Paula Landeiro
Paula Landeiro
03 Dez, 2021 - 18:37

Como rentabilizar poupanças? 4 sugestões

Paula Landeiro

Aprender a rentabilizar poupanças significa ver o seu dinheiro crescer e evitar a perda de poder de compra com o aumento da inflação. Por isso, estas sugestões interessam-lhe.

Rentabilizar poupanças

Aprender a rentabilizar poupanças é uma questão à qual deve dar especial atenção, já que poupar significa estar preparado para um qualquer imprevisto financeiro no futuro. Porém, poupar por poupar pode ser um comportamento contraproducente. Se o dinheiro é fruto do seu trabalho, poupar também implica pôr o dinheiro a trabalhar para si.

A importância de rentabilizar as poupanças

Podemos poupar tendo em vista várias metas, mas a finalidade é sempre a mesma: ter um pé-de-meia para poder gastar no futuro.

A primeira coisa a fazer, contudo, é criar um fundo de emergência, que deve ter idealmente o valor correspondente a 6 ou 12 meses das suas despesas mensais. Isto para fazer face a um eventual imprevisto, como por exemplo, deparar-se com uma situação de desemprego.

Depois de ter este fundo assegurado, importa saber rentabilizar as poupanças.

Ter dinheiro parado significa perder dinheiro

Não gerir bem as poupanças implica que na altura de as gastar irá conseguir comprar menos do que na altura em que pôs o dinheiro de parte.  Ou seja, perdeu poder de compra pelo efeito da inflação, só pela sua inércia.

Vejamos um exemplo simples:

Está a planear uma viagem que hoje custa 1.500€, mas com uma taxa de inflação de 1% ao ano, daqui a 1 ano a viagem custará 1.515€, daqui a 2 anos custará 1.530€, daqui a 5 anos 1.576€ e daqui a 10 anos 1.656€.

Ou seja, com o dinheiro que poupou não irá conseguir pagar a viagem.

Para conseguir pagar a viagem na altura em que a decidir fazer, importa saber rentabilizar as poupanças, de forma a não perder dinheiro pelo impacto da inflação. O ideal ainda assim seria conseguir poupar um valor superior ao da inflação, pois só assim a rentabilização seria de facto efetiva. De outra maneira estaria apenas a anular a perda do poder de compra.

4 sugestões para rentabilizar poupanças

1

Procure produtos financeiros com taxas de juro superiores à taxa da inflação

Ter o dinheiro parado na conta à ordem é, como dissemos, perder dinheiro. Ou seja, está a perder poder de compra pelo efeito da inflação. É o mesmo que ter o dinheiro em casa.

Assim, para rentabilizar poupanças terá de procurar produtos com taxas de juro superiores à inflação. Só assim verá de facto o seu dinheiro crescer. De outra forma estará apenas a repor poder de compra.

Mas há ainda outros aspetos a ter em conta.

2

Conheça o seu perfil de investidor

Conhecer o seu perfil de investidor é importante para decidir em que tipo de produtos financeiros irá aplicar as suas poupanças.

Se valoriza a segurança do seu capital, ou seja, tem perfil conservador, os produtos financeiros de capital garantido são os mais adequados para si. Mas são também os que terão uma rentabilidade menor.

Se, por outro lado, valoriza a possibilidade de ter rentabilidade maior e não se importa de correr riscos (neste caso poder perder capital), o seu perfil é agressivo. Se for esse o seu caso, diversifique os investimentos. Pode ganhar nuns e perder noutros.  

Mas, ainda assim, poderá ter um perfil intermédio. Ou seja, considera aplicar as suas poupanças correndo alguns riscos, mas limitados, para que possa ganhar um pouco mais do que os investimentos mais conservadores.

3

Não invista num só produto

Já ouviu a expressão “nunca ponha todos os ovos no mesmo cesto”?

Pois, no que toca a poupanças este dito popular também se aplica. Os ovos são as suas poupanças e o cesto o produto financeiro onde irá investir. Assim, a menos que sejam todos de capital garantido, não aplique todas as suas poupanças num só produto, diversifique para reduzir o risco e potenciar ganhos.

4

Aplique o valor certo em cada banco

O dinheiro que tem no banco está garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), mas existem limites.

Por titular, em cada instituição financeira, o FGD garante 100 mil euros, no caso do banco ir à falência. Este valor inclui capital e juros até à data da falência. Ou seja, se tiver um depósito a 1 ano de 100 mil euros à taxa de 1%, e ao fim de seis meses o banco fechar as portas, apenas receberá esse valor, perdendo os 500 euros de juros que teria direito.

