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Teresa Campos
Teresa Campos
23 Out, 2020 - 11:46

O que significa ter personalidade borderline ou limítrofe?

Teresa Campos

A personalidade borderline carateriza-se por comportamentos impulsivos e instáveis. Saiba mais sobre os sintomas e tratamento deste transtorno.

mulher com múltiplos reflexos no espelho

Nos últimos anos, tem-se ouvido falar com mais regularidade da personalidade borderline ou limítrofe. Porém, esta não é apenas mais uma personalidade ou forma de ser ou de estar. Este é um transtorno que acarreta muito sofrimento a quem vive com esta perturbação, assim como a quem lida com estas pessoas.

Uma personalidade borderline carateriza-se pela sua impulsividade e instabilidade, aspetos que interferem nos mais variados domínios da vida diária, particularmente na relação destes indivíduos com as outras pessoas e consigo próprios.  

Os sintomas caraterísticos de uma personalidade borderline podem ser atenuados e controlados, especialmente através da psicoterapia e de medicação. Portanto, é essencial consultar um profissional de saúde, se sente que você próprio ou alguém seu conhecido se encaixa no seguinte perfil.

Personalidade borderline ou limítrofe: o que é e quais as suas caraterísticas?

Designa-se por personalidade as caraterísticas, inatas e adquiridas, que definem o temperamento e o caráter de um indivíduo. A personalidade é espelhada nos comportamentos e nas maneiras de pensar e de se relacionar de cada indivíduo . Fala-se em transtorno de personalidade quando uma pessoa apresenta um padrão maladaptativo e comportamentos patológicos.

O Transtorno de Personalidade Borderline ou “transtorno de personalidade emocionalmente instável” carateriza-se por um comportamento impulsivo e instável, nomeadamente no que respeita aos afetos, relações e autoimagem.

homem com mãos na cabeça

Sintomas da personalidade borderline

De um modo geral, a personalidade borderline manifesta-se por sentimentos intensos e polarizados e comportamentos impulsivos que se podem revelar perigosos para a própria pessoa, nomeadamente através de atitudes auto lesivas e de tentativas de suicídio.

Os sintomas deste transtorno podem surgir na adolescência ou já na idade adulta, sendo os mais frequentes:

  • Medo de abandono, real ou imaginário;
  • Relações intensas e instáveis, passando do amor ao ódio;
  • Autoimagem distorcida;
  • Comportamentos impulsivos, como esbanjar dinheiro; praticar sexo desprotegido; abusar de substâncias, como álcool ou drogas; conduzir de forma insegura;
  • Comportamentos suicidas e de automutilação;
  • Humor variável;
  • Sentimentos de vazio e de raiva;
  • Pensamentos paranóicos;
  • Sintomas dissociativos.

Causas ou fatores de riscos

Ainda não é clara a origem da personalidade borderline. Porém, acredita-se que o seu surgimento possa estar associado à presença de fatores genéticos, cerebrais, ambientais e/ou sociais.

Assim, é mais comum este tipo de personalidade manifestar-se em indivíduos com familiares próximos com este transtorno; em pessoas que viveram experiências traumáticas; e em doentes com alterações na estrutura e função cerebrais, isto é, com uma incapacidade fisiológica em regular emoções.

Diagnóstico e tratamento

O transtorno da personalidade borderline deve ser diagnosticado por um psiquiatra ou psicólogo, o qual, para isso, deve considerar a sintomatologia e o historial médico pessoal e familiar do doente, sobretudo no que às doenças mentais diz respeito.

Esta perturbação é difícil de tratar, mas os seus sintomas podem ser controlados, melhorando a qualidade de vida do doente e das pessoas à sua volta. A psicoterapia, nomeadamente a terapia comportamental cognitiva, a terapia dialética comportamental e a terapia de esquemas, é exemplo de um dos tratamentos recomendado nestas situações.

Em certos casos, a medicação também pode auxiliar no alívio dos sintomas mais específicos, como mudanças de humor, depressão ou comportamentos auto-destrutivos.

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Nota final

A mente merece a mesma atenção que qualquer outra parte do nosso corpo. Por isso, a saúde mental não deve ser descurada e a procura por ajuda e tratamento deve ser encarada de forma descomplexada e sem tabus.

Assim, em caso de necessidade, consulte um psicólogo ou psiquiatra ou incentive alguém próximo a fazê-lo, se sentir que essa pessoa está a precisar. Além disso, há linhas de apoio que existem, precisamente, para ajudar quem precisa. Aqui ficam duas delas:

  • Linha de apoio emocional e prevenção ao suicídio: 800 209 899
  • SOS – Voz Amiga: 21 354 45 45 / 91 280 26 69 / 96 352 46 60
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