Se julho já tinha dado boas desculpas para olhar para para o céu sem gastar um cêntimo, agosto é ainda melhor. É um dos meses mais concorridos do calendário astronómico das últimas décadas: um eclipse solar total, a melhor versão das Perseidas em anos, o planeta mais brilhante do céu na sua melhor forma e, para fechar o mês, um eclipse lunar quase total. Tudo isto sem gastar em bilhetes, equipamento ou viagens, só é preciso saber onde e quando olhar.
12 de agosto: Lua Nova e o eclipse solar total
O mês abre em grande, com dois fenómenos no mesmo dia. De manhã, a Lua entra em fase Nova. Ao final da tarde, o Sol, a Lua e a Terra alinham-se num eclipse solar total, o primeiro visível a partir da Europa continental desde 1999. Em Portugal, a totalidade só é visível numa faixa estreita do nordeste do país; no resto do território, o eclipse é parcial, mas ainda assim expressivo. Já dedicámos um artigo inteiro a este fenómeno, com todos os horários e recomendações de segurança: consulte o nosso guia completo sobre o eclipse solar de agosto.
12 e 13 de agosto: as melhores Perseidas dos últimos anos
Na mesma noite do eclipse, o céu oferece um segundo espetáculo: o pico da chuva de meteoros Perseidas, uma das mais aguardadas do ano. Este ano, a coincidência com a Lua Nova significa céus completamente escuros, sem luar a competir com os meteoros, condições quase perfeitas. Em locais com pouca poluição luminosa, é possível ver até 100 meteoros por hora, incluindo bólidos particularmente brilhantes. A melhor janela é depois da meia-noite e até ao amanhecer de 13 de agosto, com o radiante na constelação de Perseu, mas os meteoros podem surgir em qualquer parte do céu.
Quer aproveitar a noite ao máximo sem gastar dinheiro? Um simples cobertor no chão, longe das luzes da cidade, é tudo o que precisa, nem sequer é necessário saber onde fica a constelação de Perseu.
15 de agosto: Vénus no seu melhor
A meio do mês, Vénus atinge a máxima elongação a leste do Sol (cerca de 46 graus de separação), o ponto em que fica mais alto e mais fácil de observar no céu da tarde. É a melhor altura do ano para o ver: brilha como “estrela da tarde” no horizonte oeste, visível a olho nu logo depois do pôr do sol, sem necessidade de qualquer equipamento.
27 e 28 de agosto: Lua Cheia e eclipse lunar quase total
O mês fecha com outro par de fenómenos na mesma noite. A Lua atinge a fase Cheia, tradicionalmente chamada de Lua do Esturjão, nome de origem norte-americana ligado à época de pesca desta espécie nos Grandes Lagos. Poucas horas depois, na madrugada de 28 de agosto, ocorre um eclipse lunar parcial particularmente profundo: cerca de 93% a 96% da Lua entra na sombra da Terra, criando um efeito muito próximo de um eclipse total, com a Lua a ganhar um tom avermelhado.
Em Portugal, o momento de maior eclipse acontece por volta das 5h12/5h13 da madrugada, com a Lua já baixa no horizonte oeste. Quanto mais a oeste do país, melhores as hipóteses de acompanhar as fases mais profundas antes de a Lua se pôr, por isso, vale a pena procurar um local com horizonte desimpedido a oeste e pouca luz artificial.
Como aproveitar estes eventos celestiais sem gastar
Entre o eclipse solar, as Perseidas, Vénus e o eclipse lunar, agosto de 2026 dá para preencher várias noites de família ou de casal sem gastar em bilhetes ou deslocações longas. Se já tiver planos de férias, verifique se o destino cai dentro da faixa de totalidade do eclipse solar, pode ser motivo suficiente para ajustar o itinerário sem custos extra. Para quem prefere ficar por perto, uma noite de Perseidas numa praia fluvial longe da cidade continua a ser uma das formas mais económicas de fechar o verão em grande.
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