Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
05 Out, 2026 - 13:00

Rastreio da mama: como se faz e o que esperar no exame

Cláudia Pereira

Rastreio da mama passo a passo: quem é convocada, como é o exame, quanto tempo demora o resultado e o que fazer se a carta não chegar. É gratuito no SNS.

O rastreio da mama do Serviço Nacional de Saúde (SNS) convoca as mulheres entre os 45 e os 74 anos para uma mamografia de 2 em 2 anos. O exame é gratuito e é feito em unidades de rastreio móveis e fixas, sem que a mulher tenha de o pedir.

A idade mínima baixou dos 50 para os 45 anos com a Norma n.º 012/2024 da Direção-Geral da Saúde, que também subiu o limite até aos 74. O que conta é a idade que a mulher completa no ano do convite, não a data do aniversário.

E a adesão fica aquém. No último relatório de monitorização publicado pela DGS, com dados de 2022, foram convidadas 811.659 mulheres e fizeram o exame 415.102, uma adesão de 51%. Praticamente metade das convidadas ficou de fora.

Quem é convocada para o rastreio do cancro da mama

São convocadas as mulheres que, no ano do convite, completam entre 45 e 74 anos, inclusive. Se o resultado for normal, o exame repete-se dois anos depois. O rastreio destina-se a mulheres sem sintomas: o objetivo é detetar alterações antes de darem sinais.

Por isso, há quem fique de fora. A norma da DGS exclui definitivamente quem já teve cancro da mama, fez mastectomia bilateral ou tem uma síndrome hereditária associada ao cancro da mama, como as alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

Há também exclusões temporárias: gravidez, amamentação, sintomas mamários no dia marcado ou uma mamografia normal feita no ano anterior. Quem tem sintomas não deve esperar pelo convite e deve falar com o médico de família, antes da consulta, pode rever os sinais de alerta do cancro da mama.

Como se faz o rastreio da mama, passo a passo

Segundo a norma, é a unidade de rastreio que agenda o exame e envia a convocatória. Na prática, o processo segue estes passos:

  1. Convite – a Liga Portuguesa Contra o Cancro, que assegura o rastreio em grande parte do continente, envia cartas-convite e faz também convocatórias por telefone. No Algarve, o rastreio tem organização própria, com unidade móvel que percorre os concelhos.
  2. Remarcação – se a data não der jeito, a Liga indica que é possível remarcar através dos seus contactos ou na própria unidade móvel.
  3. Preparação – o programa municipal de mamografia de Lisboa, por exemplo, pede que não aplique creme nem desodorizante na zona das mamas e das axilas, porque interferem com a qualidade das imagens, e que leve os exames anteriores.
  4. Exame – é feito por técnicos superiores de radiologia, que posicionam e comprimem cada mama no equipamento para obter as imagens.
  5. Dupla leitura – dois radiologistas com experiência em imagem mamária analisam o exame, sem conhecer a conclusão um do outro.
  6. Resultado – é comunicado à mulher, com indicação do passo seguinte.

Que exame é feito

A norma da DGS define a tomossíntese mamária, a chamada mamografia 3D, como exame de referência. Onde este equipamento ainda não está disponível, faz-se mamografia digital, com duas incidências (duas imagens) de cada mama e a mesma dupla leitura.

A tomossíntese obtém várias imagens da mama em planos diferentes. Isso torna mais fácil distinguir pequenas lesões, sobretudo em mamas densas. Se nunca fez o exame, guarde esta lista e reveja-a na véspera, pois, responde às dúvidas mais comuns.

Como chegam os resultados e o que acontece a seguir

A norma fixa prazos máximos. O relatório da dupla leitura tem de estar concluído em 7 dias após o exame. A norma não fixa, porém, um prazo para a comunicação chegar a casa, pelo que pode demorar mais. Se o resultado for normal, a mulher volta a ser convocada dois anos depois.

Se houver uma imagem duvidosa, segue-se uma consulta de aferição, marcada no máximo até 45 dias após o resultado. Ser chamada para esta consulta não significa ter cancro: serve precisamente para esclarecer a dúvida. Para perceber melhor a doença, pode ler o guia sobre prevenção, sintomas e tratamento do cancro da mama.

Quando é preciso aprofundar, a mulher é referenciada para uma unidade hospitalar de diagnóstico de patologia mamária, com prioridade que obriga a consulta em 30 dias seguidos. Nas zonas abrangidas pela Liga, o encaminhamento é garantido pela própria instituição, e a mulher pode escolher seguir no SNS ou no privado.

Não recebeu o convite? Saiba o que fazer

A Liga Portuguesa Contra o Cancro indica que quem não recebeu a carta pode participar na mesma, desde que cumpra os requisitos. O passo mais simples é contactar a Liga ou a unidade móvel quando estiver na sua zona. Também pode pedir esclarecimentos ao médico de família ou à unidade de saúde onde está inscrita.

Fora da idade do rastreio, a mamografia faz-se por indicação médica. Quando é pedida pelo médico de família, nos cuidados de saúde primários, não paga taxa moderadora, de acordo com a informação da ACSS. Pode incluí-la na lista de exames médicos a fazer a partir dos 50 anos, conforme indicação do médico.

No privado, sem prescrição nem seguro de saúde, o exame é pago na totalidade e o preço varia de clínica para clínica. Antes de marcar, compare dois ou três orçamentos e confirme se o seguro ou subsistema comparticipa.

Há ainda respostas locais. A Câmara Municipal de Lisboa oferece mamografia gratuita a residentes com menos de 50 anos, com marcação pelo 800 910 155. Pergunte na junta ou na câmara se existe algo semelhante no seu concelho.

Uma carta de dois em dois anos

Na prática: uma convocatória, uma deslocação à unidade de rastreio e um exame gratuito, lido por dois radiologistas. Se tem entre 45 e 74 anos e não se lembra da última vez que foi chamada, contacte hoje a Liga ou o seu centro de saúde. É o único passo que depende de si.

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Fontes

Administração Central do Sistema de Saúde. (s.d.). Taxas moderadoras. https://www.acss.min-saude.pt/2016/09/15/taxas-moderadoras/

Administração Regional de Saúde do Algarve. (s.d.). Rastreio do cancro da mama no Algarve. https://www.arsalgarve.min-saude.pt/estrutura-organica/nucleo-rastreios-oncologicos/rastreio-do-cancro-da-mama-no-algarve/

Câmara Municipal de Lisboa. (s.d.). Mamografia gratuita. https://informacao.lisboa.pt/dossies-tematicos/mamografia-gratuita

Direção-Geral da Saúde. (2023). Avaliação e monitorização dos rastreios oncológicos de base populacional: Relatório 2022. https://www.dgs.pt/em-destaque/rastreio-do-cancro-da-mama-portugal-ultrapassa-meta-prevista-para-2025-pdf.aspx

Direção-Geral da Saúde. (2024). Norma n.º 012/2024, de 06/12/2024: Programa de rastreio de base populacional do cancro da mama. https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-122024-de-06122024-programa-de-rastreio-de-base-populacional-do-cancro-da-mama-pdf.aspx

Liga Portuguesa Contra o Cancro. (s.d.-a). Perguntas frequentes: Rastreio do cancro da mama. https://www.ligacontracancro.pt/rcm-q–a/

Liga Portuguesa Contra o Cancro. (s.d.-b). Programa de rastreio de cancro da mama. https://www.ligacontracancro.pt/servicos/detalhe/url/programa-de-rastreio-de-cancro-da-mama/

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