Duas riscas pintadas numa pedra, num poste ou num tronco dão-lhe a informação essencial num trilho: que tipo de percurso está a fazer, se segue no caminho certo e onde tem de virar. Em Portugal, a cor das marcas indica se se trata de uma Grande Rota (GR), de uma Pequena Rota (PR) ou de um Percurso Local (PL).
O que são as marcas dos trilhos
O código não é aleatório, mas sim definido pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), que regista e homologa os percursos pedestres do país. Nos percursos homologados, as marcas são iguais de norte a sul.
Saber ler as marcas dos trilhos evita enganos, voltas desnecessárias e situações de risco, sobretudo na serra ou em zonas com pouca rede de telemóvel. Também permite escolher, antes de sair de casa, um percurso à medida da sua preparação física.
Perceba o que significam as siglas GR, PR e PL
A sigla do percurso indica-lhe, à partida, a extensão aproximada e as cores que vai encontrar no terreno.
| Sigla | Tipo | Extensão | Cores das marcas | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| GR | Grande Rota | Mais de 30 km, mais de um dia | Branco e vermelho | GR 22 |
| PR | Pequena Rota | Até 30 km, menos de um dia | Amarelo e vermelho | PR3 ARC |
| PL | Percurso Local | Sobretudo em meio urbano | Verde e branco | PL1 FAR |
As Grandes Rotas têm numeração nacional e podem ligar regiões ou até países. Quando atravessam vários países europeus, juntam ao nome a letra E e o número europeu. É o caso da GR 11-E9, o Caminho do Atlântico, que entra em Portugal por Valença e segue pela costa até ao Cabo de São Vicente.
As Pequenas Rotas são numeradas por concelho, a começar no número 1. As três letras que surgem depois do número identificam o município: o PR3 ARC é o terceiro percurso de Pequena Rota de Arouca. Por isso, é normal encontrar um “PR1” em muitos concelhos diferentes.
Os Percursos Locais são aqueles em que todo o trajeto, ou mais de metade, decorre em ambiente urbano.
Um número com casa decimal, como PR 1.1, indica uma variante, ou seja, um traçado alternativo que volta a juntar-se ao percurso principal noutro ponto. As derivações, que levam a um miradouro ou a uma fonte, não têm sigla própria.
Segundo a FCMP, estão homologados 8885,01 km de Pequenas Rotas e 4386,42 km de Grandes Rotas. Estes percursos envolvem 382 entidades promotoras em 273 concelhos.
Aprenda a ler as marcas dos trilhos no terreno
As marcas da FCMP são formadas por retângulos com cerca de 12 cm de comprimento e 3 cm de largura. As cores mudam consoante o tipo de percurso, mas o significado de cada marca é o mesmo em todos:
- Caminho certo – dois retângulos paralelos na horizontal. Na GR, o branco fica em cima e o vermelho em baixo. Na PR, o amarelo fica em cima e o vermelho em baixo. No PL, as cores são o branco e o verde. Esta marca confirma que está no trajeto certo.
- Virar à direita ou à esquerda – a barra de baixo dobra-se em ângulo, como uma seta, para o lado para onde deve seguir. Surge pouco antes do cruzamento, a menos de 30 metros.
- Caminho errado – as duas barras cruzam-se em “X”. Indica um caminho que não deve tomar.
- Troço partilhado – três barras paralelas mostram que dois percursos coincidem nesse troço, por exemplo, uma PR que segue temporariamente pelo traçado de uma GR.
As regras de colocação das marcas também ajudam a orientar-se. Os percursos homologados são marcados nos dois sentidos e a distância entre marcas não deve ultrapassar os 250 metros. Depois de cada mudança de direção, surge uma marca de confirmação a menos de 50 metros. Quando as marcas estão pintadas em postes, ficam a pelo menos 80 cm do chão.
Se caminhar vários minutos sem ver nenhuma marca, o mais provável é ter falhado uma viragem. Volte à última marca que viu em vez de seguir em frente à procura da seguinte. Já sabe ler as marcas? Descubra 5 caminhadas em Portugal por cenários espetaculares e ponha os conhecimentos em prática.
