Share the post "Programa Volta: 94% conhece, mas 66% pede mais pontos de recolha"
Um estudo divulgado a 30 de julho de 2026 pela ConsumerChoice confirma que o Programa Volta já entrou nos hábitos dos portugueses. Segundo o inquérito, realizado a 750 pessoas, 94% dos participantes conhece a iniciativa e 64% já a experimentou pelo menos uma vez.
O nível de confiança também é elevado: 80% acredita no correto registo das embalagens e na devolução do depósito, e 87% considera que o sistema incentiva a reciclagem. Mas há um “porém” que pesa no bolso. Quase metade dos inquiridos afirma que usaria o Programa Volta com mais frequência se o valor do depósito fosse superior aos atuais 10 cêntimos. E 66% pede, acima de tudo, mais pontos de devolução perto de casa.
Quanto pode realmente ganhar a devolver embalagens
O princípio é simples: cada garrafa ou lata abrangida pelo sistema de depósito e reembolso (SDR) tem um custo extra de 10 cêntimos no momento da compra. Esse valor volta para o bolso assim que a embalagem, vazia e com o símbolo Volta legível, é entregue numa máquina ou balcão autorizado.
Por exemplo, uma família que compre 15 embalagens abrangidas por semana e não devolva nenhuma está a deixar por resgatar 1,50 euros semanais, cerca de 78 euros por ano. Devolver metade já significa recuperar perto de 39 euros anuais, sem qualquer esforço além de guardar as embalagens vazias em casa até à próxima ida ao supermercado.
Faça as contas com o consumo real da sua casa: o cálculo é sempre o mesmo, número de embalagens vezes 10 cêntimos, vezes a frequência de compra. É dinheiro que já saiu da carteira no ato da compra, só falta ir buscá-lo.
Porque é que quase metade quer um depósito mais alto
O valor do depósito é, para já, fixo em 10 cêntimos para todas as embalagens abrangidas, mas as autoridades já admitiram que pode ser revisto ao longo do tempo. É essa margem que os consumidores querem ver usada.
A lógica é conhecida de sistemas semelhantes já implementados na Alemanha, na Áustria e na Dinamarca, onde o modelo de depósito e reembolso é antigo e recolhe anualmente mais de 35 mil milhões de embalagens em 357 milhões de habitantes. Portugal foi o 19.º país da União Europeia a adotar este modelo, e a experiência lá fora confirma o essencial: quanto maior o incentivo financeiro, maior tende a ser a taxa de devolução.
Em Portugal, o sistema Volta recolheu mais de 100 milhões de embalagens entre 10 de abril e meados de julho de 2026, mas a taxa de recolha rondava ainda os 38%, longe da meta europeia de recolha seletiva de 90% fixada para 2029, que o país deve atingir de forma gradual, com 80% já previstos para 2027. Um depósito mais elevado poderia acelerar essa progressão, mas também tornaria o esquecimento de uma embalagem mais caro para quem ainda não tem o hábito de devolver.
66% pede mais pontos: onde ainda falta rede
A queixa mais repetida no estudo da ConsumerChoice não é sobre o valor do depósito, mas sobre a distância até ao ponto de devolução mais próximo. A rede nacional conta atualmente com cerca de 2.500 máquinas automáticas instaladas em super e hipermercados, mais de 8.000 pontos de recolha manual em estabelecimentos mais pequenos e cerca de 50 quiosques Volta em zonas de grande afluência.
É uma rede extensa, mais de 10 mil pontos ao todo, mas com zonas cegas: há queixas registadas sobre a ausência de pontos de recolha em locais de grande movimento, como aeroportos, o que obriga o consumidor a acumular embalagens em casa até encontrar onde as entregar. Essa distância explica, em grande parte, porque é que 66% dos inquiridos coloca o reforço da rede à frente de qualquer outra melhoria.
Consulte a lista de pontos Volta mais próxima da sua rotina antes de deixar as embalagens acumularem-se na despensa.
O que ainda gera dúvidas: o destino do dinheiro não reclamado
Apesar do conhecimento elevado sobre o Programa Volta, o estudo mostra que muitos portugueses desconhecem o que acontece ao valor dos depósitos que nunca chegam a ser reclamados. É uma lacuna de comunicação que a própria ConsumerChoice identifica como prioritária.
A televisão (69%) e as redes sociais (50%) continuam a ser os principais canais de sensibilização, mas nenhum dos dois tem explicado, com clareza, o destino desse dinheiro.
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