Share the post "Poço Azul: a lagoa do Gerês que só se conquista a pé e vale cada passo"
O Poço Azul é daqueles lugares que parecem quase inventados. Uma lagoa de água tão transparente que, em dias de sol, ganha tons de azul-turquesa dignos de qualquer postal caribenho.
Só que aqui, em vez de areia branca, há granito, carvalhais e o silêncio da serra. Não é por acaso que este é um dos destinos mais procurados por quem gosta de caminhadas e de mergulhos em água doce no norte de Portugal.
O Poço Azul é uma lagoa natural formada pelo rio Conho, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, no concelho de Terras de Bouro.
Está integrado numa zona serrana onde predominam os carvalhais, as fontes de água cristalina e os antigos curros de pastoreio, e é rodeado por algumas das elevações mais emblemáticas da região, como a Roca de Pias e a Roca Negra.
Apesar do nome, a cor da água varia consoante a estação, a luz do dia e o caudal do rio. Em pleno verão, com pouca chuva, tende para um azul-esverdeado intenso; noutras alturas do ano, o verde predomina.
De qualquer forma, a limpidez é constante, o que torna este poço num convite quase irresistível a um mergulho refrescante.
Poço Azul: caminhada obrigatória
Um ponto importante é que não existe acesso de automóvel ao Poço Azul. O trilho faz-se exclusivamente a pé. O ponto de partida mais comum é junto à Cascata do Arado, situada a cerca de 750 metros de altitude.
Ponto de partida
O percurso começa junto ao escadório de acesso à Cascata do Arado, perto da ponte sobre o rio Arado. Existem duas opções para chegar até aqui de carro:
- Estacionar junto à Cascata do Arado, num pequeno parque de terra batida. Esta opção encurta a caminhada, mas o espaço é limitado e a estrada de terra nem sempre está em boas condições para veículos ligeiros.
- Estacionar no Miradouro das Rocas e descer a pé pelo estradão até à cascata, somando cerca de 1,2 a 2,5 quilómetros extra (ida e volta) ao percurso total.
Em época alta, sobretudo aos fins de semana de verão, os lugares de estacionamento esgotam rapidamente, pelo que sair cedo de casa compensa em dobro.
Conhecer o trilho
A partir da Cascata do Arado, o caminho sobe primeiro por um troço mais inclinado e depois entra numa zona florestal generosa em sombra, onde se encontram duas fontes tradicionais do Gerês, a Fonte das Letras e a Fonte do Curral da Malhadoura, esta última com um pequeno merendeiro improvisado, ideal para uma pausa.
Segue-se a passagem pelo Curral dos Portos, uma zona com vários abrigos de pastores escavados na rocha. O trilho continua depois em direção ao vale do rio Conho, passando por locais como a Tribela, até desembocar finalmente no Poço Azul.
Não sendo um percurso oficialmente sinalizado, é habitual haver alguma confusão em certos cruzamentos.
Por isso, convém levar sempre um mapa ou GPS carregado antes de sair de casa, já que a cobertura de rede é escassa ou inexistente ao longo de grande parte do trajeto.
Distância e duração
- Distância total: entre 9 e 11 km (ida e volta), consoante o ponto de partida escolhido
- Duração média: cerca de 4 horas, incluindo paragens
- Desnível: aproximadamente 350 metros
- Dificuldade: moderada, não exige experiência técnica em montanha, mas pede alguma preparação física, calçado adequado e atenção redobrada nos troços mais irregulares
Poço Azul: o que levar e cuidados a ter

Por se tratar de uma zona de montanha dentro de uma área protegida, há alguns cuidados essenciais antes de partir:
- Água e comida suficientes, já que não existem estabelecimentos ao longo do percurso
- Calçado próprio para caminhada, com boa aderência
- Protetor solar, chapéu e roupa em camadas, uma vez que grande parte do trilho tem exposição solar direta
- Mapa ou aplicação de GPS descarregada previamente, já que a rede móvel falha em vários troços
- Saco para o lixo, para que tudo o que leva para cima volte consigo.
Vale ainda recordar que o Poço Azul se insere no Parque Nacional da Peneda-Gerês, uma área sob regime de proteção ambiental.
Nos meses de maior risco de incêndio, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) pode decretar restrições temporárias de acesso a determinadas zonas do parque.
Respeitar a fauna, a flora e as construções tradicionais da região, como os curros de pastores, é também parte essencial de uma visita responsável.
Poço Azul: recompensa no final da caminhada
Para quem gosta de trekking, natureza e água cristalina, a resposta se vale a pena fazer estre trilho é praticamente unânime: sim.
Embora seja preciso algum esforço físico e paciência para lá chegar, vale a pena tanto pelo percurso como pelo destino final. A recompensa está tanto no destino como no próprio caminho, transformando esta caminhada numa experiência completa, muito para além de “apenas” chegar a uma lagoa bonita.
Se decidir aventurar-se, o conselho mais valioso talvez seja começar cedo, respeitar o território que está a atravessar e desfrutar do silêncio da serra antes que o dia e os outros visitantes cheguem.