Share the post "Rio Marão: um trilho, quatro horas a caminhar, mil paisagens a ver"
Poucos percursos do Norte reúnem, num só dia, água a correr ao lado do caminho, floresta antiga, minas abandonadas, um viveiro de trutas e miradouros sobre o vale. O trilho do Rio Marão, em Ansiães, Amarante, faz tudo isto num circuito de cerca de 14 quilómetros. Tem sinalização cuidada e uma dose de esforço que convém não subestimar.
Classificado como percurso paisagístico, ecológico e cultural, este percurso insere-se numa área da Rede Natura 2000, o sítio Alvão/Marão e tem cerca de 14 quilómetros. O trajeto alterna entre paisagens muito diferentes, o que ajuda a explicar a boa reputação entre quem o percorre.
A partida faz-se no centro da aldeia, junto à capela de Santo António, e o caminho passa depressa a ser de montanha, entre os povoados de Eido, Peso e Coval. Aqui a arquitetura rural ainda dita o ritmo, com palheiros, moinhos e pontes rústicas surgem à beira do trilho. Pelo meio, o piso muda várias vezes. Há troços de calçada antiga, caminhos de terra batida e passagens por floresta, com carqueja, urze e coníferas.
Trilho do Rio Marão: os principais pontos de interesse

Há muito para ver ao longo do percurso e convém ir bem preparado. Se não é uma escalada de montanha, também não é uma caminhada simples:
- Posto Aquícola do Torno (viveiro de trutas) – um dos momentos mais lembrados do percurso, a cerca de 620 metros de altitude;
- Minas do Ramalhoso – antigas explorações de estanho e volfrâmio, a mais de 800 metros, que dão ao circuito uma camada de história industrial;
- Miradouros – o vale do Rio Marão e o vale da Ribeira do Ramalhoso, com vista para os cumes da serra;
- Casa de Guarda Florestal do Alto de Espinho – ponto alto do trilho, próximo dos 900 metros;
- Floresta centenária – um dos troços mais atmosféricos, sobretudo em dias de neblina;
- Apiários e vegetação autóctone – sobreiros, salgueiros e azevinhos;
- Ponte medieval de Val de Baralha – já perto do fim, a cerca de 458 metros.
Numa nota curiosa, o percurso passa em zona próxima do Túnel do Marão, na A4, o que permite perceber, lá de cima, a dimensão da serra que a autoestrada atravessa por baixo.
Qual é o grau de dificuldade do trilho do Rio Marão?
A classificação oficial é média, segundo o site Trilhos e Caminhadas. Tecnicamente, o trilho não é complicado e não tem passagens perigosas, mas os 14 quilómetros somam muitas subidas e descidas, algumas com inclinação considerável. Quem o percorreu descreve o esforço como acumulado e a distância e o desnível pesam mais do que qualquer obstáculo em concreto.
Há ainda o aviso de que com tempo húmido ou nevoeiro o percurso torna-se mais difícil. Para quem tem pouca experiência, o percurso é acessível, mas é prudente reservar um dia inteiro e fazer paragens.
Qual é a melhor altura para fazer o trilho?

A primavera e o outono são as épocas mais apontadas, com temperaturas amenas e a vegetação e a água nos seus melhores momentos. O verão exige partidas muito cedo para fugir ao calor, apesar da sombra em grande parte do trajeto.
Convém evitar dias com chuva forte ou logo após vários dias de chuva, quando os caminhos ficam escorregadios e o nevoeiro pode dificultar a orientação.
Antes de partir, vale sempre a pena consultar a previsão do tempo para a serra, que costuma ser diferente da de Amarante.
O que levar para o percurso?
- Calçado de caminhada com boa aderência;
- Água e comida em quantidade suficiente, já que não há apoio ao longo do percurso;
- Casaco impermeável ou corta-vento;
- Protetor solar, chapéu e repelente;
- Bastões de caminhada, úteis nas descidas;
- Telemóvel carregado, com o percurso em GPX e mapas offline ou um GPS;
- Um saco para levar o lixo de volta.
Embora o percurso esteja bem marcado e muitos caminhantes o façam sem GPS, ter o traçado descarregado é uma segurança útil, sobretudo em dias de nevoeiro.
Como chegar e onde ficar
O ponto de partida fica em Ansiães, no alto do concelho, a uma curta viagem de carro do centro de Amarante. O acesso rodoviário é simples, mas a estrada final é de aldeia, pelo que convém conduzir com atenção e estacionar sem bloquear a circulação local.
Para dormir, Amarante oferece alojamento local e hotéis no centro histórico, junto ao Tâmega, uma boa base para combinar a caminhada com uma refeição e um passeio pela cidade no dia seguinte.