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GUIA DO REGRESSO ÀS AULAS
Prático e Descomplicado
Teresa Campos
Teresa Campos
21 Set, 2021 - 10:37

Peso da Régua: viagem ao berço das vinhas do Alto Douro

Teresa Campos

Em tempo de vindimas fomos até ao Peso da Régua para conhecer melhor uma das mais antigas cidades do Douro. E não saímos desiludidos.

Pontes do Peso da Régua

O Ekonomista foi passar uns dias a Peso da Régua e veio de lá com a mala cheia de boas memórias e, talvez, uns quilos a mais na balança. É que não há como comer mal na zona do Douro e a gastronomia e o vinho são, sem dúvida, um dos melhores cartões de visita da região.

Porém, também há muito para visitar neste destino, pelo que é possível queimar todas as calorias ingeridas com umas belas caminhadas pela beira-rio, enquanto somos esmagados pelo deslumbramento de uma paisagem de cortar o fôlego. Confira, agora, todas as nossas sugestões.

Peso da Régua: a tradição vem de longe

Peso da Régua terá tido origem numa casa romana, a “Villa Reguela”. Porém, foi em meados do século XVIII que esta localidade adquiriu mais visibilidade, fruto da fundação da Real Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro

Pela proximidade com o rio Douro, Peso da Régua foi uma região determinante na produção e comercialização do vinho do Porto, já que era daqui que o vinho seguia em pipas nos barcos rabelos para as Caves situadas em Vila Nova de Gaia.

Nesta, que foi a primeira região demarcada de produção vitivinícola a nível mundial, as vinhas encontram-se plantadas em socalcos nas encostas que se erguem à beira-rio. São elas que fazem da paisagem desta região uma das mais belas de todo o país.

O que ver em Peso da Régua?

Visitar Peso da Régua é um estímulo aos sentidos. Desde logo, à visão. Quando chegamos à Régua, somos imediatamente atraídos pela sua paisagem incrível e cada vista parece ser mais avassaladora do que a seguinte.

A cada olhar parece estarmos a contemplar um quadro pintado a óleo por um artista de renome. Portanto, a nossa primeira sugestão é que, chegando à Régua, se demore a olhar tudo o que esta magnífica cidade tem para lhe mostrar.

As pontes

Logo ao chegar à Régua irá observar três pontes que se destacam e que pode atravessar, duas de carro e uma a pé.

Vinhas no Peso da Régua
Vinhas do Douro

A Ponte Miguel Torga, em homenagem ao escritor da região, é a maior e data de 1997. Tem 90 metros de altura e 900 de extensão e apresenta um formato curvo, estando ligada à A24.

Outra ponte que se destaca é a Ponte da Régua, datada de 1934, e que está integrada na EN2. Possui 350 m de extensão e carateriza-se pelos seus três arcos maiores e outros menores.

A outra ponte, a ponte metálica, é agora pedonal. Foi mandada construir em 1872 pelo Rei D. Luís I, para atravessamento rodoviário do Rio Douro. Porém, foi desativada em 1949, devido à degradação do seu tabuleiro em madeira, sendo mais tarde reabilitada.

Cais da Régua

Quando visitamos uma cidade que tem no rio um dos seus principais atributos, temos necessariamente de visitar o seu cais. É o que acontece quando vamos a Peso da Régua e vamos até ao seu cais, que se estende pelas margens do rio Douro.

É um espaço extremamente agradável para praticar exercício físico, levar os miúdos ao parque infantil ou, simplesmente, contemplar a beleza da paisagem.

O que visitar em Peso da Régua?

Não faltam espaços interessantes para visitar em Peso da Régua, com as quintas vinícolas a merecerem principal destaque. Esta é uma excelente forma de ficar a saber mais sobre a região, além de descobrir a história do vinho do Porto, a qual acaba por estar intrinsecamente ligada à história desta terra.

Museu do Douro

O Museu do Douro ocupa as antigas instalações da Real Companhia Velha e, como o nome indica, a sua exposição principal dedica-se a contar a história do Douro que é, como quem diz, a história do vinho do Porto e da sua ligação à região.

Por entre os muitos objetos curiosos e de interesse expostos, destacamos o traje de D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida como a Ferreirinha.

museu douro
Museu do Douro

Mas há mais para ver no Museu do Douro. Este espaço acolhe ainda o espaço Armanda Passos, no qual estão expostas 83 obras, entre desenhos a tinta-da-China, óleos, gravuras, serigrafias e guaches desta artista nascida em Peso da Régua.

