Miguel Pinto
Miguel Pinto
25 Set, 2026 - 14:00

Quanto custa carregar um carro elétrico? Há um simulador que faz as contas por si

Miguel Pinto

A pensar trocar para um carro elétrico? Com este simulador já pode saber quanto é que vai gastar nos carregamentos. Saiba como funciona.

autonomia dos carros elétricos

O preço da eletricidade, o tipo de carregador e o local onde se carrega o veículo têm um peso decisivo no orçamento de quem troca um motor a combustão por um carro elétrico.

Durante anos, perceber esse impacto exigia folhas de cálculo caseiras e comparações manuais entre operadores. Isso mudou com o lançamento de uma ferramenta pública, gratuita e pensada precisamente para responder a essa dúvida.

É que a ADENE – Agência para a Energia lançou o Simulador de Mobilidade Elétrica, integrado no portal Poupa Energia. A ferramenta surge num momento particularmente oportuno em que o parque nacional de veículos elétricos cresceu 37,7% em 2025 e já corresponde a 9% do total de automóveis em Portugal.

Este crescimento traduziu-se numa procura crescente por informação clara sobre custos de carregamento, algo que até agora exigia comparações manuais e pouco intuitivas entre operadores.

Como funciona o simulador da ADENE

O processo divide-se em três etapas simples, pensadas para refletir os hábitos reais de cada condutor em vez de recorrer a médias genéricas:

  • Perfil de utilização – escolha entre três tipos de mobilidade (Urbano, Rural ou Longa Distância), com indicação da autonomia da bateria e do consumo do veículo.
  • Perfil de carregamento – indicação sobre se o carregamento é feito em casa, qual a potência do carregador doméstico, e a distribuição dos carregamentos realizados fora de casa por tipo de posto público.
  • Adesão – apresentação dos resultados e acesso direto aos canais dos prestadores de serviço cujas condições melhor se ajustam ao perfil identificado.

Esta segmentação permite que a ferramenta calcule custos aproximados de forma personalizada, considerando o consumo real de cada veículo em vez de recorrer a valores médios de mercado. Trata-se também de uma ferramenta totalmente gratuita, sem qualquer compromisso e sem fins publicitários.

O lançamento acontece ainda num contexto de atualização regulatória, com a ERSE decidiu atualizar a tarifa de energia em mais cinco euros por MWh, alteração que entra em vigor a 1 de outubro.

Quanto custa mesmo carregar em casa

Wallbox

Carregar em casa continua a ser, de forma consistente, a opção mais económica. O cálculo é relativamente simples: multiplica-se a energia consumida (em kWh) pelo preço contratado do kWh.

Considerando um preço médio da eletricidade doméstica em torno dos 0,20 a 0,21 €/kWh e um consumo médio de 15 a 16 kWh por cada 100 km, o custo aproximado de percorrer 100 km ronda os 3 euros.

Se o contrato incluir uma tarifa bi-horária, com carregamento nas horas de vazio (por volta das 0,08 a 0,13 €/kWh), esse valor pode descer para menos de metade, tornando o carregamento noturno uma das formas mais eficazes de reduzir a fatura mensal.

Quanto custa carregar num posto público

Fora de casa, o cálculo muda de figura. O valor final deixa de depender apenas do preço da energia e passa a somar a parcela de utilização do posto, taxas de acesso à rede e impostos.

Em postos de carregamento normal (AC), os preços tendem a aproximar-se dos valores domésticos mais elevados; já nos postos rápidos ou ultrarrápidos (DC), os valores costumam situar-se entre 0,30 €/kWh e 0,50 €/kWh, podendo ser ainda mais elevados consoante o operador e a localização.

Esta diferença entre carregar em casa ou na rua é, aliás, o fator que mais pesa nos resultados do próprio simulador.

Uma análise feita ao instrumento da ADENE, centrada na cidade de Lisboa, concluiu que as maiores poupanças ficam reservadas a quem consegue carregar a viatura em casa, com os custos a caírem para cerca de um quarto quando existe tomada própria em vez de recorrer a carregadores públicos.

Num dos cenários analisados, referente a um condutor de zona rural com utilização regular do veículo, os custos associados ao veículo elétrico chegaram a ser quatro vezes superiores quando não havia possibilidade de carregar a partir de casa.

Os casos em que o carro elétrico perde

importar carros elétricos

Um dos aspetos mais honestos deste tipo de simulação é reconhecer que a troca para um carro elétrico nem sempre traz poupança. A mesma análise ao simulador identificou uma exceção clara.

Num cenário de longas distâncias sem possibilidade de carregamento doméstico, um veículo a combustível revelou-se a opção mais económica.

Este tipo de resultado é particularmente relevante para quem vive em cidades de média dimensão com pouca cobertura de postos públicos ou para quem percorre anualmente distâncias muito acima da média.

Vale ainda a pena ter em conta outros fatores que os simuladores tendem a simplificar. Falamos das perdas de energia durante o carregamento (que variam normalmente entre 10% e 15%, podendo em certas condições aproximar-se dos 25-30%), o custo de aquisição do próprio veículo e o valor do termo de potência já incluído na fatura de eletricidade doméstica.

Estes pormenores não invalidam a utilidade da ferramenta, mas ajudam a interpretar os resultados com mais espírito crítico.

Como tirar o máximo partido do simulador?

  • Indicar o perfil de utilização mais próximo dos hábitos reais, mesmo quando nenhuma das opções disponíveis é perfeita;
  • Confirmar o preço do kWh praticado no próprio contrato de eletricidade, em vez de assumir apenas a média nacional;
  • Considerar o peso da rede pública no dia a dia, sobretudo em zonas com poucos pontos de carregamento próximos de casa ou do trabalho;
  • Repetir a simulação periodicamente, já que as tarifas de carregamento e as regras de acesso à rede são atualizadas com regularidade.
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