Na noite de 12 para 13 de agosto de 2026, as Perseidas atingem o pico de atividade, com a lua nova a garantir um céu quase sem interferência luminosa. É a melhor janela do ano para ver e fotografar estrelas cadentes.
Para fotografar o momento não é necessariamente preciso comprar uma máquina fotográfica nem um telescópio. Os telemóveis atuais, mesmo os modelos intermédios, já trazem modo noturno e sensores capazes de captar céu estrelado sem qualquer investimento extra.
Quem se deixar tentar por um kit de astrofotografia como câmara, lente grande angular e tripé próprio, pode facilmente gastar várias centenas de euros num equipamento que só vai usar algumas noites por ano. Com o telemóvel, esse gasto fica a zero.
Porque não é preciso comprar equipamento novo
Uma máquina fotográfica de entrada com lente adequada para astrofotografia custa tipicamente entre 400 e 900 euros. Um telescópio amador soma outras centenas. A um tripé profissional, resistente ao vento noturno, juntam-se ainda os acessórios: controlo remoto, baterias extra, cartões de memória.
Nada disto é necessário para começar. O telemóvel já resolve o essencial: sensor, processamento de imagem e, cada vez mais, um modo noturno dedicado que estabiliza a exposição automaticamente. A única compra que compensa, se for para repetir a experiência todos os anos, é um tripé simples de telemóvel, que ronda os 15 a 25 euros.
Faça as contas antes de encomendar equipamento caro: se só for fotografar o céu duas ou três noites por ano vai demorar anos a rentabilizar esse investimento.
Como preparar o telemóvel e passos para captar a foto perfeita
Há três ajustes que fazem toda a diferença antes de sair de casa: ativar o modo noturno ou “Astrofotografia” nas definições da câmara (a maioria dos Android recentes e todos os iPhone a partir do 11 já o incluem), desligar o flash e o HDR automático, que só atrapalham em céu escuro, e baixar o brilho do ecrã ao mínimo, para os olhos se habituarem à escuridão mais depressa.
Convém ainda descarregar, com antecedência, uma aplicação gratuita de mapeamento do céu, como o Stellarium ou o Star Walk, que mostra exatamente para onde apontar, no caso das Perseidas, o nordeste, na direção da constelação de Perseu.
Passo a passo para captar a melhor foto
O primeiro passo é escolher um local afastado de luzes de rua ou da cidade, pois, quanto mais escuro o céu, mais estrelas e meteoros aparecem na foto. Um parque rural ou uma zona alta fora do aglomerado urbano costuma chegar.
Depois, o telemóvel deve ficar apoiado numa superfície firme. Não é preciso tripé: um muro, o tejadilho do carro ou uma pilha de livros resolvem perfeitamente. O importante é o telemóvel ficar completamente imóvel durante a exposição, que pode demorar entre 3 e 10 segundos.
O temporizador de 3 segundos, em vez do toque direto no ecrã, evita tremores de última hora que estragam a foto. Se o telemóvel permitir modo manual, o ISO deve ficar entre 800 e 3200, com foco manual no infinito.
Para onde apontar a câmara para ver Perseidas e Eclipse Solar
As Perseidas estão ativas entre 17 de julho e 24 de agosto de 2026, mas a maior concentração de meteoros acontece na madrugada de 13 de agosto, entre as 4h e as 6h. A noite de 11 para 12 de agosto também regista atividade elevada, e serve de alternativa a quem quer evitar a maior afluência da noite de pico.
A 12 de agosto de 2026, ao final da tarde, Portugal Continental assiste ainda a um eclipse solar parcial em quase todo o território, com cobertura entre 92% e 100%, e total durante cerca de 26 segundos numa faixa restrita do Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança. Na maior parte do país, incluindo o Porto, o fenómeno acontece perto do pôr do sol, por volta das 19h30.
Fotografar o eclipse tem uma regra que não se pode saltar: a câmara do telemóvel nunca deve apontar diretamente ao Sol sem um filtro solar certificado (norma ISO 12312-2) à frente da lente. A exposição contínua, sobretudo com zoom, pode aquecer e danificar o sensor de forma permanente, o mesmo risco que a luz solar direta representa para a vista.
A boa notícia, mais uma vez, é o custo. Um conjunto de óculos certificados custa menos de 1€ por unidade em kits de várias unidades, e algumas redes de ótica distribuem óculos gratuitos enquanto o stock durar. Uma das lentes, recortada e colada sobre a câmara traseira, funciona como filtro improvisado e substitui um acessório fotográfico dedicado, que custaria bastante mais. Fora da estreita faixa de totalidade em Montesinho, o filtro deve manter-se colocado do início ao fim da observação.
Fotografar o céu é gratuito
Nada do que falamos exige cartão de crédito. Uma app de mapeamento gratuita, um telemóvel que já está à mão e uma superfície firme onde o pousar. Comparado com os 400 a 900 euros de uma máquina fotográfica dedicada e outros acessórios, a poupança é imediata e o resultado pode surpreender.