Share the post "Gerações X, Y e Z: anos de nascimento e relação com dinheiro"
Nasceu em 1985? É millennial. Em 1999? Pertence à geração Z. As gerações X, Y e Z — e as que vieram antes e depois, agrupam quem nasceu no mesmo intervalo de anos e cresceu com os mesmos acontecimentos, da televisão a preto e branco ao telemóvel com inteligência artificial.
As etiquetas nasceram sobretudo nos EUA, entre a demografia e o marketing, e não são ciência exata: as fronteiras mudam de autor para autor. Ainda assim, ajudam a perceber porque é que avós, pais e filhos olham para o dinheiro e até para o choque de gerações no local de trabalho, de formas tão diferentes.
Os números portugueses confirmam o contraste. No barómetro Gerações em Movimento, do Grupo Ageas Portugal com a Ipsos Apeme, 55% dos reformados dizem não ter perdido poder de compra. Já entre os millennials, 70% contam perdê-lo quando chegar a sua vez.
Que gerações existem e em que anos nasceram
Além das gerações X, Y e Z, há mais quatro em uso corrente. Ao todo são sete: geração silenciosa (1928–1945), baby boomers (1946–1964), geração X (1965–1980), millennials ou geração Y (1981–1996), geração Z (1997–2012), geração Alfa (2010–2024) e geração Beta (2025–2039). Antes delas, a chamada Grande Geração reúne os nascidos antes de 1928.
| Geração | Anos de nascimento | Marcos em Portugal |
|---|---|---|
| Grande Geração | Antes de 1928 | Primeira República, início do Estado Novo |
| Silenciosa | 1928–1945 | Infância na Segunda Guerra Mundial, com Portugal neutral |
| Baby boomers | 1946–1964 | Guerra Colonial, 25 de Abril de 1974 |
| Geração X | 1965–1980 | Adesão à CEE em 1986, primeiros cartões Multibanco |
| Millennials (Y) | 1981–1996 | Chegada do euro, crise financeira e troika |
| Geração Z | 1997–2012 | Smartphone, pandemia, crise da habitação |
| Alfa | 2010–2024 | Tablets desde o berço, inteligência artificial |
| Beta | 2025–2039 | Inteligência artificial integrada no dia a dia |
Repare na sobreposição entre a geração Z e a Alfa. Não é gralha: as gerações até à Z seguem o Pew Research Center, nos EUA; a Alfa e a Beta foram batizadas pela consultora australiana McCrindle. As duas fontes não coincidem entre 2010 e 2012.
Há outra ressalva. Estas fronteiras foram desenhadas a pensar nos EUA, os baby boomers, por exemplo, correspondem ao pico de nascimentos norte-americano do pós-guerra. Em Portugal, os marcos que moldaram cada geração são outros: o 25 de Abril, a entrada na CEE, a chegada do euro.
Confirme o seu ano de nascimento na tabela antes de continuar: o que se segue ajuda a perceber os riscos financeiros típicos de cada fase da vida.
Silenciosa e baby boomers: poupar primeiro, gastar depois
Quem nasceu antes de 1965 conheceu o escudo e a caderneta do banco muito antes do Multibanco, lançado em setembro de 1985. Mas a poupança não começou tão cedo como se pensa: segundo o barómetro, os baby boomers só criaram hábitos de poupança, em média, por volta dos 39 anos.
Em 2026, a idade normal de acesso à pensão de velhice é de 66 anos e 9 meses. Grande parte dos baby boomers já lá chegou e o balanço é menos negro do que se pensa. Segundo o barómetro da Ageas e da Ipsos Apeme, 55% dos reformados dizem manter o poder de compra e 41% sentem que têm tudo o que precisam.
As preocupações mudaram de terreno. A saúde futura inquieta 49% dos baby boomers, contra apenas 16% que se preocupam com a saúde atual. Viajar é objetivo de vida para metade desta geração, e metade valoriza uma vida simples e pouco material. Mas o otimismo não passa para os filhos. Como se verá a seguir, as gerações mais novas esperam uma reforma bem diferente.
