Novembro de 2026 junta uma superlua, a chuva de meteoros das Leónidas, um encontro apertado entre Marte e Júpiter e a oposição de Urano. Tudo visível a partir de Portugal e, quase tudo, a olho nu.
Há um senão: a melhor parte acontece de madrugada. A meio do mês, Mercúrio, Vénus, Marte e Júpiter alinham-se no céu antes do nascer do Sol. Ao anoitecer fica Saturno, ainda alto e brilhante depois da oposição de outubro.
A boa notícia é que, com a hora de inverno em vigor desde 25 de outubro, o Sol põe-se entre as 17h40, no início do mês, e as 17h15, no fim. As noites são longas e não é preciso bilhete, telescópio nem viagem para aproveitar o que ver no céu em novembro, basta acertar nas datas.
7 datas para marcar no céu de novembro
7 de novembro – Vénus regressa com a Lua e Spica
Vénus passou entre a Terra e o Sol a 24 de outubro e volta agora a ser a “estrela da manhã”. Na madrugada de dia 7, uma Lua muito fina, com menos de 5% do disco iluminado, aparece a cerca de 2 graus do planeta, com a estrela Spica por perto.
Procure baixo no horizonte a leste-sudeste, entre 30 e 60 minutos antes do nascer do Sol. Um prédio ou uma árvore chega para estragar a vista, por isso escolha um sítio com horizonte limpo.
11 e 12 de novembro – Táuridas do Norte, sem luar
A Lua Nova chega a 9 de novembro, às 7h02, e deixa as noites seguintes escuras. Isto favorece as Táuridas do Norte, com pico na noite de 11 para 12.
São poucas por hora, mas lentas. E, de vez em quando, produzem bólides: meteoros muito brilhantes que cruzam o céu durante alguns segundos.
16 de novembro – Marte encosta-se a Júpiter
Na madrugada de dia 16, Marte e Júpiter ficam separados por cerca de 1,2 graus. Com o braço esticado, cabe entre eles a largura do dedo mindinho. A aproximação máxima acontece por volta das 5h30, por isso marque já o despertador.
Júpiter é o ponto mais brilhante; Marte, mais fraco, tem um tom alaranjado. Com binóculos, os dois cabem no mesmo campo de visão e é possível distinguir as luas maiores de Júpiter. Quem perder esta madrugada tem segunda oportunidade a 30 de novembro, quando a Lua se junta ao par, perto da estrela Régulo, na constelação do Leão.
17 e 18 de novembro – Leónidas sob céu escuro
As Leónidas estão ativas de 6 a 30 de novembro e atingem o pico na noite de 17 para 18. Em céu escuro, a previsão aponta para 10 a 15 meteoros por hora, rápidos e muitas vezes com rasto.
O calendário ajuda. O radiante, na constelação do Leão, nasce pouco antes da meia-noite e a Lua põe-se por volta das 0h30. A melhor janela fica entre as 2h00 e o amanhecer, já sem luar e com o Leão alto no céu.
Estes meteoros vêm de poeiras deixadas pelo cometa 55P/Tempel-Tuttle. Já provocaram verdadeiras tempestades de estrelas cadentes no passado, mas não há previsão de nada semelhante este ano.
20 de novembro – Mercúrio no melhor momento até 2027
Mercúrio atinge a maior distância aparente ao Sol no céu da manhã. É a melhor aparição matinal do planeta até ao final de 2027.
Procure-o baixo a leste-sudeste, cerca de 45 minutos antes do nascer do Sol, abaixo de Vénus. Ao fim do dia, a Lua passa junto a Saturno, que se vê a sul logo depois do anoitecer.
24 de novembro – Superlua junto às Plêiades
A Lua Cheia acontece às 14h53, com a Lua a cerca de 360.800 quilómetros da Terra. O ponto mais próximo da órbita (perigeu) chega cerca de um dia depois, a 25 de novembro. É a primeira superlua desde janeiro e há outra a 24 de dezembro.
Na prática, a diferença de tamanho é difícil de notar a olho nu. O efeito mais bonito está no nascer da Lua, a leste ao pôr do Sol, quando parece enorme junto ao horizonte e passa perto do enxame das Plêiades.