Até 21 de novembro está, ainda, patente uma exposição temporária de Manuel Casal Aguiar (“Douro e outras paisagens”), a qual é composta por obras inspiradas no Douro, assim como por trabalhos feitos sobre as paisagens de Timor.

No final do percurso, é-nos oferecido um cálice de vinho do Porto. O espaço do Museu dispõe ainda de uma loja e de um restaurante.

Mais informações, aqui.

Quinta da Pacheca

O que não faltam nas imediações de Peso da Régua são quintas vinícolas para visitar, fazer degustações e ficar a saber mais sobre todo o processo de produção do vinho do Porto.

Escolhemos ir até à Quinta da Pacheca e não nos arrependemos pois, além de ser lindíssima, fomos extremamente bem recebidos, numa visita que nos deu muito a conhecer sobre a história da Quinta, mas também sobre tudo o que está relacionado com as vinhas, as vindimas e o vinho.

As origens deste espaço remontam a 1738, altura em que Mariana Pacheco Pereira terá adquirido o terreno e, para sublinhar que era uma mulher que estava à frente desta quinta, deu-lhe o nome de Quinta da Pacheca, tornando feminino o seu apelido.

Desde então, a Quinta já passou por várias famílias, como a Serpa Pimentel que comprou a propriedade em 1903 e que ainda mantém ligações com o espaço, embora em 2012 a propriedade tenha sido vendida aos atuais proprietários.

Quinta da Pacheca
Quinta da Pacheca

Nos seus 54 hectares, estão plantadas várias castas, sendo a Touriga Nacional a mais emblemática de todas. A guia Filipa deu-nos uma verdadeira lição sobre uvas e vinho, já que as vindimas lhe correm no sangue, pois a ligação à vinha já vem de família e desde pequena que se habituou a ir apanhar as uvas e a pisá-las nos lagares das quintas.

Um trabalho duro, mas sobre o qual fala com um sorriso no olhar. Este ano, as vindimas começaram no início do mês de setembro. Primeiro, apanham-se as uvas brancas. Na Quinta da Pacheca, tudo continua a ser feito de forma tradicional, apesar da dificuldade cada vez maior em encontrar pessoal disponível para trabalhar nas vindimas.

Mas além da história da vinha, o espaço também maravilha pelas construções, pela capela que era usada para as cerimónias privadas da família, pelos lagares imensos e cheios de uva e pelas caves repletas de enormes barricas e balseiros.

O restaurante da Quinta também é um ponto de visita obrigatório, mas sobre ele falaremos mais adiante.

Mais informações, aqui.

O que fazer em Peso da Régua?

Há várias formas de explorar Peso da Régua e as terras mais próximas. Uma delas é de comboio, a outra é de barco. Na Régua, há várias opções disponíveis. Viagens de comboio. Cruzeiros de barco. Ou até uma combinação de ambos.

Os percursos, a duração das viagens e os preços dos bilhetes também variam de caso para caso. Por isso, pode dizer-se que há opções para todos os gostos e carteiras. No nosso caso, optámos por apanhar o comboio até ao Pinhão e, a partir de lá, apanhar o barco para fazer uma viagem de uma hora pelo Douro, regressando novamente à Régua de comboio.

vista de comboio para o Douro
Vista de comboio sobre o Douro

Escusado será dizer que quer de comboio, quer de barco, a paisagem é deslumbrante e ir à Régua e não ter esta experiência empobrece bastante a estadia neste destino. Portanto, o nosso conselho é que vá até à estação da Régua e se informe sobre os vários comboios e percursos disponíveis. Depois, é só escolher o que mais lhe interessa ou está mais de acordo com as suas possibilidades.

Estrada Nacional 222 percurso Régua Pinhão
Veja também Do Pinhão ao Pocinho pela magnífica linha do Douro

Onde comer em Peso da Régua?

Já avisámos que em Peso da Régua se come e bebe bem. Portanto, não é difícil sair de lá com mais uns dígitos na balança. Partilhamos agora consigo os sítios onde mais gostámos de almoçar e jantar e os petiscos imperdíveis que existem em cada um desses locais.

Locomotiva Wine & Gourmet

Em Peso da Régua, a bôla é uma entrada típica e que vale a pena experimentar, porque é deliciosa. É o caso da bôla deste restaurante, que vem acompanhada de outras saborosas entradas, como a broa, o pão, o patê e o azeite.

