se forem detetados movimentos que o cliente não reconhece, estes devem ser comunicados imediatamente ao prestador de serviços de pagamento, não esquecendo a participação da situação às autoridades competentes.
Existe também uma dimensão importante relacionada com os direitos do cliente. Segundo o Portal do Cliente Bancário, quando existem operações de pagamento não autorizadas, a responsabilidade do titular depende das circunstâncias concretas.
Em determinadas situações, antes de comunicar o problema ao banco, as perdas podem estar limitadas a 50 euros.
Esse limite não se aplica, nomeadamente, quando exista fraude ou negligência grave por parte do cliente. Depois de feita a comunicação, o titular não é, em regra, responsável pelas operações não autorizadas posteriores, salvo situações de atuação fraudulenta.