Geração X e millennials: casa própria, crises e a reforma à vista
A geração X chegou à idade adulta com a adesão à CEE, em 1986, e os fundos europeus. Segundo o barómetro, 82% têm casa própria. O ponto fraco está noutro lado: 88% só começam a pensar na reforma a partir dos 50 anos. Para quem está nessa situação, estas dicas para preparar a reforma aos 40 anos continuam a aplicar-se, com prazos mais curtos.
No barómetro, 43% da geração X valorizam uma vida simples e 42% querem viajar. As prioridades aproximam-se das dos pais, sinal de uma geração a preparar a fase seguinte.
Os millennials tiveram menos sorte no calendário. Muitos entraram no mercado de trabalho entre a crise financeira de 2008 e o programa de ajustamento de 2011 a 2014. Começam a preparar a reforma, em média, aos 32 anos, e 66% têm casa própria. Ainda assim, 70% esperam perder poder de compra quando se reformarem. Há mais sobre esta geração no guia da geração Y no mercado de trabalho.
Se pertence a um destes grupos, faça as contas. Poupar 100 euros por mês dos 35 aos 65 anos soma 36.000 euros, sem contar com juros. Começar aos 45 reduz o total para 24.000 euros.
Geração Z, Alfa e Beta: casa cara e dinheiro digital
A geração Z é a que começa mais cedo a pensar na reforma. Segundo o barómetro, 67% fazem-no antes dos 26 anos. Os objetivos financeiros são claros: ganhar mais (47%) e poupar mais (44%).
O grande obstáculo é a casa. Para 58% da geração Z, o preço da habitação é o maior desafio para o futuro, e só 13% acreditam conseguir investir em imobiliário a pensar na reforma. Os apoios existem, como a garantia do Estado no crédito à habitação jovem, mas não resolvem sozinhos o problema.
Atenção a um limite do estudo: o inquérito, com 1900 entrevistas feitas entre setembro e outubro de 2025, só ouviu pessoas a partir dos 25 anos. Os dados da geração Z refletem, por isso, apenas os mais velhos desta geração.
A geração Alfa tem hoje, no máximo, 16 anos e cresce rodeada de dinheiro invisível: pagamentos por telemóvel, compras dentro de jogos, subscrições. A geração Beta, nascida desde 2025, vai mais longe, segundo a McCrindle, muitos dos seus membros vão chegar ao século XXII. Mais anos de vida significam reformas mais longas para financiar.
Para os pais, a consequência prática é começar cedo. Uma poupança de 25 euros por mês desde o nascimento soma 5.400 euros aos 18 anos, antes de qualquer rendimento.
Que geração é a sua e o que fazer com isso
Na prática: o ano de nascimento diz pouco sobre quanto cada pessoa tem no banco, mas diz muito sobre o contexto em que aprendeu a lidar com dinheiro. Os boomers reformados dizem, em maioria, não ter perdido poder de compra. Os millennials começaram a carreira em crise e temem a reforma. A geração Z vê na casa o maior obstáculo.
Pertencer às gerações X, Y e Z ou a outra qualquer não decide o resultado. Identifique a sua geração na tabela e verifique hoje uma coisa: quanto põe de parte, por mês, para a reforma. Se a resposta for zero, estas dicas para poupar para a reforma são um bom ponto de partida.
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Dimock, M. (2019, janeiro 17). Defining generations: Where Millennials end and Generation Z begins. Pew Research Center. https://www.pewresearch.org/short-reads/2019/01/17/where-millennials-end-and-generation-z-begins/
Library of Congress. (s.d.). Generations — Doing consumer research: A resource guide. https://guides.loc.gov/consumer-research/market-segments/generations
McCrindle. (s.d.-a). Understanding Generation Alpha. https://mccrindle.com.au/article/topic/generation-alpha/generation-alpha-defined/
McCrindle. (s.d.-b). Welcome Gen Beta. https://mccrindle.com.au/article/generation-beta-defined/
Pew Research Center. (2015, setembro 3). The whys and hows of generations research. https://www.pewresearch.org/politics/2015/09/03/the-whys-and-hows-of-generations-research/
Portaria n.º 358/2024/1, de 30 de dezembro. (2024). Diário da República, 1.ª série. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/portaria/358-2024-901536090