Nélson Costa
Nélson Costa
28 Fev, 2024 - 11:06

Quanto devemos ter de fundo de emergência?

Nélson Costa

Ter um fundo de emergência é estar preparado para um imprevisto financeiro. Mas quanto dinheiro deve ter este pé-de-meia e onde guardá-lo?

Ter um fundo de emergência é uma das principais recomendações dos especialistas em finanças pessoais para fazer face a qualquer vicissitude da vida que tenha impacto direto no orçamento familiar.

Perda de emprego, redução abrupta de rendimentos, despesas inesperadas, como mudar de casa ou carro e uma doença são alguns dos imprevistos que podem acontecer na vida de qualquer pessoa. Ter um fundo de emergência ajuda a minimizar o impacto destas circunstâncias extraordinárias.

Assim, a importância de ter esta reserva financeira é reconhecida, mas será que sabe como constituir este fundo e qual o valor que lá deve ter?

Na realidade, o valor que devemos ter de fundo de emergência não é taxativo nem uniforme, depende de vários fatores. Existem, contudo, valores e taxas referenciais que podemos e devemos seguir. Saiba, então, todos os detalhes.

Quanto dinheiro deve ter no seu fundo de emergência?

O fundo de emergência é uma quantia de dinheiro que é colocada de parte (aplicada), com vista a proteger-nos de um qualquer imprevisto com impacto financeiro.

Mais do que um investimento, consiste numa espécie de seguro para evitar endividamentos e conseguir enfrentar uma quebra de rendimentos ou gastos avultados imprevistos (que, na realidade, são inevitáveis porque todos passamos por situações dessas ao longo da vida).

O ideal? O equivalente a 6 meses de despesas

O valor que devemos ter no fundo de emergência é variável de pessoa para pessoa, mas para o criar devemos ter em consideração aspetos como: idade, estabilidade profissional e familiar, rendimentos mensais fixos e variáveis, custos fixos mensais incontornáveis (como prestações de créditos, rendas, alimentação, despesas domésticas, entre outras).

No entanto, a maioria dos especialistas em finanças pessoais definem a necessidade de criar um fundo de emergência com base no valor do salário ou das despesas mensais (consumo mensal, que é o parâmetro mais consensual e mais usado), classificando os fundos, idealmente, num intervalo de três a 12 meses.

Ou seja, deverá ter no fundo de emergência, pelo menos, o correspondente a três salários ou o total de três meses de despesas fixas; ou o correspondente a seis salários ou o total de seis meses de despesas fixas (melhor); ou o correspondente a 12 salários ou o total de 12 meses de despesas fixas (o melhor).

Por exemplo, se tiver 800€ de gastos mensais totais, deverá ter um fundo de emergência de 2400€ (três meses), 4800€ (seis meses), ou 9600€ (12 meses). Este é o intervalo considerado de referência para resolver ou adaptar-se às situações imprevistas. Mais de 12 já pode ser aplicado de uma forma mais rentável.

Onde guardar o fundo de emergência?

O dinheiro canalizado para o fundo de emergência não deve estar na sua conta à ordem, para não cair na tentação de o gastar.

Deve optar por produtos com pouco ou nenhum risco, isto é, que sejam de fácil acesso e sem penalizações de remuneração, de reembolso antecipado (poder mexer no dinheiro quando surge a emergência) ou liquidez. Opte, por isso, por ter esta almofada financeira numa conta-poupança, uma vez que o objetivo deste fundo não é gerar dinheiro, mas sim estar imediatamente disponível para fazer face a uma necessidade.

Casal a colocar moeda num mealheiro
Veja também Poupar sim, mas de forma sustentada (e bem informada)

Artigo originalmente publicado em julho de 2019. Última atualização em fevereiro de 2024.

Veja também

Artigos Relacionados