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Catarina Reis
Catarina Reis
27 Ago, 2020 - 17:58

Recuperação das aprendizagens no ano letivo 2020/2021

Catarina Reis

Conheça algumas orientações para a recuperação das aprendizagens a operar no ensino a partir do próximo ano letivo.

crianças na escola com máscara a realizar exercícios para recuperação das aprendizagens

Em virtude do impacto da pandemia no ensino em Portugal, o qual foi vivenciado durante o terceiro período do ano letivo 2019/2020, com algumas medidas de contingência já colocadas em prática, eis um novo conjunto de apoios e medidas com o objetivo de obter uma recuperação das aprendizagens por parte dos alunos.

2020-2021, o ano da recuperação das aprendizagens perdidas durante o confinamento

Então de que falamos concretamente quando nos referimos ao termo “recuperação das aprendizagens”?

A pandemia e o confinamento trouxeram como consequência inevitável um agravamento de desigualdades sociais, que já eram por si só um grande desafio para o ensino

Uma mudança tão abrupta no ensino influenciou o modo como a aprendizagem chegou aos alunos, e isso tinha que ter consequências.

Uma delas é a aprendizagem. Muitos conteúdos que estavam programados para o ano letivo que passou caíram por terra, outros houveram que mesmo tendo sido lecionados, não puderam ser desenvolvidos pelos alunos, por falta de condições de tempo e/ou de espaço.

Aquilo que é normalmente tido em conta no ensino, a equidade da aprendizagem, que permite também que alunos com maiores dificuldades possam acompanhar as matérias dadas, é conseguido sobretudo através do efeito de proximidade entre alunos com diferentes ritmos de aprendizagem, e a pandemia retirou-lhes essa possibilidade, ou pelo menos dificultou-a.

Para além disso, a crise económica criou mais instabilidade em muitas famílias.

Concretamente, de entre as dificuldades identificadas verificou-se sobretudo o acesso às tecnologias digitais por parte de uma grande número de alunos, e o tipo de acompanhamento de que dispunham em casa, que muitas vezes não foi o ideal.

Plano de atuação para a recuperação das aprendizagens

criança a realizar exercícios na escola no ano letivo 2020/2021

O ano letivo 2020/2021 será um ano de desafios; uns antigos, outros novos e outros que não conseguimos ainda prever. Este é o plano traçado:

Recuperar o bem estar social

Num ano letivo em que o regresso presencial regressará às salas de aulas, é importante recuperar alguns elementos essenciais para que os alunos se sintam bem. Só uma vez alcançado esse bem estar social é que se pode almejar o objetivo principal, a recuperação de aprendizagens.

Quando falamos em bem estar social, estamos a referir-nos a tudo o que o confinamento retirou aos alunos, como por exemplo o regresso do sentimento de pertença à turma e à escola, à partilha de experiências durante o confinamento, à reflexão sobre a nova realidade da escola, ao sentimento de segurança, à socialização, à empatia e à colaboração, e à ligação à comunidade.

O documento “Orientações para a Recuperação e Consolidação das Aprendizagens”, da DGE, sugere algumas atividades para permitir alcançar este objetivo, nomeadamente recorrendo a desafios postos em prática pelos professores.

Por exemplo, na atividade “Salvar Palavras” o professor distribui cinco papéis a todos os elementos do grupo. Objetivo é salvar as palavras que se perderam durante o tempo de ausência da escola. Cada aluno escolhe cinco palavras que deseja salvar.

Identificar conhecimentos, capacidades e atitudes impeditivos de progressão. 

Este ponto é essencial para se dar a recuperação das aprendizagens que ficaram por realizar, ao identificar os conteúdos mais importantes que ficaram de fora durante o período de confinamento e que são considerados essenciais para a progressão do aluno.

As escolas deverão alinhar os currículos com os conteúdos em faltas

Este plano de atuação deverá ter em conta alguns elementos essenciais, como: 

  • A faixa etária dos alunos;
  • O ano de escolaridade/de formação;
  • As disciplinas/áreas disciplinares/módulo/UFCD em causa; 
  • As metodologias a desenvolver, bem como os espaços e o tempo a usar;
  • As necessidades dos alunos e dos professores;
  • Os recursos disponíveis.

Para além disto, deverá ser feito um diagnóstico das competências digitais dos alunos, assim como dos recursos tecnológicos digitais que têm ao seu dispor. As medidas de recuperação das aprendizagens deverão ser ajustadas a cada aluno ou a vários grupos de alunos, e não deverá seguir uma orientação padronizada.

Desenvolver o perfil dos alunos, tendo em conta duas vertentes diferentes, é também um dos principais objetivos. Assim, as escolas deverão potenciar atividades que favoreçam as suas competências seguintes:

  • Pesquisa de informação e comunicação;
  • Bem estar, saúde e ambiente. Deverão ser dinamizados projetos que permitam aos alunos desenvolver uma responsabilidade crescente para cuidarem de si, dos outros e do ambiente para se integrarem ativamente na sociedade;
  • Área de relacionamento interpessoal;
  • Ao nível do pensamento crítico e criativo, desenvolvendo projetos nos quais se desenvolvem ideias e projetos criativos com sentido no contexto a que dizem respeito, recorrendo à imaginação, inventividade, desenvoltura e flexibilidade.
calendário escolar
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Como escolher as aprendizagens a resgatar

Vai ser necessário fazer uma triagem das aprendizagens essenciais que ficaram por ser transmitidas, e esse processo deverá obedecer a um critério. A prioridade será identificar as aprendizagens do ano anterior que revelam ser necessárias para desenvolvimento de novas aprendizagens do ano atual.

Por exemplo, uma aprendizagem que poderá ter sido suprimida na disciplina de Português foi a de redigir textos organizados em parágrafos, de acordo com o género, como textos de características expositivas, texto de opinião, notícias; cartas, ou e-mails.

Essa mesma aprendizagem é considerada essencial para o decorrer do 6º ano, no qual os alunos deverão aprender aplicar esses mesmos conhecimentos para intervir em blogues e em fóruns.

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