Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
28 Set, 2026 - 16:00

Gerações X, Y e Z: anos de nascimento e relação com dinheiro

Cláudia Pereira

Das gerações X, Y e Z aos baby boomers, Alfa e Beta: saiba em que anos nasceu cada geração e como cada uma encara hoje a poupança, a casa e a reforma.

Nasceu em 1985? É millennial. Em 1999? Pertence à geração Z. As gerações X, Y e Z — e as que vieram antes e depois, agrupam quem nasceu no mesmo intervalo de anos e cresceu com os mesmos acontecimentos, da televisão a preto e branco ao telemóvel com inteligência artificial.

As etiquetas nasceram sobretudo nos EUA, entre a demografia e o marketing, e não são ciência exata: as fronteiras mudam de autor para autor. Ainda assim, ajudam a perceber porque é que avós, pais e filhos olham para o dinheiro e até para o choque de gerações no local de trabalho, de formas tão diferentes.

Os números portugueses confirmam o contraste. No barómetro Gerações em Movimento, do Grupo Ageas Portugal com a Ipsos Apeme, 55% dos reformados dizem não ter perdido poder de compra. Já entre os millennials, 70% contam perdê-lo quando chegar a sua vez.

Que gerações existem e em que anos nasceram

Além das gerações X, Y e Z, há mais quatro em uso corrente. Ao todo são sete: geração silenciosa (1928–1945), baby boomers (1946–1964), geração X (1965–1980), millennials ou geração Y (1981–1996), geração Z (1997–2012), geração Alfa (2010–2024) e geração Beta (2025–2039). Antes delas, a chamada Grande Geração reúne os nascidos antes de 1928.

GeraçãoAnos de nascimentoMarcos em Portugal
Grande GeraçãoAntes de 1928Primeira República, início do Estado Novo
Silenciosa1928–1945Infância na Segunda Guerra Mundial, com Portugal neutral
Baby boomers1946–1964Guerra Colonial, 25 de Abril de 1974
Geração X1965–1980Adesão à CEE em 1986, primeiros cartões Multibanco
Millennials (Y)1981–1996Chegada do euro, crise financeira e troika
Geração Z1997–2012Smartphone, pandemia, crise da habitação
Alfa2010–2024Tablets desde o berço, inteligência artificial
Beta2025–2039Inteligência artificial integrada no dia a dia

Repare na sobreposição entre a geração Z e a Alfa. Não é gralha: as gerações até à Z seguem o Pew Research Center, nos EUA; a Alfa e a Beta foram batizadas pela consultora australiana McCrindle. As duas fontes não coincidem entre 2010 e 2012.

Há outra ressalva. Estas fronteiras foram desenhadas a pensar nos EUA, os baby boomers, por exemplo, correspondem ao pico de nascimentos norte-americano do pós-guerra. Em Portugal, os marcos que moldaram cada geração são outros: o 25 de Abril, a entrada na CEE, a chegada do euro.

Confirme o seu ano de nascimento na tabela antes de continuar: o que se segue ajuda a perceber os riscos financeiros típicos de cada fase da vida.

Silenciosa e baby boomers: poupar primeiro, gastar depois

Quem nasceu antes de 1965 conheceu o escudo e a caderneta do banco muito antes do Multibanco, lançado em setembro de 1985. Mas a poupança não começou tão cedo como se pensa: segundo o barómetro, os baby boomers só criaram hábitos de poupança, em média, por volta dos 39 anos.

Em 2026, a idade normal de acesso à pensão de velhice é de 66 anos e 9 meses. Grande parte dos baby boomers já lá chegou e o balanço é menos negro do que se pensa. Segundo o barómetro da Ageas e da Ipsos Apeme, 55% dos reformados dizem manter o poder de compra e 41% sentem que têm tudo o que precisam.

As preocupações mudaram de terreno. A saúde futura inquieta 49% dos baby boomers, contra apenas 16% que se preocupam com a saúde atual. Viajar é objetivo de vida para metade desta geração, e metade valoriza uma vida simples e pouco material. Mas o otimismo não passa para os filhos. Como se verá a seguir, as gerações mais novas esperam uma reforma bem diferente.

