Aviões, satélites, drones e foguetões têm todos uma coisa em comum: passam pelas mãos de um engenheiro aeroespacial antes de voar. É uma das engenharias mais jovens em Portugal – só existe formação pública dedicada desde 2019 – mas já se tornou uma das mais procuradas, com o número de universidades a lecioná-la a mais do que duplicar nos últimos três anos.
Quem pondera este percurso enfrenta duas perguntas práticas antes de decidir: quanto tempo e dinheiro exige o curso, e o que se pode esperar ganhar depois de terminar. É a essas duas perguntas que este artigo responde.
O que faz um engenheiro aeroespacial
Um engenheiro aeroespacial concebe, projeta e testa aeronaves, satélites, drones e sistemas de propulsão, combinando matemática, física, mecânica, eletrotécnica e informática. O trabalho cobre desde a fase de conceção até à manutenção e operação de sistemas aeroespaciais, com uma forte componente laboratorial e computacional – muitos cursos incluem, já no primeiro ano, o desenvolvimento e teste de drones em laboratório.
Em Portugal, este perfil é procurado por empresas ligadas à manutenção aeronáutica e à defesa, e cada vez mais também ao setor espacial emergente, à medida que a Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space) reforça a aposta em observação da Terra e pequenos satélites.
Onde estudar e quanto tempo demora
A licenciatura tem a duração de 3 anos (180 ECTS) e está disponível em sete instituições públicas para o ano letivo de 2026/2027: FEUP, Universidade do Minho, Instituto Superior Técnico (ULisboa), Universidade de Aveiro, Universidade de Évora, Universidade de Coimbra e NOVA FCT – as duas últimas a estrear o curso este ano. Há ainda percursos alternativos, como o Mestrado Integrado em Engenharia Aeronáutica na Universidade da Beira Interior, ou a formação militar da Academia da Força Aérea, em associação com o Técnico.
Depois da licenciatura, é necessário concluir o Mestrado (2 anos) para obter o título de engenheiro reconhecido pela Ordem dos Engenheiros – no total, 5 anos até estar habilitado a exercer a profissão.
O curso continua a exigir das notas de candidatura mais altas do país; já explicámos como funcionam as médias de acesso ao ensino superior para quem quiser perceber melhor esse processo antes de se candidatar.
Quanto custa o curso de engenharia aeroespacial
No ensino público, a propina máxima da licenciatura mantém-se em 697€/ano para 2026/2027. Ao longo dos 3 anos de licenciatura, o custo direto em propinas ronda os 2.091€.
Para o Mestrado, indispensável para exercer a profissão, não existe um teto legal fixo – cada instituição define o valor. Na Universidade do Porto, por exemplo, ronda os 1.250€/ano, mas pode ser mais elevado noutras instituições ou especializações. Quem tiver direito a bolsa de ação social pode ver a propina totalmente coberta.
Compare os valores praticados por cada instituição antes de se candidatar, já que podem variar mesmo dentro do ensino público.
Quanto ganha um engenheiro aeroespacial
Segundo dados do Instituto Superior Técnico, os diplomados em Engenharia Aeroespacial de 2021/2022 registaram um salário bruto mensal médio de 2.445€, cerca de 50% acima da média salarial nacional em vigor na altura (1.640€ brutos). É o dado salarial mais recente disponível publicamente, ainda que o valor real varie consoante o setor e a empresa empregadora.
Cerca de metade dos diplomados deste curso procura emprego fora de Portugal, onde os salários e as oportunidades no setor aeroespacial tendem a ser mais elevados. Empregadores como a Airbus, a Rolls-Royce, a Safran, a Agência Espacial Europeia ou o CERN recrutam regularmente engenheiros formados em Portugal.
Onde trabalhar depois de terminar o curso
Em Portugal, os principais empregadores do setor incluem a OGMA/Embraer, a TAP, a Força Aérea Portuguesa, a NAV Portugal e a INAC, além de empresas tecnológicas que recrutam este perfil para áreas fora da aviação, como consultoria ou desenvolvimento de software.
Muitos diplomados encontram também oportunidades em spin-offs universitários ligados à investigação aeroespacial. Para quem quiser perceber melhor o percurso profissional geral desta área, já explicámos como ser engenheiro em Portugal, da formação à Ordem dos Engenheiros.
Ser engenheiro aeroespacial em Portugal significa 5 anos de curso, cerca de 3.300€ em propinas até ao mestrado, e um salário inicial claramente acima da média nacional, mas também metade dos colegas de curso a arriscar carreira fora do país. Vale a pena para quem gosta genuinamente da área; o retorno financeiro está lá, mas normalmente exige paciência e, em muitos casos, mobilidade internacional.
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DGES – Direção-Geral do Ensino Superior. (2026). Acesso ao Ensino Superior 2026 – Índices de cursos: Engenharia Aeroespacial (L221). https://www.dges.gov.pt/guias/indcurso.asp?curso=L221
DGES – Direção-Geral do Ensino Superior. (2026). Propinas. https://www.dges.gov.pt/pt/pagina/propinas
Instituto Superior Técnico – Universidade de Lisboa. (n.d.). Engenharia Aeroespacial. https://www.ulisboa.pt/en/curso/licenciatura/aerospace-engineering
Universidade do Porto – Faculdade de Engenharia. (n.d.). Licenciatura em Engenharia Aeroespacial. https://fe.up.pt/estudar/cursos/licenciatura-engenharia-aeroespacial/
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