Share the post "Ao volante do BYD ATTO 2 DM-i Boost: um híbrido plug-in que quer fazer quase tudo"
O BYD ATTO 2 DM-i Boost chega a um segmento onde já não basta escolher entre gasolina e eletricidade. A questão passou a ser quanto tempo queremos andar em modo elétrico, quanta autonomia precisamos quando a bateria acaba e, sobretudo, até que ponto um SUV compacto consegue juntar estas duas realidades sem transformar a vida quotidiana numa folha de cálculo.
No caso do ATTO 2 DM-i Boost, a resposta passa por uma bateria Blade Battery de 18 kWh, um motor elétrico de 197 cv e um motor a gasolina 1.5 de quatro cilindros com 98 cv. O resultado é uma potência máxima combinada de 212 cv e 300 Nm de binário, com tração dianteira e transmissão automática. Não é propriamente uma combinação tímida.
A BYD anuncia 90 quilómetros de autonomia elétrica em ciclo combinado WLTP e até 150 quilómetros em utilização urbana. Quando se considera a utilização conjunta dos sistemas elétrico e térmico, a autonomia homologada chega aos 1000 quilómetros.
BYD ATTO 2: 212 cv num SUV compacto

Com 4330 mm de comprimento, 1830 mm de largura e 1675 mm de altura, o BYD ATTO 2 mantém dimensões relativamente contidas para um SUV desta natureza. A distância entre eixos é de 2620 mm, enquanto a distância ao solo chega aos 160 mm sem carga.
Por outras palavras, não estamos perante um daqueles SUV que parecem ter sido desenhados para conquistar uma pedreira ao fim de semana.
É um modelo compacto, com uma carroçaria pensada para caber na utilização quotidiana, mas com uma posição e uma configuração que procuram oferecer a versatilidade esperada deste tipo de automóvel.
E há um dado particularmente interessante, os 212 cv. O sistema híbrido combina um motor elétrico síncrono de ímanes permanentes, instalado no eixo dianteiro, com 145 kW, equivalentes a 197 cv, e 300 Nm. O motor de combustão é um 1.5 de quatro cilindros, com 72 kW, ou 98 cv, e 122 Nm.
A aceleração dos 0 aos 100 km/h é anunciada em 7,5 segundos e a velocidade máxima é de 180 km/h. Não será certamente necessário explicar que estes números colocam o ATTO 2 DM-i Boost num patamar de desempenho interessante dentro da sua categoria.
Afinal, 7,5 segundos continua a ser uma marca respeitável para um SUV compacto destinado, acima de tudo, a uma utilização polivalente.
Bateria de 18 kWh é a peça central do BYD ATTO
A tecnologia DM-i ganha particular relevância quando olhamos para a bateria. O ATTO 2 Boost utiliza uma BYD Blade Battery com tecnologia LFP e capacidade de 18 kWh.
A autonomia elétrica homologada é de 90 km em ciclo combinado WLTP, enquanto no ciclo urbano sobe para 150 km. Como sempre, estes valores devem ser encarados como referências de homologação e não como uma promessa para todas as situações.
Temperatura, trânsito, carga transportada, utilização da climatização e estilo de condução podem alterar significativamente a autonomia real. No teste que efetuamos, os valores andaram relativamente perto dos 90 quilómetros homologados.

Carregar em três horas
O BYD ATTO 2 DM-i Boost dispõe de um carregador de bordo de 6,6 kW e utiliza uma porta Type 2 para carregamento em corrente alternada.
Segundo os dados oficiais, uma carga entre 15% e 100% numa ligação monofásica de 6,6 kW demora cerca de três horas.
É um valor que permite enquadrar o modelo numa utilização doméstica relativamente simples, sobretudo quando existe possibilidade de carregar durante a noite.
A versão inclui ainda a função Vehicle-to-Load, ou V2L, que permite utilizar a energia da bateria para alimentar equipamentos externos através de um cabo dedicado.
A disponibilidade desse cabo pode variar de acordo com a versão e as condições de comercialização, pelo que a informação deverá ser confirmada junto do concessionário.
Consumos: atenção à letra pequena
No capítulo dos consumos, a ficha técnica apresenta 5,1 l/100 km para o ciclo combinado e 1,8 l/100 km para o consumo ponderado combinado.
Este último valor é particularmente baixo, mas há uma razão para isso. Os consumos homologados de um híbrido plug-in dependem fortemente da metodologia WLTP e do contributo da condução elétrica.
É, portanto, um número que não deve ser lido como se significasse que o ATTO 2 DM-i irá consumir 1,8 litros de gasolina a cada 100 quilómetros em qualquer utilização. E calro que não o fez no nosso ensaio.
O próprio fabricante alerta para a influência de fatores como a meteorologia, o trânsito, a carga do veículo, a utilização de equipamentos de conforto e o comportamento ao volante.
É uma ressalva importante, sobretudo num híbrido plug-in, onde a frequência de carregamento pode alterar profundamente o resultado obtido.
Quando a bateria é utilizada de forma regular, a arquitetura híbrida pode tirar partido da condução elétrica nas deslocações mais curtas. Sem carregamentos frequentes, naturalmente, a história será outra.
BYD ATTO 2: um interior muito bem equipado

