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Um guia para tempos complicados
Teresa Campos
Teresa Campos
10 Mar, 2021 - 13:32

Miopia: o que fazer quando não se vê bem ao longe

Teresa Campos

A miopia é um erro refrativo que afeta 20% a 30% da população mundial e que se carateriza pela dificuldade em ver ao longe. Saiba como lidar.

mulher com miopia

Tem sensação de embaciamento das imagens? Aperta os olhos para ler as indicações na estrada? Mas, ao mesmo tempo, é capaz de ler as palavras escritas em tamanho pequeno na bula dos medicamentos? Estes são sinais de que pode sofrer de miopia.

A miopia é um erro refrativo que ocorre no globo ocular e que se define pela incapacidade de focar corretamente objetos distantes. O olho míope foca as imagens à frente da retina, o que faz com que os objetos distantes se desenhem de forma turva. 

Numa situação normal, uma imagem deve passar através do olho e formar-se na retina, transmitindo ao cérebro as informações através do nervo ótico. Porém, isto não acontece nos míopes. Nessas pessoas, a imagem é formada à frente da retina, mas a imagem que é transmitida pelo olho ao cérebro não corresponde à imagem real ou correta.

Sintomas de miopia

De uma forma simples, o indivíduo míope tem facilidade em ver ao perto e dificuldade em definir imagens distantes. Semicerrar os olhos para tentar focar uma imagem ao longe é um sintoma clássico deste problema e pode ser um indício da existência de miopia.

Uma criança míope, por exemplo, pode ter dificuldade em ver para o quadro, mas não ter problemas em ler um livro, por exemplo. Normalmente, a dificuldade em ver ao longe estabiliza por volta dos 20 anos de idade, mas até essa altura ela pode agravar, se nada for feito.

Associados a este erro refrativo podem ainda surgir outros sintomas, tais como fadiga ocular, “vista cansada e/ou dores de cabeça. Por isso, o míope deve visitar, regularmente, o oftalmologista e, sempre que necessário, trocar de graduação.

mulher ao computador com mãos na cabeça de cansaço

Causas da miopia

Geralmente, os míopes têm um globo ocular maior do que o normal ou uma córnea mais curva do que seria suposto.

Contudo, são desconhecidas com exatidão as causas deste problema, mas sabe-se que um historial familiar de miopia aumenta a probabilidade de surgir este problema. Além disso, este erro refrativo pode estar associado a um traumatismo, cirurgia ocular ou doenças oculares.

Córnea curva

Esta é a causa mais comum de miopia e que se manifesta quando existe uma alteração da curvatura da córnea e a imagem dos objetos é formada antes de chegar à retina.

Causa axial

Esta é a causa da miopia patológica. Quando o comprimento do olho é maior do que o comprimento ótico, ocorre a dificuldade em ver ao longe. Assim, o problema aparece em grau elevado e tem tendência a tornar-se numa miopia evolutiva. 

Cataratas nucleares

Este tipo de catarata pode provocar uma miopia tardia, conhecida como miopia de índice. Regra geral, ela aparece após os 60 anos e é provocada pelas cataratas nucleares que provocam o aumento do índice refrativo do cristalino, favorecendo a capacidade visual ao perto, mesmo sem recorrer a óculos.

Doenças dos olhos
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Como diagnosticar a miopia?

Existem exames que devem ser efetuados para diagnosticar a miopia, alguns dos quais são:

  • Exame do disco ótico, da retina e da mácula;
  • Teste de refração (para determinar o grau da miopia);
  • Recurso às tabelas Snellen (teste para ver à distância) e Jaeger (mede a dificuldade visual ao perto);
  • Tonometria (mede a pressão ocular);
  • Teste para reparar os movimentos oculares;
  • Teste de visão das cores;
  • Mapas topográficos e paquimetria;
  • Lâmpada de fenda (examina o segmento anterior do olho).

Dioptrias

As dioptrias são os graus que tornam possível medir o nível de dificuldade provocado pela miopia. Quanto maior é o grau diagnosticado, maior é a dificuldade apresentada pelo indivíduo míope em ver ao longe.
Assim, a miopia pode ser classificada com base nos seguintes graus:

  • Ligeira: 1 a 3 dioptrias.
  • Moderada: 3 a 6 dioptrias.
  • Alta, rara e degenerativa: mais de 6 dioptrias.
criança com óculos

Miopia infantil

Afeta crianças com idades até aos 5 anos e é ligeiramente mais frequente no género feminino. Em todo o mundo, 1% das crianças sofre de miopia, percentagem que aumenta para os 8%, se considerarmos crianças até aos 10 anos de idade.  Já se forem tidas em conta crianças até aos 15 anos de idade, essa percentagem sobe para 15%.

O fator genético é importante, mas não é a única causa para a miopia infantil. Embora, seja provável que os filhos de pais míopes sofram deste problema.

A miopia tem cura?

A miopia não tem cura. Contudo, se corretamente diagnosticada, pode ser tratada de modo a corrigir o erro refrativo. Atualmente, os meios para corrigir a miopia permitem restituir uma vida perfeitamente normal aos míopes.

De igual modo, a miopia com astigmatismo também não tem cura, mas podem ser corrigidos os dois erros refrativos, restabelecendo uma boa acuidade visual a esses doentes.

Como corrigir a miopia

A miopia não tem cura, mas é possível minimizar ou corrigir este erro refrativo e melhorar a qualidade de vida de quem lida com esta dificuldade recorrendo a óculos, lentes de contacto ou cirurgia refrativa. Para tratar ou corrigir o problema, é essencial o uso de óculos graduados, pelo menos, até aos 15 anos e, só a partir desta idade, passar para o uso para lentes de contacto.

Após os 18/20 anos, quando o problema é considerado como estabilizado, é possível recorrer à cirurgia refrativa a laser. Para doentes com idades superiores aos 45 anos, é possível optar pelo uso de lentes intraoculares multifocais, que são posicionadas no saco capsular, após facoemulsificação, ou pela utilização de lentes progressivas com graduações diferentes ao longo da sua superfície.

mulher em consulta na oftalmologista para despistar hipermetropia

Cirurgia

A cirurgia refrativa por laser é um procedimento simples, seguro e eficaz que usa uma tecnologia de alta precisão para corrigir erros refrativos como a miopia. Através desta operação, o laser é capaz de remodelar a córnea, melhorando o modo como o olho foca os raios de luz na retina.

Para ser submetido a esta intervenção, é preciso consultar um médico oftalmologista e fazer alguns exames, de maneira a conferir se o paciente reúne ou não condições para ser submetido a esta cirurgia. Logo à partida, é necessário que o doente tenha mais de 20 anos de idade e uma refração estável há 12 meses.

Esta cirurgia é feita com anestesia local e demora entre 5 a 10 minutos, sendo que aproximadamente 30 minutos depois, o paciente pode ter alta.

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