Geração X e millennials: casa própria, crises e a reforma à vista

A geração X chegou à idade adulta com a adesão à CEE, em 1986, e os fundos europeus. Segundo o barómetro, 82% têm casa própria. O ponto fraco está noutro lado: 88% só começam a pensar na reforma a partir dos 50 anos. Para quem está nessa situação, estas dicas para preparar a reforma aos 40 anos continuam a aplicar-se, com prazos mais curtos.

No barómetro, 43% da geração X valorizam uma vida simples e 42% querem viajar. As prioridades aproximam-se das dos pais, sinal de uma geração a preparar a fase seguinte.

Os millennials tiveram menos sorte no calendário. Muitos entraram no mercado de trabalho entre a crise financeira de 2008 e o programa de ajustamento de 2011 a 2014. Começam a preparar a reforma, em média, aos 32 anos, e 66% têm casa própria. Ainda assim, 70% esperam perder poder de compra quando se reformarem. Há mais sobre esta geração no guia da geração Y no mercado de trabalho.

Se pertence a um destes grupos, faça as contas. Poupar 100 euros por mês dos 35 aos 65 anos soma 36.000 euros, sem contar com juros. Começar aos 45 reduz o total para 24.000 euros.

Geração Z, Alfa e Beta: casa cara e dinheiro digital

A geração Z é a que começa mais cedo a pensar na reforma. Segundo o barómetro, 67% fazem-no antes dos 26 anos. Os objetivos financeiros são claros: ganhar mais (47%) e poupar mais (44%).

O grande obstáculo é a casa. Para 58% da geração Z, o preço da habitação é o maior desafio para o futuro, e só 13% acreditam conseguir investir em imobiliário a pensar na reforma. Os apoios existem, como a garantia do Estado no crédito à habitação jovem, mas não resolvem sozinhos o problema.

Atenção a um limite do estudo: o inquérito, com 1900 entrevistas feitas entre setembro e outubro de 2025, só ouviu pessoas a partir dos 25 anos. Os dados da geração Z refletem, por isso, apenas os mais velhos desta geração.

A geração Alfa tem hoje, no máximo, 16 anos e cresce rodeada de dinheiro invisível: pagamentos por telemóvel, compras dentro de jogos, subscrições. A geração Beta, nascida desde 2025, vai mais longe, segundo a McCrindle, muitos dos seus membros vão chegar ao século XXII. Mais anos de vida significam reformas mais longas para financiar.

Para os pais, a consequência prática é começar cedo. Uma poupança de 25 euros por mês desde o nascimento soma 5.400 euros aos 18 anos, antes de qualquer rendimento.

Que geração é a sua e o que fazer com isso

Na prática: o ano de nascimento diz pouco sobre quanto cada pessoa tem no banco, mas diz muito sobre o contexto em que aprendeu a lidar com dinheiro. Os boomers reformados dizem, em maioria, não ter perdido poder de compra. Os millennials começaram a carreira em crise e temem a reforma. A geração Z vê na casa o maior obstáculo.

Pertencer às gerações X, Y e Z ou a outra qualquer não decide o resultado. Identifique a sua geração na tabela e verifique hoje uma coisa: quanto põe de parte, por mês, para a reforma. Se a resposta for zero, estas dicas para poupar para a reforma são um bom ponto de partida.

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Fontes

Dimock, M. (2019, janeiro 17). Defining generations: Where Millennials end and Generation Z begins. Pew Research Center. https://www.pewresearch.org/short-reads/2019/01/17/where-millennials-end-and-generation-z-begins/

Library of Congress. (s.d.). Generations — Doing consumer research: A resource guide. https://guides.loc.gov/consumer-research/market-segments/generations

McCrindle. (s.d.-a). Understanding Generation Alpha. https://mccrindle.com.au/article/topic/generation-alpha/generation-alpha-defined/

McCrindle. (s.d.-b). Welcome Gen Beta. https://mccrindle.com.au/article/generation-beta-defined/

Pew Research Center. (2015, setembro 3). The whys and hows of generations research. https://www.pewresearch.org/politics/2015/09/03/the-whys-and-hows-of-generations-research/

Portaria n.º 358/2024/1, de 30 de dezembro. (2024). Diário da República, 1.ª série. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/portaria/358-2024-901536090

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