25 de novembro – Urano no ponto mais próximo
Urano chega à oposição às 22h40 e fica visível toda a noite, na constelação do Touro, entre as Plêiades e as Híades. Brilha com magnitude 5,6, no limite do que o olho humano consegue ver em céu muito escuro.
Com a Lua quase cheia ao lado, nessa noite Urano fica difícil de encontrar. A alternativa é usar binóculos nos primeiros dias de dezembro, quando a Lua se afasta e o planeta continua bem posicionado.
Como ver as estrelas cadentes sem gastar dinheiro
O equipamento que conta é gratuito: um sítio escuro e paciência. Os olhos precisam de 20 a 30 minutos para se adaptarem à escuridão, e basta olhar para o ecrã do telemóvel para recomeçar a contagem.
Para as Leónidas, uma cadeira reclinável ou um colchão de campismo fazem mais diferença do que um telescópio. Os meteoros aparecem em qualquer ponto do céu, por isso o ideal é deitar-se e olhar para cima, sem fixar o radiante.
Saia da cidade, nem que seja 15 ou 20 minutos de carro. Quem vive no Norte tem várias opções nos sítios perto do Porto para ver estrelas sem pagar.
Leve roupa de inverno a sério. Nas madrugadas de novembro, as mínimas no interior Norte e Centro podem descer abaixo de zero, mesmo depois de um dia ameno. E confirme a previsão do IPMA antes de sair, sobretudo a nebulosidade.
Binóculos ou app: o que ajuda mesmo
Para Urano e para o par Marte-Júpiter, uns binóculos simples chegam. Para saber para onde apontar, uma app gratuita resolve a maior parte dos casos. Antes de pagar por uma versão premium, compare as apps grátis e pagas para observar o céu.
Nas noites de nuvens, que em novembro não faltam, o plano B não tem de ficar caro. Veja quanto custam as sessões dos planetários em Portugal, alguns com bilhete de família ou sessões gratuitas.
Novembro pede despertador, não telescópio
Na prática: duas madrugadas bem escolhidas, a de 16 e a de 18, mostram o melhor do mês. Junte-lhe o nascer da superlua a 24, que se vê ao fim da tarde, e tem três noites de céu sem gastar um euro.
Se perdeu o mês anterior, veja o que ainda resta de Saturno no guia sobre o que ver no céu em outubro. Em dezembro, chegam as Gemínidas, a chuva de meteoros mais intensa do ano.
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Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores. (2026). O céu de novembro. https://www.apaa.co.pt/o-ceu-de-novembro/
Carter, J. (2026, outubro 31). November’s night sky brings a supermoon and a rare Mars-Jupiter meetup. Forbes. https://www.forbes.com/sites/jamiecartereurope/2026/10/31/see-a-supermoon-rise-as-mars-meets-jupiter-novembers-night-sky/
Ford, D. (2026). Close approach of the Moon to the Earth: 25 November 2026. In-The-Sky.org. https://in-the-sky.org/news.php?id=20261125_08_100
Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2025). Boletim climatológico mensal: Portugal continental, novembro 2025. https://www.ipma.pt/resources.www/docs/im.publicacoes/edicoes.online/20251204/juQzfzWOtJKaZvPgNKIb/cli_20251101_20251130_pcl_mm_co_pt.pdf
National Geographic Portugal. (2026). Novembro arranca com um alinhamento da Lua, de Marte e de Júpiter. https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/8-eventos-celestes-nao-perder-novembro-arranca-com-um-alinhamento-da-lua-de-marte-e-de-jupiter_7652
Royal Observatory Greenwich. (2026). Night sky highlights – November 2026. https://www.rmg.co.uk/stories/space-astronomy/astronomy/night-sky-highlights-november-2026
Sky at Night Magazine. (2026). November 2026 stargazing roundup – supermoon, bright planets and meteor showers. https://www.skyatnightmagazine.com/advice/stargazing-november-2026
Star Walk. (2026). Upcoming astronomical events 2026. https://starwalk.space/en/news/notable-astronomy-events-2026