Miguel Pinto
Miguel Pinto
20 Out, 2026 - 10:00

Ao volante do Omoda 7: SUV híbrido plug-in com 279 cv e ambição para enfrentar os rivais

Miguel Pinto

Omoda 7 em ensaio. Conheça os 279 cv, a autonomia elétrica de 90 km, o equipamento, o espaço a bordo e o preço do SUV híbrido plug-in.

Omoda 7

O Omoda 7 não é um automóvel que procure desaparecer no meio do trânsito. Com 4,66 metros de comprimento, uma frente marcada por uma grelha de padrão hexagonal, iluminação LED e uma silhueta de linhas vincadas, este SUV chinês prefere deixar a sua assinatura visual. E fá-lo sem precisar de recorrer a soluções particularmente extravagantes.

O tejadilho flutuante, as barras em preto e as jantes de liga leve de 20 polegadas ajudam a construir uma imagem desportiva, enquanto o teto panorâmico em vidro acrescenta um toque de sofisticação.

O conjunto tem presença. Numa categoria em que as dimensões e a postura na estrada contam tanto como a ficha técnica, o Omoda 7 percebeu a importância de entrar pela vista.

Por baixo da carroçaria, porém, está a parte mais interessante da proposta. O Omoda 7 SHS-P é um híbrido plug-in que combina um motor a gasolina de 1,5 litros, com quatro cilindros e 105 kW (143 cv), com um motor elétrico e uma bateria de 18,4 kWh.

A potência máxima combinada anunciada é de 205 kW, equivalentes a 279 cv, e o binário chega aos 365 Nm.

A transmissão é automática DHT e a tração faz-se às rodas dianteiras. Não estamos, portanto, perante um SUV de vocação todo-o-terreno, apesar da aparência robusta.

A sua missão éconjugar uma utilização quotidiana eficiente com a possibilidade de percorrer distâncias mais longas sem depender exclusivamente da bateria.

Omoda 7: 279 cv e até 90 km de autonomia elétrica

frente do omoda 7

Os 279 cv são um número respeitável, mas talvez seja a bateria que melhor explica a lógica deste Omoda. Com 18,4 kWh de capacidade, permite anunciar até 90 quilómetros de autonomia elétrica em ciclo combinado WLTP e 124 quilómetros em ciclo urbano.

A diferença entre os dois valores não é um pormenor. Mostra como o contexto de utilização pode alterar significativamente a distância percorrida sem recorrer ao motor térmico.

Para quem faz diariamente o percurso entre casa e o trabalho, sobretudo em meio urbano ou suburbano, esta autonomia pode permitir cumprir uma parte substancial das deslocações sem consumir gasolina, desde que exista possibilidade de carregar regularmente.

É aqui que um híbrido plug-in faz sentido. Sem carregamentos frequentes, parte da vantagem perde-se, e o peso de quase duas toneladas também não desaparece por magia.

A aceleração dos 0 aos 100 km/h demora 8,4 segundos e a velocidade máxima anunciada é de 180 km/h. São números adequados a um SUV familiar, embora não façam do Omoda 7 uma proposta desportiva no sentido mais exigente da palavra.

A potência serve sobretudo para garantir reservas de resposta e facilitar as recuperações, sem transformar cada viagem numa demonstração de força.

A autonomia total anunciada, de 1200 quilómetros, também deve ser entendida como um valor de referência, não como uma promessa para todas as viagens. Mas não andamos muito longe deste valor durante o ensaio.

Habitáculo onde a tecnologia assume o protagonismo

interior do omoda 7

É no interior que o Omoda 7 procura justificar parte da ambição da marca. O tabliê tem um desenho envolvente, com prolongamento visual para os painéis das portas, e o ecrã central de 15,6 polegadas ocupa uma posição de destaque.

A particularidade está no facto de ser deslizante, uma solução que procura acrescentar versatilidade à interação com o sistema multimédia.

À frente do condutor, um painel de instrumentos digital de 8,88 polegadas é complementado por um head-up display, que projeta informação relevante no campo de visão.

