Miguel Pinto
Miguel Pinto
07 Jul, 2026 - 11:00

Festival D’Onor 2026: a aldeia sem fronteiras une Portugal e Espanha

Miguel Pinto

Entre os dias 17 e 19 de julho, Rio de Onor e Rihonor de Castilla tornam-se, uma vez mais, num só palco. É a 8ª edição do Festival D’Onor.

festival d'Onor

Há festivais que se limitam a acontecer num lugar. O Festival D’Onor é diferente e acontece entre lugares. Entre Rio de Onor, no concelho de Bragança, e Rihonor de Castilla, já em território espanhol, esta pequena aldeia raiana, dividida por uma linha de fronteira que, no terreno, quase ninguém consegue apontar, volta a ser, durante três dias de julho, o centro cultural de todo o nordeste transmontano.

A edição de 2026 decorre nos dias 17, 18 e 19 de julho e é já a 8.ª edição de um festival que nasceu, em 2017, com um propósito de preservar e celebrar a identidade etnográfica de uma comunidade que vive, literalmente, a cavalo entre dois países.

Organizado pela associação Montes de Festa, o Festival D’Onor cresceu a cada edição sem nunca perder aquilo que o torna especial: o envolvimento direto da população local.

Rio de Onor conta, durante o ano, com cerca de 30 habitantes. Durante o festival, porém, a aldeia enche-se de vida, memória e visitantes vindos de todo o lado. Prova disso são os números da edição anterior, com cerca de oito mil visitantes ao longo dos três dias, seis mil dos quais apenas no sábado, dia da tradicional Ronda das Adegas.

Para este ano, a organização reserva o maior investimento de sempre no evento, na ordem dos 30 mil euros, e já regista reservas no parque de campismo vindas de cidades como Madrid, Porto, Zamora e Sanabria.

Festival d’Onor: dois países, três palcos

vista de rio de onor

O mote da edição deste ano resume tudo: “Um festival, dois países, três palcos”. Pela primeira vez, o festival instala um palco do lado espanhol da aldeia, em Rihonor de Castilla, juntando-se aos dois palcos já habituais em Rio de Onor.

A intenção é reforçar ainda mais o carácter transfronteiriço do evento e envolver de forma mais ativa a comunidade espanhola.

Também a emblemática Ronda Cultural e das Adegas, um dos momentos mais aguardados do fim de semana, passa a encerrar com um concerto do lado espanhol, simbolizando essa cooperação entre as duas margens da aldeia.

Outra novidade fica a cargo da abertura do festival: no dia 17, pelas 18h00, o D’Onor arranca com um sunset, aproveitando a paisagem que rodeia a aldeia, integrada em pleno Parque Natural de Montesinho.

Música, gastronomia e tradição

A programação musical de 2026 combina raízes e contemporaneidade, com nomes como Edmundo Inácio, Kumpania Algazarra e DJ Omiri entre os destaques do cartaz, ao lado de sets que cruzam gaitas-de-foles, concertos intimistas e propostas mais eletrónicas.

Mas há mais atrativos para rumar à aldeia.

  • A Ronda Cultural e das Adegas, ao sábado, em que os próprios habitantes abrem as portas das suas adegas a quem visita, oferecendo vinho e conversa numa experiência que percorre mais de vinte adegas nas duas aldeias.
  • O Mercadinho Tradicional, com cerca de 30 expositores de produtos endógenos, artesanato e gastronomia local, instalado nas ruas da aldeia.
  • As tasquinhas e a Casa do Povo, para quem procura petiscos ou uma refeição completa, sempre com mesas comunitárias que convidam à partilha.
  • Atividades para toda a família, junto ao Antigo Ponte de Rio de Onor e à antiga escola primária da aldeia.

A entrada é, como sempre, totalmente gratuita.

eclipse solar total
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Um destino para dormir sob as estrelas

Quem quiser prolongar a experiência pode ficar no Parque de Campismo Municipal de Rio de Onor, disponível gratuitamente durante o festival, mediante reserva prévia.

É já uma opção popular entre quem viaja de mais longe, com pedidos a chegar de cidades espanholas e portuguesas bem distantes da aldeia.

O festival tem ainda vindo a reforçar o compromisso ambiental, em parceria com a Resíduos do Nordeste, através de medidas de sustentabilidade pensadas para um evento que decorre em pleno território protegido.

A verdade é que para além do festival, Rio de Onor é, por direito próprio, um destino a descobrir.

Eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias, esta aldeia comunitária é um raro exemplo de organização social e territorial partilhada entre dois países, com uma paisagem em que o rio, a floresta e a arquitetura tradicional se conjugam num cenário quase intocado.

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