Portugal é um país atrativo para quem gosta de pedalar. Seja principiante ou ciclista experiente, há sempre um percurso à sua medida. E do ponto de vista infraestrutural, o país tem investido seriamente na mobilidade ciclável.
A Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa Ciclável (Portugal Ciclável 2030) prevê o reforço significativo das infraestruturas cicláveis em todo o território, e são cada vez mais os municípios que apostam em percursos seguros, sinalizados e integrados na paisagem local.
Portugal integra ainda a rede europeia EuroVelo, que inclui 14 rotas de longa distância e mais de 70 000 quilómetros em 42 países, o que significa que é possível cruzar Portugal como parte de uma aventura ainda maior.
Os 10 melhores trilhos para pedalar
Há percursos para todos os gostos, todos os níveis e todas as estações. O único requisito é mesmo esse: calçar o capacete e partir.
Rota Vicentina: do Alentejo ao Algarve

Extensão: 500 km (itinerário Touring Bike) | Dificuldade: Moderada a difícil | Tipo: Misto (estrada + terra batida)
Se há um percurso que melhor representa a alma selvagem de Portugal, é a Rota Vicentina. Percorrendo a costa sudoeste do país, atravessa praias desertas, falésias imponentes, aldeias onde o tempo parece ter parado e florestas que cheiram a resina e salgado.
O itinerário de bicicleta, chamado Touring Bike, liga os aeroportos de Lisboa e Faro ao longo de cerca de 500 quilómetros não sinalizados, navegados exclusivamente por GPS. É uma rota para quem gosta de aventura real, longe dos circuitos turísticos mais batidos.
A maior parte da Rota Vicentina integra também o EuroVelo 1 (Rota da Costa Atlântica), que parte de Sagres, o extremo sudoeste da Europa, e sobe até ao Cabo Norte, na Noruega. Começar em Sagres tem, por isso, qualquer coisa de épico.
Ecopista do Dão: ferrovia convertida

Extensão: 49,2 km | Dificuldade: Fácil | Tipo: Pista pavimentada, fechada ao trânsito
Onde outrora resfolegavam locomotivas a vapor, numa das primeiras linhas de via estreita do país, inaugurada em 1890, hoje pode-se pedalar entre vinhas, quintas e aldeias históricas.
A Ecopista do Dão liga Santa Comba Dão a Viseu e é, sem exagero, uma das rotas mais bonitas e acessíveis do país. A pista é pavimentada, plana e fechada ao trânsito motorizado, o que a torna perfeita para famílias com crianças, ciclistas menos experientes ou para quem simplesmente quer desfrutar da paisagem sem esforço extra.
Ao longo dos cerca de 50 quilómetros, o percurso ladeia os rios Dão e Mondego e é emoldurado pelas serras da Estrela e do Caramulo. As antigas estações ferroviárias integradas no traçado são pontos de paragem obrigatória.
Ecopista do Vouga: florestas e pontes históricas

Extensão: ~80 km | Dificuldade: Fácil a moderada | Tipo: Ecopista sobre antigo traçado ferroviário
Aberta na sua totalidade em outubro de 2023, a Ecopista do Vouga é uma das mais recentes grandes conquistas do cicloturismo nacional. Aproveita o traçado da antiga Linha do Vale do Vouga, também conhecida como “Vale das Voltas”, ligando Sernada do Vouga, no distrito de Aveiro, à cidade de Viseu.
O percurso destaca-se pela engenharia arrojada das obras de arte que foi necessário construir para vencer o relevo, com túneis, pontes e viadutos que hoje são, eles próprios, pontos de interesse. A Ponte de Negrelos e a travessia de Vouzela são dois momentos inesquecíveis ao longo do caminho.
Ecovia do Ro Lima: Minho em modo slow

Extensão: 70 km (5 troços) | Dificuldade: Fácil a moderada | Tipo: Misto
Percorrer as margens do Rio Lima de bicicleta é uma experiência que fica. A Ecovia do Rio Lima passa pelos concelhos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, dividindo-se em cinco troços distintos: o percurso das Veigas, dos Açudes, das Lagoas, da Laranja e do Ermelo.
Cada troço tem o seu carácter próprio, ora mais ribeirinho, ora mais montanhoso, sempre rodeado pela beleza verde característica do Alto Minho. A visita às vilas históricas de Ponte de Lima e de Ponte da Barca é um bónus cultural que nenhum ciclista deve dispensar.
Ecopista do Minho: na fronteira com Espanha

Extensão: 15 a 22 km | Dificuldade: Fácil | Tipo: Ecopista sobre antigo traçado ferroviário
O ramal ferroviário que outrora ligava Valença a Monção foi desativado e deu lugar a uma das ecopistas mais agradáveis do norte de Portugal.
O percurso acompanha o Rio Minho, a fronteira natural com a Galiza, por entre vinhedos, campos de cultivo e um património edificado que conta séculos de história.
Os miradouros ao longo do caminho oferecem vistas privilegiadas sobre o rio e as veigas (planícies aluviais) da margem galega. No verão, as praias fluviais que se encontram pelo caminho são um convite irrecusável a uma paragem refrescante.
Ciclovia do Guincho: mar, arriba e vento de frente

