Ekonomista
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07 Out, 2026 - 10:00

Mercado de motos cresce 17% e as 125 cc puxam a subida

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O mercado de motos cresceu 17,2% até setembro de 2026 e as motas de 125 cc já valem metade das vendas. Saiba porquê e quanto custa, na prática, ter uma.

Entre janeiro e setembro de 2026 foram matriculados 43.128 ciclomotores, motociclos e triciclos novos em Portugal, mais 17,2% do que no mesmo período de 2025. Só em setembro, o mercado de motos somou 5.328 unidades, uma subida de 15,6%, segundo os dados da ACAP divulgados a 2 de outubro.

O crescimento tem uma cilindrada bem definida. As motas até 125 cm3 aumentaram 31,3% em setembro, seis vezes mais do que as de maior cilindrada, que subiram 5,2% e já representam mais de metade dos motociclos a combustão matriculados no mês.

Não é por acaso. Uma 125 pode ser conduzida com a carta de carro a partir dos 25 anos e não paga IUC. Para quem procura uma alternativa barata ao segundo carro, as contas começam precisamente aí.

Os números de setembro, segmento a segmento

Os motociclos são o grosso do mercado: 5.192 unidades em setembro (+17,6%) e 41.882 desde o início do ano (+17,9%). Em nove meses, o setor das duas e três rodas colocou em circulação mais de 6.300 veículos novos do que no mesmo período de 2025.

SegmentoSetembro 2026Var.Jan.-set. 2026Var.
Motociclos até 125 cm32.628+31,3%20.398+23,7%
Motociclos acima de 125 cm32.505+5,2%20.828+11,4%
Motociclos elétricos59+73,5%656+88,0%
Ciclomotores108-41,0%1.083-4,4%
Triciclos28+154,5%163+19,0%
Quadriciclos191+41,5%1.548+50,4%
Fonte: ACAP, com dados da AT.

A exceção são os ciclomotores. Caíram 41% em setembro e acumulam uma descida de 4,4% no ano, com 1.083 unidades. Os dados da ACAP não explicam a causa, mas o padrão é coerente com uma deslocação da procura para as 125, que oferecem mais desempenho com a mesma carta de carro.

A tendência não é nova. O crescimento das matrículas de motociclos no primeiro semestre de 2026 já apontava neste sentido, e setembro confirma que o ritmo se mantém na reta final do ano.

Porque é que as motas de 125 cc estão a ganhar terreno

No acumulado do ano, as motas de 125 cc somam 20.398 matrículas, quase 3.900 a mais do que entre janeiro e setembro de 2025. Pesam já 48,7% de todos os motociclos novos (20.398 em 41.882), praticamente empatadas com as de cilindrada superior.

A principal razão é legal. Quem tem carta da categoria B e 25 anos ou mais pode conduzir motociclos até 125 cm3, desde que a potência não ultrapasse os 11 kW e a relação potência/peso não exceda 0,1 kW/kg. Não há exame nem aulas obrigatórias: a carta do carro chega. Abaixo dos 25 anos, a carta B só serve se o condutor tiver também a categoria AM ou licença de condução de ciclomotores, segundo o Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir. Os restantes casos estão no guia sobre as categorias da carta de mota e o que cada uma permite conduzir.

No entanto, a cilindrada, sozinha, não basta. A carta B só cobre motociclos que cumpram os três limites ao mesmo tempo, 125 cm3, 11 kW e 0,1 kW/kg. Antes de trocar o carro pela mota no dia a dia, confirme no certificado de matrícula ou na ficha técnica do modelo que tem em vista se a potência cabe no limite da carta B.

Quanto custa ter uma mota de 125 cc

O primeiro alívio está no Imposto Único de Circulação. As motas da categoria E com matrícula posterior a 1996 e cilindrada entre 120 e 250 cm3 têm uma taxa anual de 6,19 euros. Como o Código do IUC determina que não há cobrança quando o imposto é inferior a 10 euros, quem tem uma 125 não paga nada.

O contraste com as cilindradas altas é claro. Uma mota acima de 750 cm3 paga 138,15 euros por ano de IUC: em cinco anos, são 690,75 euros (138,15 × 5). Os valores de todos os escalões estão nas tabelas do Imposto Único de Circulação por categoria de veículo.

Já o seguro de responsabilidade civil é obrigatório, tal como no carro, e o preço varia com a idade do condutor, o histórico e a cilindrada. Compare pelo menos três simulações antes de fechar a compra, o prémio pode pesar mais no orçamento do que o próprio imposto.

Elétricas crescem depressa, mas continuam a ser nicho

Os motociclos elétricos quase duplicaram: 656 unidades desde janeiro, mais 88% do que em 2025. Ainda assim, representam só 1,6% dos motociclos matriculados no ano (656 em 41.882).

O apoio público ajuda, mas é curto. Na edição de 2026 do incentivo do Fundo Ambiental, as motas e ciclomotores elétricos novos podiam receber 50% do preço com IVA, até um máximo de 1.500 euros. Na prática, uma mota elétrica de 2.400 euros recebia 1.200 euros; a partir de 3.000 euros, o apoio ficava no teto. Havia, porém, só 167 incentivos para motociclos, ciclomotores, triciclos e quadriciclos, e as candidaturas fecharam a 27 de julho.

Nos quadriciclos, o crescimento é mais forte: 1.548 matrículas até setembro (+50,4%). Os minicarros explicam quase tudo, 1.403 unidades, das quais 900 elétricas, ou seja, cerca de 64% do segmento.

O que estes números dizem a quem quer comprar

Na prática: carta de carro, 25 anos, até 125 cc e 11 kW, e IUC a zero. É esta combinação que explica metade das vendas de motociclos em 2026 — e é também a primeira coisa a confirmar antes de assinar a compra. A potência na ficha técnica decide se a carta B chega; o seguro decide quanto custa, de facto, andar de mota.

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Fontes

Agência para o Clima / Fundo Ambiental. (2026). Aviso n.º 06/2025 — Incentivo pela introdução no consumo de veículos de emissões nulas no ano de 2025 e 2026: Mobilidade verde — passageiros. https://www.fundoambiental.pt/ficheiros/20261/aac-n-06-2025-incentivo-pela-introducao-no-consumo-de-veiculos-de-emissoes-nulas-no-ano-de-2025-e-2026-mobilidade-verde–passageiros-pdf.aspx

Associação Automóvel de Portugal. (2026, outubro 2). Mercado de ciclomotores, motociclos, triciclos e quadriciclos em Portugal: setembro de 2026 (Press Release n.º 62) [Comunicado de imprensa].

Código do Imposto Único de Circulação, artigo 16.º, n.º 11. Portal das Finanças. https://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/informacao_fiscal/codigos_tributarios/iuc/Pages/iuc16.aspx

Decreto-Lei n.º 138/2012, de 5 de julho. Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir. Diário da República, 1.ª série. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/138-2012-178550

DECO PROTeste. (2026, janeiro 6). Tabelas do IUC: quanto paga. https://www.deco.proteste.pt/dinheiro/impostos/noticias/tabelas-iuc-quanto-paga

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