Neste caso, a solução seria fazer apenas um depósito a prazo num valor abaixo de 100 mil euros ou então ter uma conta com outro titular.

De facto, sendo garantidos 100 mil euros por cada titular, numa conta com dois titulares será assim garantido pelo FGD o reembolso até 200 mil euros

Casal a analisar orçamento familiar

Produtos onde pode rentabilizar poupanças

Depósitos a Prazo

Têm capital garantido, mas as taxas de juro são, atualmente, muito baixas. Tente aproveitar as taxas promocionais.

Tenha também em atenção a liquidez do produto, ou seja, se pode mexer no dinheiro se dele precisar. Dito por outras palavras, se é mobilizável ou não. Atenção que ao mobilizar pode perder os juros.

Antes de constituir um depósito a prazo veja as condições que estão sintetizadas na Ficha de Informação Normalizada que a entidade bancária é obrigada a lhe disponibilizar.

Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro

São produtos de poupança do Estado. Têm capital garantido e as suas taxas acompanham a inflação.

Diferem no prazo e na forma de pagamento de juros. Os Certificados de Aforro têm um prazo de 10 anos e os juros são capitalizados de três em três meses, ou seja, acrescem ao capital. No caso dos Certificados de Tesouro, o prazo é 7 anos e os juros são depositados na conta à ordem.

Ou seja, se quiser ter anualmente um rendimento extra na sua conta, então a opção certa será investir em Certificados do Tesouro. Mas se, pelo contrário quiser ver as poupanças crescer sem lhes mexer, ou seja, se prefere capitalizar os juros então os Certificados de Aforro são a opção certa.

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Obrigações

Podem ter ou não capital garantido, sendo as taxas bastantes superiores à taxa de inflação.

As entidades emitentes podem ser empresas, instituições públicas ou mesmo o Estado. As obrigações são um instrumento financeiro alternativo aos empréstimos bancários ou aumentos de capital.

Ao comprar obrigações fica credor da entidade emitente e tem direito a receber juros e à restituição do capital numa data previamente definida.

Podem ser adquiridas quando são emitidas ou durante o período de oferta pública. Ou seja, no mercado primário. Mas também podem ser adquiridas em bolsa, ou seja, no mercado secundário.

PPR ou Fundos de Poupança Reforma

São produtos financeiros onde poderá rentabilizar poupanças se se destinam a ser um complemento à sua reforma.

Os Planos de Poupança Reforma são seguros de capitalização e, na sua generalidade, são de capital garantido. O montante que investir será aplicado pela seguradora num fundo autónomo, que o irá gerir.

Por sua vez, os fundos PPR são semelhantes aos demais fundos de investimento mobiliário, isto é o capital subscrito está expresso em unidades de participação que têm um determinado valor diário, que a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulga e que varia conforme o mercado. Não têm capital garantido.

Fundos de Investimento e ETF

Os fundos de investimento são produtos com maior rentabilidade, normalmente bastante acima da inflação, mas atenção não têm capital garantido, o que é seguramente um risco que tem de ponderar se vale a pena correr.

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 Seguros de Capitalização

Os seguros de capitalização são produtos financeiros destinados à constituição de poupanças, que garantem, na maioria das vezes, o capital investido.

São produtos financeiros comercializados pelas seguradoras ao que se aplica a fiscalidade de um Seguro de Vida, ou seja, a tributação dos seguros de capitalização diminui ao longo do tempo do investimento, e por isso têm vantagens fiscais relativamente a outros produtos financeiros.

Note que para além de garantir a maioria do capital investido em caso de vida, um seguro de capitalização garante ainda o pagamento do capital investido e a respetiva remuneração aos beneficiários em caso de morte.

Têm, no entanto, como desvantagem a existência de altas comissões de subscrição e de resgate, que reduzem a sua liquidez bem como a inexistência de um mecanismo de segurança como o Fundo de Garantia de Depósitos.

Imobiliário

Esta é outra das formas para rentabilizar poupanças. No entanto, tem como todas as outras os seus riscos. Aplicar as poupanças na compra de imóveis para arrendar depende do retorno que poderá conseguir, bem como de todos os custos fiscais e de manutenção que terá de suportar.

Em última instância saber onde rentabilizar poupanças depende de três conceitos: não perder dinheiro, risco e rentabilidade.

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