O equipamento inclui ainda conectividade sem fios Apple CarPlay e Android Auto, comandos de voz, carregamento por indução de 50 W para smartphones e um sistema de som Sony com oito altifalantes.

Não falta, portanto, tecnologia para acompanhar a rotina diária, seja nas deslocações urbanas ou numa viagem mais longa.

A lista continua com bancos dianteiros de regulação elétrica, memória, aquecimento e ventilação, volante desportivo aquecido, climatização automática de duas zonas e um compartimento de arrumação climatizado.

Os vidros de conforto acústico são outro elemento relevante, sobretudo num automóvel pensado para passar muitas horas em circulação.

Espaço para a família, sem esquecer a bagagem

Com 2720 mm de distância entre eixos, cinco lugares e uma carroçaria com 1875 mm de largura, o Omoda 7 apresenta dimensões adequadas a um SUV familiar. A altura é de 1670 mm, enquanto o comprimento chega aos 4660 mm.

A bagageira tem uma capacidade anunciada de 537 litros na configuração de medição indicada para a versão comercializada, podendo atingir 1294 litros com os bancos traseiros rebatidos.

A abertura elétrica da bagageira, os vidros traseiros escurecidos e as saídas de ventilação para os passageiros de trás reforçam a vertente prática.

O teto panorâmico em vidro acrescenta luminosidade ao habitáculo, embora a sua utilidade dependa também da eficácia da cortina elétrica na gestão da luz e do calor.

SUV JAECCO 5
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Segurança: uma lista extensa de assistentes

O equipamento de segurança é outro dos argumentos fortes do SUV. O modelo conta com oito airbags, incluindo um airbag central dianteiro, e uma estrutura com 72% de aço de alta resistência.

A isto junta-se um conjunto de sistemas de assistência à condução que procura antecipar riscos e reduzir a probabilidade de acidentes.

Entre os equipamentos disponíveis encontram-se a travagem autónoma de emergência, o cruise control adaptativo, a monitorização dos ângulos mortos, o alerta de colisão dianteira e traseira, o assistente de manutenção na faixa de rodagem e a deteção de fadiga do condutor.

Existe também assistência à condução em trânsito, uma ajuda particularmente útil nos congestionamentos que fazem parte da rotina de muitos automobilistas.

Omoda 7: 25 minutos de carregamento

omoda

A bateria LFP de 18,4 kWh pode ser carregada em corrente alternada até 6,6 kW, com um tempo anunciado de até 3,3 horas para passar dos 10% aos 100%, numa ligação monofásica de 7 kW.

Em corrente contínua, a potência máxima é de 40 kW, permitindo carregar dos 10% aos 80% em cerca de 25 minutos.

Não são valores particularmente impressionantes em carregamento rápido quando comparados com alguns elétricos dedicados, mas também não é essa a função principal do Omoda 7.

Omoda 7: preço e posicionamento no mercado

O Omoda 7 SHS-P Premium tem um preço anunciado de 44 900 euros em Portugal. Este valor coloca-o numa zona de mercado particularmente concorrida, onde os SUV híbridos plug-in de marcas generalistas e fabricantes premium disputam a atenção de quem procura espaço, tecnologia e custos de utilização controlados.

A estratégia da Omoda passa por oferecer um conjunto generoso de tecnologia e conforto, associado a uma motorização híbrida plug-in potente e a uma autonomia elétrica adequada às deslocações diárias.

É uma combinação que pode despertar o interesse de famílias e condutores que procuram um automóvel espaçoso sem abdicar da possibilidade de circular em modo elétrico.

No fundo, o Omoda 7 SHS-P chega ao mercado com uma proposta bem definida. Tem dimensões generosas, 279 cv de potência combinada, até 90 quilómetros de autonomia elétrica em ciclo combinado WLTP e um equipamento de série que inclui soluções habitualmente associadas a automóveis de segmentos superiores.

É um SUV chinês que apresenta argumentos suficientes para merecer atenção num segmento exigente. A ambição está lá.

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