Consulte os painéis e as placas antes de começar
Além das marcas pintadas, os percursos homologados têm outra sinalética. O painel informativo é obrigatório no início e no fim do percurso. Nos percursos circulares, basta um painel, que inclui o mapa, a ficha técnica e a explicação dos símbolos.
A ficha técnica indica, em regra, a distância, o desnível acumulado, a duração estimada e o grau de dificuldade. A forma de apresentar a dificuldade varia de painel para painel: há escalas únicas e há escalas separadas para o esforço físico, o tipo de piso ou a orientação.
Nos cruzamentos, as placas direcionais têm a forma de seta. Mostram, num quadrado colorido, a sigla e o número do percurso, e indicam a distância até aos locais seguintes e, sempre que possível, o tempo médio de caminhada.
Saiba o que muda fora da rede da FCMP
Nem todos os trilhos seguem exatamente este sistema. Antes de sair, confirme qual se aplica ao percurso que escolheu:
- Açores e Madeira – as regiões autónomas têm regimes próprios. Nos Açores, o Decreto Legislativo Regional n.º 30/2012/A classifica os percursos em pequenas e grandes rotas. Na Madeira, os percursos pedestres classificados geridos pelo IFCN exigem reserva prévia e, para não residentes, o pagamento de uma taxa. Antes de ir, consulte também o guia das levadas da Madeira;
- Espanha: no sistema da federação espanhola (FEDME), todas as marcas incluem o branco: branco e vermelho nas GR, branco e amarelo nas PR e branco e verde nos Senderos Locales (SL). As distâncias também são diferentes: uma GR tem mais de 50 km e uma PR entre 10 e 50 km;
- Percursos temáticos e de peregrinação – podem ter sinalética própria, compatível com as marcas da FCMP. É o caso do Caminho Português de Santiago, assinalado com setas amarelas e, por vezes, com uma vieira amarela sobre fundo azul;
- Trilhos não homologados – as marcas da FCMP estão registadas e só podem ser usadas com autorização da federação. Num trilho assinalado de outra forma, a sinalética pode variar e a manutenção não é verificada pela FCMP.
Prefere caminhar junto ao mar? Conheça o trilho dos Sete Vales Suspensos, no Algarve.
Antes de calçar as botas, confirme quatro coisas
Primeiro, verifique se a cor das marcas dos trilhos coincide com o tipo de percurso que escolheu. Depois, leia a ficha técnica e confirme se a distância e a dificuldade estão ao alcance de quem vai consigo.
Em terceiro lugar, descarregue o mapa para uso offline e avise alguém do percurso e da hora prevista de regresso. Por fim, durante a caminhada, tenha sempre presente onde viu a última marca. Em caso de emergência, ligue 112.
Com este código na cabeça, qualquer PR ou GR do país lê-se quase como um mapa, e uma das formas mais baratas de passar um dia fora fica também mais segura. Se procura por onde começar, as caminhadas nas Aldeias do Xisto são uma boa opção.
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Decreto Legislativo Regional n.º 30/2012/A, de 3 de julho. (2012). Regime jurídico dos percursos pedestres da Região Autónoma dos Açores. Diário da República. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-legislativo-regional/30-2012-178516
Federación Española de Deportes de Montaña y Escalada & Instituto Geográfico Nacional. (s.d.). Senderos de la Federación Española de Deportes de Montaña y Escalada (FEDME) [Conjunto de dados]. IDEE. https://www.idee.es/csw-inspire-idee/srv/api/records/spaignFEDME
Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. (s.d.). Percursos pedestres. Consultado em 23 de outubro de 2026, em https://fcmportugal.com/percursos-pedestres/
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Turismo de Portugal. (s.d.). Caminho Português de Santiago – Caminho Central. Visit Portugal. https://www.visitportugal.com/pt-pt/destinos/porto-e-norte/229178