Miguel Pinto
Miguel Pinto
26 Ago, 2026 - 13:00

Na Senda do Paivô: o trilho que atravessa a história mineira de Arouca

Miguel Pinto

Descubra como chegar a Regoufe, para um percurso de 3 km entre minas de volfrâmio e o rio Paivô, e uma praia fluvial muito relaxante.

vista de paivô

Entre a Serra da Arada e o vale esculpido pelo Rio Paivô, existe um percurso pedestre curto, acessível e carregado de histórias por contar. Chama-se PR13.

Na Senda do Paivô, integra a rede de trilhos do Arouca Geopark e liga a aldeia de Regoufe a Covelo de Paivô, cruzando ribeiras cristalinas, aldeias tradicionais e vestígios de uma exploração mineira que, há décadas, colocou esta região no mapa da Segunda Guerra Mundial.

Regoufe é o ponto de partida, uma pequena aldeia situada na Serra de Arada. Quem parte do Porto tem pela frente uma viagem de aproximadamente uma hora de carro, sendo as estradas nacionais EN225 e EN326 as vias de acesso mais diretas.

A partir da vila de Arouca, o trajeto até Regoufe faz-se por estradas de montanha, estreitas e sinuosas em alguns troços, pelo que convém conduzir com atenção redobrada, especialmente em dias de chuva ou nevoeiro.

Na Senda do Paivô: o que ver ao longo do caminho

Ao chegar à aldeia, o mais prático é estacionar junto à entrada, uma vez que as ruas interiores são bastante apertadas para a circulação automóvel. O percurso arranca precisamente ali, junto ao núcleo habitacional de Regoufe.

A ribeira de Regoufe e o vale mineiro

Os primeiros metros do trilho acompanham a Ribeira de Regoufe, uma linha de água que, ao longo dos séculos, esculpiu um vale profundo e verdejante.

É também nesta zona que se encontram os vestígios do complexo mineiro da Poça da Cadela, um dos polos de exploração de volfrâmio mais importantes do território arouquense.

A história por trás destas ruínas de granito é, por si só, motivo de visita. A licença de exploração das minas de Regoufe remonta a 1915, mas o auge da atividade extrativa ocorreu em 1941, sob gestão de uma companhia administrada por capitais britânicos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Regoufe tornou-se uma aldeia mineira de onde se extraíam e exportavam toneladas de volfrâmio destinadas ao fabrico de armamento, num complexo que ficou conhecido como “Poça da Cadela”.

Curiosamente, os motivos por trás do investimento britânico não eram apenas económicos.

A companhia inglesa explorava o volfrâmio menos pela necessidade direta da matéria-prima e mais para impedir que a Alemanha lhe tivesse acesso, numa disputa silenciosa que se travava longe das trincheiras europeias.

Hoje, o que resta são galerias abandonadas, escombreiras espalhadas pela encosta e um silêncio que só é quebrado pelo vento ou, ocasionalmente, por um rebanho a pastar.

trilho em paivô

O rio Paivô e a natureza envolvente

À medida que o trilho avança, a ribeira de Regoufe encontra o rio Paivô, também conhecido localmente como rio Covelo.

As águas são límpidas e frias, alimentadas por nascentes próximas na Serra da Arada, e acompanham boa parte do trajeto restante, oferecendo sombra, frescura e o som constante da corrente a correr sobre as pedras.

Esta secção é particularmente fotogénica: falésias graníticas, uma galeria ripícola bem preservada e recantos que convidam a paragens para descanso ou simplesmente para apreciar a paisagem.

Nos meses mais quentes, alguns pontos ao longo do rio permitem um mergulho refrescante, embora sem qualquer estrutura de apoio ou vigilância.

Vista da Aldeia de Drave
Veja também Drave: caminhada até à aldeia onde o tempo parou

Covelo de Paivô e a sua praia fluvial

O trilho termina em Covelo de Paivô, outra aldeia tradicional do Arouca Geopark, onde vale a pena reservar algum tempo antes de regressar.

É aqui que se encontra a zona fluvial de Covêlo de Paivó, um espaço natural sem areal nem vigilância, mas muito procurado por populações locais e visitantes.

Trata-se de um espaço sem vigilância e sem areal, frequentado pelas populações locais e por visitantes, ideal para um piquenique em família à sombra das árvores ou para um mergulho refrescante nas águas do rio Paivô.

Vale a pena ainda percorrer as ruas estreitas da aldeia, observar a arquitetura tradicional em xisto e granito e sentir o ritmo pausado de uma comunidade que ainda vive ligada à agricultura e à pastorícia.

antigas minas de regoufe

Dicas práticas para aproveitar o percurso

  • Calçado adequado: os troços em lajes de pedra, marcados pelo desgaste de antigos carros de bois, podem ficar escorregadios, sobretudo depois de chuva. Um calçado de caminhada com boa aderência faz toda a diferença.
  • Água e protetor solar: apesar de curto, o percurso atravessa zonas sem sombra direta em alguns troços; levar água suficiente é essencial, especialmente no verão.
  • Época balnear: para quem pretende terminar o passeio com um mergulho em Covelo de Paivô, os meses de verão são os mais indicados, tendo sempre em conta que se trata de uma zona sem nadador-salvador.
  • Sinalização: o PR13 está sinalizado com marcas amarelas e vermelhas, seguindo as normas da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, pelo que é fácil de seguir mesmo sem recurso a GPS.
  • Combinar com o PR14: quem quiser prolongar a experiência pode aproveitar que Regoufe é também o ponto de partida do PR14: A Aldeia Mágica, em direção a Drave, e transformar a visita numa jornada de dia inteiro.

Ficha técnica do percurso

  • Nome: PR13: Na Senda do Paivô
  • Localização: Regoufe, concelho de Arouca (Arouca Geopark)
  • Tipologia: Linear
  • Extensão: 3 km
  • Duração média: cerca de 3 horas
  • Dificuldade: Baixa
  • Altitude mínima/máxima: 350 m / 670 m
  • Ponto de partida e chegada: Regoufe (coordenadas 40.88490, -8.16338)
  • Época recomendada: todo o ano
Veja também