Share the post "Praia do Baleal: a península que uniu o mar, o surf e uma ilha inteira a Peniche"
Poucos lugares em Portugal conseguem condensar tanta paisagem num espaço tão pequeno. A Praia do Baleal, na freguesia de Ferrel, em Peniche, é um desses casos raros.
É uma antiga ilha ligada ao continente por um cordão estreito de areia, rodeada de ondas para todos os gostos, pôr do sol garantido e uma vila que continua a saber a Portugal profundo, mesmo com estrangeiros de várias nacionalidades a passearem pelas ruas em pleno verão.
Situada a cerca de seis quilómetros do centro de Peniche, o Baleal tornou-se, nos últimos anos, um dos destinos costeiros mais procurados da Costa de Prata, tanto por surfistas em busca de ondas consistentes como por famílias que preferem um dia de praia mais tranquilo.
E a boa notícia é que, a partir daqui, a oferta de coisas para ver e fazer estende-se muito além da areia, desde as arribas de Cabo Carvoeiro, até à travessia de barco rumo ao arquipélago selvagem das Berlengas.
Baleal: uma ilha que deixou de o ser
O nome Baleal não é acidental. Nos séculos XVI e XVII, esta faixa de costa era ponto de passagem de baleias, que ali eram avistadas e capturadas, dando origem ao topónimo que ainda hoje identifica a península.
Ao contrário da generalidade das ilhas portuguesas, o Baleal deixou de ser propriamente uma ilha. Um istmo de areia uniu-o ao continente, permitindo que hoje se chegue a pé até à antiga ilhota, com o mar de um lado e do outro do caminho.
Essa geografia invulgar é também o que torna a praia tão versátil. De um dos lados da península, as águas são mais abrigadas e calmas, perfeitas para famílias com crianças pequenas ou para quem simplesmente quer nadar sem se preocupar com ondulação.
Do lado oposto, o mar ganha força e consistência, atraindo surfistas ao longo de praticamente todo o ano.
Capital do surf e o Baleal no centro das atenções
Não é por acaso que esta zona da costa portuguesa é frequentemente apontada como uma das capitais europeias do surf.
A proximidade de ondas lendárias, como as da Praia de Supertubos, ajudou a colocar toda a região no mapa dos amantes da modalidade. Ali concentram-se dezenas de escolas de surf, para iniciantes e para quem já domina a prancha.

Mas a experiência não se esgota nas ondas. As caminhadas junto ao mar, o pôr do sol que tinge o céu de laranja sobre o Atlântico e uma gastronomia intimamente ligada ao oceano completam o retrato.
Os restaurantes da zona são conhecidos pelo peixe fresco e pelo marisco, servidos muitas vezes com vista para a água, um programa que, por si só, justifica a viagem.
O que ver e fazer em torno do Baleal e de Peniche
A península de Peniche, da qual o Baleal faz parte, tem uma linha costeira recortada por arribas, faróis e formações rochosas que valem uma visita demorada.
- Cabo Carvoeiro: um dos pontos mais a ocidente da Europa continental, com um farol que remonta ao século XVIII e um miradouro sobre o Atlântico. Daqui, em dias de céu limpo, avistam-se as Berlengas ao longe.
- Nau dos Corvos: um imponente rochedo junto ao Cabo Carvoeiro, batido pelas ondas e habitado por colónias de aves marinhas, como o corvo-marinho-de-crista.
- Varanda de Pilatos: uma pequena reentrância escavada na rocha pela natureza, acessível por uma escada e com vista privilegiada sobre o oceano.
- Fortaleza de Peniche: construção do século XVI que serviu de prisão política durante o Estado Novo e que hoje funciona como museu, com uma das memórias mais marcantes da história recente portuguesa.
- Praia de Supertubos: palco de provas internacionais de surf e uma das ondas mais respeitadas da Europa.
Este conjunto de lugares faz de Peniche um destino que resiste bem a vários dias de estadia, sem que o programa se torne repetitivo.
E depois há as fantásticas Berlengas

Nenhuma visita a esta zona da costa portuguesa fica completa sem falar nas Ilhas Berlengas, o pequeno arquipélago granítico que se ergue a cerca de quinze quilómetros da costa de Peniche.
Classificada como Reserva da Biosfera pela UNESCO desde 2011, a Berlenga Grande (a maior e única ilha habitável do arquipélago) é hoje um dos destinos naturais mais preservados de Portugal, justamente por causa das regras rigorosas de acesso.
O número de visitantes por dia é limitado, o que obriga a reservar bilhete com antecedência, sobretudo na época alta.
A travessia faz-se exclusivamente de barco, a partir do Porto de Pesca de Peniche, com uma viagem que ronda os trinta a quarenta minutos.
Em época alta, entre junho e setembro, há várias saídas diárias. Fora dessa altura, o serviço é mais reduzido e pode ser cancelado em caso de mau tempo, pelo que vale a pena confirmar as condições antes de partir.
Já na ilha, os destaques não faltam e há muito para ver.
- Praia do Carreiro do Mosteiro: considerada uma das praias mais bonitas do arquipélago, de águas cristalinas em tons de esmeralda, ideal para mergulho e snorkeling.
- Forte de São João Baptista: fortaleza seiscentista erguida sobre um rochedo e ligada à ilha por uma ponte, que pode ser visitada e que, para os mais aventureiros, chega a servir de alojamento.
- Grutas marinhas: só acessíveis por pequenas embarcações, revelam formações rochosas esculpidas ao longo de séculos pela força do mar.
- Reserva ornitológica: o arquipélago acolhe mais de cem espécies de plantas e importantes colónias de aves marinhas, entre as quais se destaca o airo, símbolo da reserva.
Para quem organiza a viagem a partir do Baleal ou de Peniche, existem hoje várias empresas licenciadas que operam a travessia, algumas com a opção de incluir passeio às grutas ou paragem para snorkeling.
Vale ainda referir que, além do bilhete de barco, é habitualmente cobrada uma pequena taxa ecológica de acesso à ilha, destinada à preservação da reserva natural.