Miguel Pinto
Miguel Pinto
03 Set, 2026 - 14:00

Cartões de crédito com cashback: será que valem mesmo a pena?

Miguel Pinto

Saiba como funcionam os cartões de crédito com cashbac e se valem a pena. Descubra como escolher a melhor opção e evitar juros elevados.

cashback

Cada vez mais consumidores procuram formas de rentabilizar as despesas do dia a dia, e os cartões de crédito com cashback surgem como uma das soluções mais populares nesse sentido.

A promessa é pagar com o cartão e receber de volta uma parte do dinheiro gasto. Mas será que esta vantagem compensa realmente, ou esconde custos que anulam o benefício?

Um cartão de crédito com cashback é um instrumento de pagamento que devolve ao titular uma percentagem do valor gasto em compras. Essa percentagem é definida por cada instituição financeira e costuma situar-se entre 1% e 3%, podendo variar consoante o tipo de despesa (por exemplo, combustível, supermercado, restauração ou viagens).

Na prática, o funcionamento é semelhante ao de qualquer cartão de crédito, onde o titular paga as suas compras normalmente e, no final do mês, recebe uma fatura com o valor total a liquidar.

A diferença está no facto de uma parte desse montante regressar sob a forma de cashback. Como?

  • Creditado diretamente na conta associada ao cartão;
  • Acumulado como saldo virtual, para ser utilizado em compras futuras;
  • Descontado diretamente na fatura seguinte do cartão;
  • Convertido em pontos, milhas aéreas ou descontos em lojas parceiras da instituição emissora.

As condições exatas dependem sempre do banco ou da instituição de crédito, pelo que é essencial ler com atenção o contrato antes de aderir.

Cashback ou cash advance: qual a diferença?

Cartão de crédito virtual

É comum confundir-se o cashback com o cash advance, mas trata-se de dois conceitos distintos.

Enquanto o cashback devolve uma percentagem do valor gasto em compras, o cash advance corresponde a um adiantamento de dinheiro a crédito, ou seja, permite levantar numerário através do cartão até um limite definido, geralmente com o pagamento de comissões associadas.

Este último não tem qualquer relação com a devolução de dinheiro por compras realizadas.

Para perceber melhor o impacto real desta vantagem, imagine um cartão que devolve 3% do valor gasto e uma despesa mensal média de 200 euros em compras diversas.

Ao utilizar o cartão para pagar essas compras, o titular recebe de volta seis euros por mês (200 € x 3%), o que equivale a uma devolução anual de 72 euros.

Este valor pode, no entanto, variar significativamente consoante o cartão. Há instituições que aplicam a mesma percentagem a todas as compras, enquanto outras estabelecem taxas diferentes por categoria.

Existem ainda cartões que impõem um teto mensal ou anual ao valor de cashback a receber ou que apenas oferecem esta vantagem durante um período promocional inicial.

Vantagens dos cartões de crédito com cashback

A principal vantagem é a possibilidade de recuperar parte do dinheiro gasto, o que pode, mais tarde, traduzir-se numa poupança que ajuda a equilibrar o orçamento familiar. Além disso, muitos destes cartões oferecem benefícios adicionais.

  • Acumulação de pontos ou milhas aéreas trocáveis por produtos ou viagens;
  • Descontos em estabelecimentos parceiros da instituição emissora;
  • Programas de fidelização que aumentam a percentagem de cashback ao longo do tempo.

Vale a pena o cartão de crédito com cashback?

A resposta depende, sobretudo, do perfil de consumo de cada pessoa. Estes cartões costumam ter condições específicas, estando muitas vezes associados a determinadas categorias de despesa ou a estabelecimentos com parcerias.

Se os hábitos de compra se enquadrarem nessas condições, a adesão pode efetivamente compensar.

Caso contrário (ou se a instituição cobrar anuidade ou outras comissões elevadas), o benefício do cashback pode ser insuficiente para compensar os custos totais do cartão.

Há ainda um ponto fundamental a considerar. É que os cartões de crédito com cashback são cartões de crédito, o que significa que o valor das compras não é debitado de imediato na conta, mas sim cobrado através de uma fatura mensal.

Caso não exista saldo disponível para liquidar essa fatura na totalidade, são aplicados juros que, em muitos casos, apresentam Taxas Anuais de Encargos Efetivas Globais (TAEG) superiores a 15%.

Nessas situações, os juros pagos podem facilmente anular, e até superar, qualquer poupança obtida através do cashback, criando um risco real de sobreendividamento.

Por isso, a regra de ouro para que este tipo de cartão seja realmente vantajoso é simples: os benefícios obtidos com o cashback têm sempre de ser superiores às despesas associadas ao cartão, incluindo anuidade, comissões e, sobretudo, juros por atraso ou pagamento parcial da fatura.

Escolher cartão de crédito com cashback: 6 dicas

cartão crédito

Antes de aderir a um cartão com cashback, há alguns aspetos importantes a ter em conta.

Identifique o seu perfil de consumidor

Verifique em que tipo de compras ou estabelecimentos o cartão permite recuperar dinheiro, e confirme se essas condições correspondem aos seus hábitos de consumo reais.

Um cartão com cashback elevado em combustível pouco vale a quem não tem carro, por exemplo.

Recorra a entidades credíveis

Confirme sempre que a instituição bancária ou de crédito está devidamente registada no Banco de Portugal, consultando a listagem oficial de entidades autorizadas.

Compare diferentes propostas do mercado

Analise várias ofertas antes de decidir, tendo em conta a anuidade do cartão e as taxas de juro aplicáveis.

O indicador mais relevante para esta comparação é a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), uma vez que reflete o custo total do cartão, incluindo todos os encargos associados.

Preste atenção a encargos extra

Verifique se existem comissões ou custos adicionais menos evidentes. Para que o cartão seja realmente vantajoso, os ganhos obtidos com o cashback têm de superar essas despesas.

Avalie percentagens e formas de pagamento

Compare as percentagens oferecidas por diferentes cartões e, dentro do mesmo cartão, entre categorias de despesa.

Verifique também se existem limites mínimos de compra ou máximos de reembolso, se o cashback tem uma duração limitada no tempo, e de que forma o valor é devolvido.

Confirme se existem benefícios adicionais

Além do cashback, alguns cartões oferecem vantagens complementares, como acumulação de pontos trocáveis por produtos, descontos em parceiros ou seguros associados. Estes fatores podem fazer a diferença na escolha final.

Como aderir a um cartão de crédito com cashback?

homem e mulher com cartão de crédito

O processo de adesão a um cartão com cashback não difere do de qualquer outro cartão de crédito. É, regra geral, rápido, mas não automático, uma vez que a entidade emissora tem de avaliar a solvabilidade do requerente antes de aprovar o pedido.

A adesão pode ser feita presencialmente, num balcão da instituição, ou online, através do preenchimento de um formulário. Em qualquer dos casos, é habitualmente necessário apresentar alguns documentos.

  • Cartão de Cidadão;
  • Número de Identificação Fiscal (NIF);
  • Comprovativo de rendimentos (declaração de IRS, recibos de vencimento ou recibos verdes);
  • Comprovativo de morada;
  • Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.

Durante o processo de adesão, a instituição é obrigada, por lei, a entregar a Ficha de Informação Normalizada (FIN), documento que reúne todas as condições de utilização do cartão, incluindo taxas, comissões e demais encargos.

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