Luís Ferreira, o proprietário do espaço, e o seu staff recebem como ninguém quem visita o restaurante, sabendo recomendar os melhores pratos e vinhos para aproveitar ao máximo as iguarias locais.

Para quem prefere peixe, a recomendação vai para o Bacalhau com Broa, acompanhado por batata e por um misto de legumes. Macio e húmido por dentro, com lascas soltas e uma crocância exterior deliciosa.

Se preferir carne, opte pela Posta Alcatra, com batata a murro e mistura de legumes. Uma carne suave e suculenta que vale a pena experimentar.

Para regar a refeição, prove um vinho que se chama Rezingão, mas que o vai deixar muito bem disposto. Se não resiste a sobremesas doces, experimente o cheesecake de frutos vermelhos e a mousse de lima.

Mais informações, aqui.

Restaurante The Wine House | Quinta da Pacheca

Prometemos que íamos falar do restaurante da Quinta da Pacheca, pois este é outro local imperdível para degustar uma refeição de luxo. O chef Carlos Pires garante a satisfação total de todos os que visitam o espaço, honrando os vinhos e os sabores da região em preparados verdadeiramente divinais.

Como entradas, destacamos a bochecha de porco estufada em vinho do Porto Rubi sobre salteado de favas com chouriço e o carpaccio de bacalhau com azeite premium Quinta da Pacheca e alcaparras.    

Para pratos principais, merecem destaque o bacalhau com crosta de broa de milho e azeitona com raspas de lima e a paleta de cabrito assada com arroz de forno aromatizado com hortelã e que se faz acompanhar de um coulis de frutos vermelhos que combina na perfeição com a carne.

sobremesa
Surpresa de chocolate

Para brindar à Régua, claro que na carta não podiam faltar os melhores brancos e tintos da Quinta da Pacheca. E para fechar a refeição com chave de ouro, entregue-se a uma fantástica surpresa de chocolate em três texturas ou a uma delícia fresca de maracujá com gelado de avelã.

Mais informações, aqui.

Gato Preto

Ricardo Monteiro é o nome do proprietário deste espaço que, juntamente com o seu staff e a sua simpática filha Ana Margarida, acolhem todos com a máxima hospitalidade.

As entradas denunciam logo a qualidade da comida que é servida neste restaurante. A alheira de sabor delicado e a bola de bacalhau bem húmida e cremosa fazem as honras da casa e abrem caminho para aquilo que aí vem.

A carne maronesa grelhada DOP, acompanhada com tomate cherry, courgette e cebola caramelizada, é uma verdadeira delícia. E não menos deliciosas são as batatas fritas, super estaladiças e irresistíveis, quando mergulhadas nos molhos que compõem o manjar.

Para sobremesas, sugere-se o leite creme, cujo topo estaladiço é completamente irresistível, e a crista de galo, um doce típico premiado no Concurso “As 7 Maravilhas Doces de Portugal” e que vem acompanhado por uma refrescante bola de gelado.

Mais informações, aqui.

Garrafeira Gato Preto

Claro que uma visita à Régua não fica completa sem a visita a uma garrafeira. E para um jantar de petiscos, nada melhor do que visitar este espaço, onde são recebidos com todo o profissionalismo e delicadeza do seu proprietário, Vitor Monteiro.

Este é o local certo para ficar a conhecer um pouco mais sobre vinhos, até porque pode acompanhar a refeição com copos de diferentes néctares, passando pelos brancos, tintos e rosés.

tapas
Tapas

Além de tábuas de queijos e de enchidos, há diversas tapas deliciosas, como as tostas com presunto, o cogumelo Portobello recheado e o folhado recheado com alheira.

Mais informações, aqui.

Vinho do Porto ou vinho licoroso?

Aproveitámos a ida a Peso da Régua para “tirar a limpo” como os locais se referem ao normalmente chamado vinho do Porto.

É que reza a lenda que por estes lados o termo vinho do Porto não é muito bem aceite, visto que o vinho é, na verdade, produzido nesta região e não propriamente no Porto, onde apenas vai envelhecer nas caves. Em alternativa, os antigos preferem referir-se a este vinho como vinho licoroso, generoso, fino ou tratado.

Todavia, as gerações mais novas já não alimentam esta rivalidade e já não assumem a designação “vinho do Porto” como uma apropriação.

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