Share the post "Montenegro: viagem ao pequeno país dos Balcãs que ainda cabe no seu orçamento"
Poucos países conseguem condensar tanta beleza num território tão reduzido. Montenegro tem menos de 700 mil habitantes e ocupa apenas uma fração da área de Portugal, mas reúne fiordes dramáticos, cidades medievais amuralhadas, parques nacionais de montanha e uma costa adriática que continua a fazer inveja à vizinha Croácia, só que a preços bem mais simpáticos.
Independente desde 2006, este destino ainda escapa às grandes multidões de turistas, o que o torna cada vez mais popular entre quem procura autenticidade sem abdicar de conforto.
Montenegro está a conquistar os viajantes portugueses e a explicação é que o país cabe todo numa mala pequena de experiências.
É possível fazer uma caminhada de montanha durante a manhã e, à tarde, mergulhar nas águas quentes do Adriático. Tudo no mesmo dia e sem grandes deslocações, já que as distâncias entre pontos de interesse raramente ultrapassam uma ou duas horas de carro.
A isto soma-se uma hospitalidade genuína, uma gastronomia que mistura influências mediterrânicas e balcânicas e uma natureza que inclui nada menos do que cinco parques nacionais.
O que não pode perder numa viagem a Montenegro

Apesar de ser um país pequeno, não faltam motivos de interesse para uma viagem que, com todas a certeza, ficará marcada na memória.
Baía e cidade velha de Kotor
Kotor é, para muitos viajantes, o motivo principal para visitar Montenegro. A cidade velha, cercada por muralhas medievais que trepam pela encosta da montanha, esconde igrejas seculares, praças com esplanadas e ruelas de pedra que convidam a perdermo-nos sem pressa.
Vale a pena subir até à Fortaleza de São João. A subida é exigente, com mais de mil degraus, mas a vista sobre a baía compensa cada passo. Kotor está classificada como Património Mundial da UNESCO.
Perast e as ilhas da Baía de Kotor
A poucos minutos de Kotor, Perast parece ter sido transportada diretamente de Veneza.
É o ponto de partida ideal para um passeio de barco até às duas ilhotas mais fotografadas do país, a Sveti Đorđe, com o seu mosteiro beneditino, e Gospa od Škrpjela, com uma igreja de cúpula azul erguida sobre um recife artificial.
Budva e a península de Sveti Stefan
Budva é a capital turística da Riviera montenegrina: praias extensas, vida noturna animada e uma cidade velha que lembra, em miniatura, Dubrovnik.
Nas imediações, a península de Sveti Stefan é um dos ex-líbris de Montenegro, uma antiga aldeia de pescadores transformada em resort de luxo, que continua a impressionar mesmo vista de fora, a partir da praia pública em frente.
Lago Skadar
O maior lago dos Balcãs é também uma das maiores reservas de aves da Europa, refúgio do emblemático pelicano-crespo.
Um passeio de barco entre canaviais e pequenos mosteiros, seguido de um mergulho nas suas águas calmas, costuma ser um dos momentos mais marcantes de qualquer roteiro pelo país.
Mosteiro de Ostrog
Escavado dentro da rocha a meio de uma montanha, o Mosteiro de Ostrog é o principal local de peregrinação de Montenegro e um dos mais impressionantes de toda a Europa de Leste. Os frescos no interior das grutas justificam, por si só, o desvio.

Parque Nacional de Durmitor
Para quem gosta de natureza e atividades ao ar livre, Durmitor é imperdível. O desfiladeiro do rio Tara é o canhão mais profundo da Europa, com paisagens que rivalizam com o próprio Grand Canyon.
A gastronomia local
A cozinha montenegrina merece um capítulo à parte. Na região de Njeguši, perto de Cetinje, produz-se um dos melhores prosciuttos e queijos dos Balcãs.
No litoral, o peixe e o marisco frescos dominam a mesa, enquanto no interior imperam pratos reconfortantes à base de carne, batata e kajmak (uma espécie de nata fermentada).
Um jantar numa casa local, com produtos vindos diretamente da horta, é muitas vezes tão memorável quanto qualquer monumento.
Montenegro é um destino acessível? Sim
Este continua a ser um dos grandes trunfos do país. O custo de vida em Montenegro é, de um modo geral, semelhante ou ligeiramente inferior ao de Portugal, e nitidamente mais baixo do que o da Croácia, seu principal concorrente no Adriático.
Alojamento e restauração apresentam preços próximos dos praticados nas zonas turísticas portuguesas, mas os bilhetes de entrada em monumentos e parques naturais tendem a ser significativamente mais baratos. O combustível também costuma custar menos do que em Portugal.
A exceção fica por conta da alta temporada, em julho e agosto, quando os preços de alojamento e voos sobem consideravelmente nas zonas costeiras.
Viajar em maio, junho, setembro ou outubro permite continuar a desfrutar de bom tempo e do mar Adriático, mas com preços mais baixos e sem as multidões do verão.
Informações práticas para organizar a viagem

- Moeda: euro, apesar de o país não pertencer à União Europeia.
- Documentos: os cidadãos portugueses não necessitam de visto e podem entrar apenas com o cartão de cidadão. Os cidadãos brasileiros precisam de passaporte válido, também sem necessidade de visto para estadias turísticas até 90 dias.
- Como chegar: não existem voos diretos desde Portugal, pelo que é habitual voar até Dubrovnik, na Croácia, e seguir depois de carro até Montenegro. A fronteira fica a menos de 20 quilómetros do aeroporto croata.
- Como circular: o país ainda não tem autoestradas, mas as distâncias curtas tornam a condução por estradas nacionais bastante viável e permitem descobrir aldeias remotas ao longo do caminho.
- Ligação móvel: o roaming costuma ser caro, pelo que vale a pena adquirir um cartão eSIM ou um SIM local à chegada.
- Seguro de viagem: como Montenegro não pertence à União Europeia, é aconselhável contratar um seguro de viagem que cubra assistência médica.