Share the post "Parque Urbano do Jamor: o pulmão verde entre Oeiras e Lisboa que vale a pena descobrir"
Entre Algés e Cruz Quebrada, escondido no vale que o rio Jamor foi esculpindo ao longo de séculos, existe um recanto que consegue ser, ao mesmo tempo, floresta, estádio, piscina, pista de bicicletas e sala de estar ao ar livre para milhares de pessoas.
O Parque Urbano do Jamor é um dos espaços verdes mais completos da região de Lisboa e, ainda assim, continua a ser um segredo mal guardado para quem vive fora de Oeiras.
O espaço situa-se na Praça da Maratona, em Cruz Quebrada, no concelho de Oeiras, a cerca de quinze minutos de comboio do centro de Lisboa. A estação de Cruz Quebrada, na Linha de Cascais, fica praticamente à porta do parque, o que torna a viagem de comboio a opção mais prática para quem não quer preocupar-se com estacionamento.
Para quem prefere ir de automóvel, o acesso faz-se pela Avenida Marginal ou pela A5, duas das principais vias que contornam o parque e que, de tão próximas, quase parecem abraçá-lo.
Para quem gosta de chegar a pedalar ou a correr, existe ainda uma ciclovia que liga o Passeio Marítimo de Oeiras ao Jamor, com início junto à ponte ferroviária sobre o rio, em Cruz Quebrada, e término no passeio marítimo de Algés. É um dos percursos mais aprazíveis da zona, sempre acompanhado pela vista do rio Tejo.
Parque Urbano do Jamor: passeio e experiência

O trajeto até ao parque já é, por si só, parte da experiência. Quem opta pela ciclovia ou pelo passeio pedonal junto ao Tejo atravessa Algés e Caxias, com o rio sempre por perto e as praias fluviais a espreitarem entre um quiosque e outro.
Pelo caminho, é possível avistar, ainda que ao longe, a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos do lado de Lisboa, sobretudo nos dias de céu limpo em que a luz do Tejo parece multiplicar-se.
Quem chega de comboio ou de automóvel repara logo na Praça da Maratona, o portão de entrada informal do complexo, ladeada por pinheiros e eucaliptos que anunciam a mata que se segue.
É também aqui que se percebe a escala do lugar, com mais de duzentos hectares de área verde, plantados a partir da década de 1930, quando se decidiu arborizar toda a envolvente do então Estádio Nacional.
O que se vê no Parque Urbano do Jamor
Dentro do parque, a oferta é surpreendentemente vasta para quem espera apenas relva e bancos:
- A Mata do Jamor, uma extensa área florestal com percursos pedestres de diferentes graus de dificuldade, ideais para caminhadas, corrida ou simplesmente para escapar ao calor debaixo da folhagem.
- O Estádio Nacional, desenhado pelo arquiteto Miguel Jacobetty Rosa e inaugurado em 1944, que continua a acolher todos os anos a final da Taça de Portugal. A sua arquitetura, integrada na encosta arborizada e inspirada no Estádio Olímpico de Berlim, torna-o um marco singular no panorama desportivo português.
- A Piscina Olímpica do Jamor, aberta ao público, para quem prefere trocar a corrida por umas braçadas.
- O Centro de Lazer do Jamor, junto ao rio, procurado por quem quer experimentar canoagem ou remo num ambiente muito mais tranquilo do que o habitual num centro desportivo nacional.
- Campos de ténis, golfe e outras infraestruturas federadas, que fazem do Jamor um dos maiores centros desportivos públicos do país.
- Zonas de piquenique e áreas de lazer mais simples, espalhadas pela mata, perfeitas para uma tarde em família ou entre amigos.
- Percursos de BTT, com pistas de diferentes níveis de exigência, incluindo circuitos pensados especificamente para quem procura desafios mais técnicos.

O que mais se pode ver na envolvente
Depois de uma manhã ou tarde no Jamor, a região à volta oferece motivos de sobra para prolongar o passeio.
Em Cruz Quebrada e Algés, o passeio marítimo convida a uma caminhada junto ao Tejo, com vista para a outra margem e para a ponte 25 de Abril ao longe.
Quem gosta de arquitetura e jardins pode seguir até ao Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, rodeado por jardins públicos que convidam ao descanso ou a um piquenique em família, com direito a uma fonte de bica que costuma encantar quem visita pela primeira vez.
Um pouco mais a poente, em Caxias, a Quinta Real de Caxias merece uma visita. É um jardim de inspiração francesa, com estátuas em terracota da autoria de Machado de Castro e entrada gratuita.
Ali perto, o Forte de São Bruno recorda a importância estratégica que esta faixa costeira teve na defesa da barra do Tejo, e as praias de São Bruno e de Caxias são uma boa desculpa para arrefecer os pés depois de uma caminhada mais longa.
Para quem prefere manter-se junto à água, a Praia da Cruz Quebrada, em pleno rio Tejo, e a Piscina Oceânica de Oeiras, de água salgada, ficam a curta distância do parque, tal como a linha férrea de Cascais, que permite continuar viagem em qualquer direção sem grande planeamento.