É no equipamento que o ATTO 2 DM-i Boost mostra uma das suas cartas mais fortes.
O painel de instrumentos digital tem 8,8 polegadas e o sistema de infoentretenimento recorre a um ecrã tátil de 12,8 polegadas.
A integração do Google inclui navegação através do Google Maps e controlo por voz com inteligência artificial, existindo ainda conectividade 4G a bordo e serviço Cloud através da aplicação BYD.
Apple CarPlay e Android Auto fazem parte do equipamento, assim como quatro portas USB Type-C, uma das quais com capacidade de carregamento até 60 W.
Para o smartphone existe também um carregador sem fios de 50 W, embora a potência efetivamente disponibilizada dependa do equipamento utilizado.
Há ainda um sistema de som com seis colunas e rádio DAB+ e FM.
Mas o equipamento não fica pela tecnologia. O volante tem revestimento vegan e aquecimento, os bancos utilizam igualmente revestimento vegan e tanto o condutor como o passageiro dianteiro beneficiam de aquecimento.
O banco do condutor tem regulação elétrica em seis direções, enquanto o do passageiro dispõe de regulação manual nas mesmas seis direções.
O teto panorâmico com cortina de acionamento elétrico também integra a dotação de série da versão Boost, tal como as jantes de liga leve de 17 polegadas, os faróis LED automáticos, os máximos inteligentes e os retrovisores exteriores aquecidos, elétricos e rebatíveis.
Não é uma lista curta.
BYD ATTO 2: 425 litros para a bagagem
A vertente prática também não foi esquecida. A bagageira oferece 425 litros de capacidade, valor que pode crescer para 1335 litros com os bancos traseiros rebatidos.
Os bancos traseiros têm configuração 40:60, permitindo adaptar o espaço disponível às necessidades de transporte.
Com uma tara de 1695 kg e um peso bruto de 2110 kg, o ATTO 2 DM-i Boost não é propriamente um peso-pluma, algo que não surpreende tendo em conta a presença da bateria e de todo o sistema híbrido.
Segurança sem falta de assistentes
Também aqui a BYD carregou no botão do equipamento.
O ATTO 2 DM-i Boost inclui sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, visão panorâmica de 360 graus e sistema de monitorização do condutor.
Entre os sistemas de assistência encontram-se ainda o cruise control adaptativo e inteligente, o reconhecimento de sinais de trânsito, a deteção do ângulo morto e o aviso de abertura de portas.
A lista continua com o assistente de saída de faixa, o assistente de emergência à manutenção na faixa, a travagem automática de emergência, o alerta de colisão dianteira e traseira e o alerta de tráfego cruzado traseiro com função de travagem.
Inclui ainda igualmente seis airbags, contando com airbags frontais, laterais dianteiros e de cortina, além de ISOFIX e i-Size no banco dianteiro do passageiro e nos lugares laterais traseiros.
Um SUV híbrido plug-in para quem não quer escolher

No fundo, é esta a proposta do BYD ATTO 2 DM-i Boost.
Não obriga o utilizador a viver exclusivamente com a autonomia de um elétrico, mas também não o condena a depender permanentemente do motor a gasolina.
É uma receita racional. Talvez até demasiado racional para um mercado automóvel que gosta de vender emoções com nomes em inglês. Mas há mérito nessa abordagem.
O ATTO 2 DM-i Boost parece querer ser, antes de tudo, um carro fácil de encaixar na vida real, suficientemente compacto para o quotidiano, suficientemente potente para não passar despercebido e suficientemente eletrificado para permitir uma utilização diária com uma forte componente elétrica.
E, no final, talvez seja essa a grande questão dos híbridos plug-in atuais, não saber apenas quanto gastam ou quantos quilómetros fazem.
É saber se a tecnologia consegue adaptar-se à rotina de quem está ao volante. No ATTO 2 DM-i Boost, pelo menos pelas características técnicas, a resposta parece apontar nessa direção.