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Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
16 Nov, 2020 - 15:29

COVID-19 tem agravado problemas de ansiedade na população

Mónica Carvalho

Instabilidade, incertezas, dúvidas e até receio são sentimentos provocados pela COVID-19 que pode elevar a ansiedade para níveis extremos. Como evitar?

covid-19 e ansiedade

Ter alguma ansiedade é natural, demasiada é um problema. A afirmação é da Ordem dos Psicólogos que destaca a COVID-19 como um dos principais fatores para o aumento dos casos de ansiedade que se tem vindo a verificar. Estima-se que, atualmente 1 em cada 6 portugueses sofra com esta problemática.

Quando é demasiado intensa, frequente e interfere com o dia-a-dia, a ansiedade torna-se num problema de Saúde Psicológica e Mental que causa mal-estar e tem consequências negativas nas diversas áreas da vida do indivíduo.

Como é sentir ansiedade?

homem ansiedade

A ansiedade reflete-se em cada pessoa de três formas distintas: corpo, pensamentos e comportamentos.

  • Corpo: o coração começa a bater mais rapidamente, ocorrer falta de ar, tonturas, dores de barriga, tensão muscular e dores de cabeça;  
  • Pensamentos: a pessoa está constantemente preocupada com o presente e com o futuro; com a possibilidade de falhar ou desiludir os outros; ocorrem pensamentos negativos; e não consegue pensar noutras coisas;
  • Comportamentos: di­ficuldade em dormir, em relaxar, em concentrar-se; evitam-se os encontros, pessoas ou locais ou situações difíceis; e ocorre sensação de irritabilidade.  

Como gerir a ansiedade?

A Ordem dos Psicólogos deixa alguns conselhos:

  • Falar com alguém em quem con­fia;
  • Focar-se em ações que consegue controlar;
  • Realizar atividades físicas que lhe deem prazer;
  • Distrair-se com hobbies de que gosta, como desenhar, pintar, cozinhar ou ver uma série;
  • Escreva: colocar todos os pensamentos e sentimentos no papel;
  • Pedir ajuda de um profissional sempre que sentir que a situação está descontrolada.

COVID-19: como lidar com a ansiedade provocada pela pandemia

Perante o cenário de pandemia COVID-19 que vivemos e a necessidade de cumprir com todas as regras que nos foram impostas, são mais frequentes os sentimentos de ansiedade que acabam por ter consequências nefastas na vida pessoal e profissional de cada um.

A Ordem dos Psicólogos refere três passos para ajudar a controlar os níveis de ansiedade e a sentir-se mais calmo, tranquilo e no controlo da situação: aceitar, conhecer e enfrentar. Saiba o que fazer em cada uma destas etapas.

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Aceitar

A ansiedade também tem uma parte boa e útil que é deixar-nos mais alertas e, nos tempos que correm, isso permite que sejam adotados comportamentos pró-sociais e pró-saúde fundamentais para nos manter em segurança e saudáveis.

Como tal, devemos aceitar que sentir ansiedade não é sinónimo de fraqueza ou inferioridade, pois qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, pode se sentir ansioso. Deve ter em mente que é, contudo, uma situação temporária e que tudo irá melhorar.

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Conhecer

A ansiedade tem efeitos no nosso corpo, que se manifestam física e psicologicamente, como já referimos, mas pode também afetar a nossa relação com os outros.

Como tal, conhecer bem o nosso corpo e interpretar os sinais que ele nos dá é fundamental para percebermos o que está a acontecer. Até porque é muito fácil deixarmo-nos levar pela avalanche de informação que recebemos a toda a hora, pelos números da pandemia, pelas regras novas constantes, pela necessidade de confinamento, pelo distanciamento social… São tantos os motivos relacionados com a COVID-19 que podem levar ao aparecimento de ansiedade.

Estar bem informado, saber em que fontes acreditar, respeitando as indicações das autoridades de saúde são questões fundamentais.

A Ordem dos Psicólogos recomenda ainda fazer uma lista com os seus receios e preocupações, identificando as situações que causam ansiedade e o grau de ansiedade com que as vivencia. Um exercício que até pode ser feito em família e, assim, ajudar também as crianças a enfrentar melhor esta situação.

3

Enfrentar

Depois de perceber o que está a acontecer consigo e por que motivos, então, há formas de enfrentar diferentes cenários:

  • Concentre-se no aqui e agora, nas atividades que está a fazer;
  • Identifique os pensamentos que o estão a perturbar e pergunte-se sobre a probabilidade de isso acontecer;
  • Gaste energia apenas naquilo que pode controlar;
  • Mantenha-se informado e atualizado, mas use apenas fontes oficiais de informação;
  • Fale com amigos e familiares, partilhe com alguém o que está a sentir e como está a viver esta situação;
  • Confie nas suas capacidades para lidar com situações difíceis – tal como seguramente já fez noutros momentos;
  • Faça o que mais gosta de fazer e lhe dá prazer, seja desporto, cozinhar, ler, caminhar, escrever, arrumar;
  • Em período de confinamento, ocupe o tempo a fazer coisas para as quais antes não tinha tempo;
  • No final do dia pense nas coisas boas e positivas que viveu e dê-lhes o devido valor;
  • Crie um espaço e um momento diário de relaxamento, seja tomar um banho, ouvir música, meditar, desenhar;
  • Projete-se no futuro de forma positiva, pensando em como se irá sentir quando a pandemia terminar e valorize a sua capacidade de adaptação num período tão difícil. Encare esta experiência como uma oportunidade de crescimento individual e enquanto família.

Se os sentimentos de ansiedade e inquietação forem excessivos e persistentes, se se sentir completamente sobrecarregado e desgastado pelos mesmos, se forem sintomas persistentes ou que o impeçam de viver e de fazer a sua rotina diária, então, não tenha vergonha e peça ajuda de um psicólogo.

Fontes

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