Share the post "Professores: novo modelo de recrutamento chega às escolas em 2027/2028. O que vai mudar?"
O recrutamento e a colocação de professores nas escolas públicas vão passar por uma mudança estrutural a partir do ano letivo de 2027/2028. O novo modelo aprovado pelo Governo prevê a criação de dois concursos nacionais centralizados, incluindo um procedimento de recrutamento contínuo que permitirá responder às necessidades temporárias das escolas ao longo de todo o ano letivo.
A reforma pretende simplificar os procedimentos administrativos, acelerar a colocação de docentes e reduzir o número de alunos que ficam sem aulas durante períodos prolongados. Entre as principais alterações estão a possibilidade de os candidatos apresentarem ou atualizarem a candidatura a qualquer momento e a centralização do processo na Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE).
Como vai funcionar o novo modelo?

O novo sistema assenta em dois procedimentos concursais nacionais, com objetivos distintos. Em vez de depender de vários momentos de colocação e de mecanismos de contratação separados, o modelo pretende concentrar e simplificar o processo de recrutamento.
O primeiro concurso será destinado às necessidades permanentes das escolas e à mobilidade dos docentes. O segundo funcionará de forma contínua, ao longo do ano letivo, para preencher horários temporários que surjam nas escolas públicas.
Esta reorganização pretende tornar as colocações mais rápidas e previsíveis, tanto para os professores como para as direções escolares, reduzindo a burocracia associada à contratação.
Concurso anual para vagas permanentes
O primeiro procedimento será um concurso interno e externo, destinado a preencher necessidades permanentes das escolas.
O concurso interno permitirá aos professores dos quadros concorrer à mobilidade para outros agrupamentos ou escolas não agrupadas, de acordo com as vagas disponíveis.
O concurso externo permitirá o acesso de candidatos às vagas permanentes, nos termos definidos pelo regime aplicável.
A intenção é antecipar as colocações e dar maior previsibilidade à organização do ano letivo.
Concurso contínuo para necessidades temporárias
A principal novidade é a criação de um concurso nacional contínuo, com funcionamento diário, para responder às necessidades temporárias de docentes que surjam ao longo do ano letivo.
Na prática, o sistema deverá permitir preencher horários que fiquem vagos ou que sejam criados depois do início das aulas, sem depender dos vários procedimentos de contratação atualmente existentes, incluindo a contratação de escola.
Será criada uma base nacional de candidatos, organizada de acordo com os critérios de ordenação aplicáveis. Os candidatos poderão inscrever-se ou atualizar a candidatura a qualquer momento, incluindo para alterar as suas preferências.
Esta possibilidade poderá beneficiar, por exemplo, recém-diplomados de mestrados em ensino que concluam a formação já com o ano letivo em curso. O objetivo é evitar que a abertura de uma oportunidade de trabalho fique dependente de um calendário concursal rígido.
Graduação profissional continua a ser determinante

A graduação profissional continuará a constituir a base da ordenação dos candidatos, de acordo com o Governo.
O modelo prevê ainda a centralização do processo na AGSE e a utilização de sistemas digitais para automatizar procedimentos.
A intenção é reduzir a carga administrativa suportada pelas escolas, que poderão concentrar mais recursos na organização pedagógica e no acompanhamento dos alunos, em vez de terem de assegurar sucessivas etapas burocráticas de contratação.
O Ministério da Educação defende que a combinação entre uma base nacional atualizada e procedimentos automáticos permitirá responder com maior rapidez às necessidades que surgem diariamente.
Ainda assim, a eficácia desta solução dependerá do funcionamento dos sistemas de informação, da atualização dos dados e da capacidade de identificar e preencher as vagas em tempo útil.
O que muda para os professores e para os alunos?
Para os docentes, o novo modelo poderá abrir oportunidades de colocação fora dos períodos tradicionais de concurso.
A possibilidade de atualizar candidaturas ao longo do ano também deverá tornar o sistema mais flexível, embora as condições concretas de candidatura e colocação dependam das regras aplicáveis.
Para os alunos e as famílias, a expectativa é reduzir o tempo passado sem aulas e garantir maior continuidade das aprendizagens. Quando uma turma fica sem professor durante semanas, os efeitos não se limitam à matéria por lecionar.
Podem também afetar a preparação para os exames, a organização familiar e a confiança no percurso escolar.
Sindicatos apontam divergências
A proposta não reuniu consenso entre as estruturas representativas dos professores.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) manifestou oposição a aspetos do modelo, criticando, entre outros pontos, as prioridades previstas no concurso contínuo.
O Sindicato dos Professores do Norte divulgou igualmente críticas ao processo negocial e às alterações propostas para o recrutamento e a colocação de docentes.
Quando entra em vigor o novo modelo?

O novo modelo de recrutamento e colocação de docentes tem entrada em funcionamento prevista para o ano letivo de 2027/2028. A sua aplicação será acompanhada pela implementação dos procedimentos centralizados e dos sistemas digitais necessários à gestão das candidaturas e das vagas.
Até lá, será essencial conhecer os detalhes regulamentares que irão determinar o funcionamento dos concursos, os critérios de ordenação e as prioridades de colocação.