Extensão: 9 km | Dificuldade: Fácil | Tipo: Ciclovia urbana/costeira
É curta, mas é das mais bonitas do país. A Ciclovia do Guincho começa na Marina de Cascais e termina na Praia do Guincho, percorrendo quase todo o trajeto em paralelo ao oceano Atlântico.
Do lado esquerdo, o mar, a praia e as arribas rochosas. Do lado direito, o Parque Natural Sintra-Cascais. O percurso está marcado a vermelho no pavimento, passando junto aos faróis de Santa Marta, da Guia e do Cabo Raso.
É um dos melhores exemplos de como uma ciclovia bem pensada pode transformar uma viagem de bicicleta numa experiência verdadeiramente memorável. Aviso honesto: o vento de sudoeste, às vezes muito forte, pode tornar o regresso um autêntico treino de resistência.
Ciclovia da Estrada Atlântica: a maior do país

Extensão: 62 km | Dificuldade: Fácil | Tipo: Ciclovia multimodal
A maior infraestrutura ciclável de Portugal atravessa quatro concelhos do distrito de Leiria (Marinha Grande, Alcobaça, Pombal e Nazaré) e oferece 62 quilómetros de percurso confortável e seguro, adequado também a patins, skates e trotinetas.
Ao longo do caminho, os ciclistas atravessam matas de pinheiros e sentem a maresia atlântica que acompanha todo o percurso. É uma rota ideal para um dia longo de verão, com paragens nas aldeias e vilas da região.
Caminho Português da Costa: a peregrinação

Extensão: 278 km | Dificuldade: Moderada | Tipo: Misto (ciclovias + estradas)
O Caminho Português da Costa é a alternativa mais tranquila ao Caminho Central Português para quem quer chegar a Santiago de Compostela de bicicleta.
Parte do Porto e serpenteia ao longo de vilas e aldeias piscatórias do norte de Portugal até atravessar a fronteira para a Galiza.
Grande parte do traçado costeiro, a norte do Porto, já é servida por ciclovias. O percurso integra também o EuroVelo 1, e tem o raro privilégio de combinar peregrinação espiritual, gastronomia costeira e paisagens de litoral de rara beleza.
Grande Rota do Vale do Côa

Extensão: 222 km | Dificuldade: Difícil | Tipo: BTT (terra batida e asfalto)
Para quem procura aventura a sério, a Grande Rota do Vale do Côa [GR45] é um desafio à altura. Liga a nascente à foz do Rio Côa, atravessando cinco concelhos do interior (Sabugal, Almeida, Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa) num percurso de 222 quilómetros que pode ser feito nos dois sentidos.
O percurso atravessa o Parque Arqueológico do Vale do Côa (Património Mundial da UNESCO), a Reserva da Faia Brava, o Castelo do Sabugal e a Reserva Natural da Serra da Malcata. Uma combinação extraordinária de natureza, história e silêncio.
Requer bicicleta de montanha robusta e boa condição física. Não é para iniciantes, mas a recompensa está à altura do esforço.
Ecovia do Litoral Algarvio

Extensão: 214 km | Dificuldade: Fácil a moderada | Tipo: Misto (ciclovias + estradas rurais)
Do Cabo de São Vicente, em Sagres, até Vila Real de Santo António, na fronteira com Espanha, a Ecovia do Litoral Algarvio percorre doze concelhos do litoral algarvio ao longo de 214 quilómetros.
O trajeto combina ciclovias já existentes com estradas rurais e caminhos paralelos à EN125.
A ecovia integra o EuroVelo 1 e é parte da chamada Rota da Costa Atlântica, o que lhe confere uma dimensão europeia que vai muito além das fronteiras portuguesas. É, de longe, a forma mais bonita de conhecer o Algarve, longe do trânsito, perto do mar.
Dicas essenciais antes de partir
Antes de calçar o capacete e partir à aventura, há alguns pontos que fazem toda a diferença:
- Verifique a bicicleta antes de qualquer saída longa: travões, mudanças, pressão dos pneus e lubrificação da corrente;
- Equipe-se bem. Capacete é obrigatório. Leve também luvas, óculos de proteção, garrafa de água e snacks energéticos;
- Consulte as previsões meteorológicas. O clima em Portugal pode mudar com rapidez, especialmente no interior e nas serras;
- Estude o percurso com antecedência. Avalie o desnível, a extensão total e os pontos de apoio (restaurantes, fontes, alojamento);
- Reserve alojamento com antecedência, especialmente em época alta. Muitos percursos têm alojamentos especializados em ciclistas, com garagem para bicicletas e serviços de apoio;
- Use aplicações de GPS como o Wikiloc ou o Komoot. Muitos percursos têm ficheiros GPX disponíveis para download gratuito;
- Respeite a natureza e as populações locais. Peça permissão antes de atravessar terrenos privados, não deixe lixo e respeite a sinalização dos percursos.