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Olga Teixeira
Olga Teixeira
14 Set, 2020 - 16:21

Já sabe quanto vai gastar no regresso às aulas? Vamos a contas

Olga Teixeira

O início do ano escolar é, para os pais, sinónimo de despesas. Para ter uma ideia de quanto vai gastar no regresso às aulas, nós ajudamos com as contas.

pai e filha fazem compras para o regresso às aulas

Todos os pais com filhos a estudar sabem que, terminadas as férias, é tempo de fazer contas a quanto vão gastar no regresso às aulas.

A despesa varia consoante o número de crianças ou jovens e o nível de ensino em que se encontram mas, de uma forma geral, cada família vai ter um gasto médio de 340 euros, no arranque deste ano escolar.

Os dados constam do último do estudo do Observador Cetelem Regresso às Aulas, segundo o qual 2020 será um ano de poupança.

Gastos no regresso às aulas diminuem

Este ano, em média, cada família pensa gastar 340 euros, o que representa uma descida de cerca de 23 euros em relação às despesas feitas em 2019. De acordo com o inquérito, a poupança no regresso às aulas pode estar relacionada com a gratuitidade dos manuais escolares, mas também com a situação económica causada pela pandemia.

Mais de metade (60%) dos agregados familiares tem como intenção poupar no regresso às aulas. E um terço (33%) garante que as despesas levam em conta a redução de rendimentos do agregado familiar. A pandemia tem, aliás, uma enorme influência na forma como as famílias estão a planear o ano escolar e as respetivas despesas.

Para 26% dos participantes, as compras a fazer vão depender da evolução da situação epidemiológica, pelo que não vão comprar mais do que o material necessário. Quase um quarto (24%) admite que as despesas são influenciadas pela situação profissional de um elemento do agregado familiar. Apenas uma pequena parte (17%) diz que não há alteração em relação ao ano passado.

Quanto gastaram os portugueses em anos anteriores?

As despesas médias com o regresso às aulas têm vindo a diminuir desde 2016, excetuando o ano de 2018, em que se registou um aumento notório.  

  • 2016: 455€
  • 2017: 399€
  • 2018: 487€
  • 2019: 363€
  • 2020: 340€

Ainda assim, e de acordo com este inquérito, cerca de metade dos inquiridos (51%) não pretendem gastar mais do que 250 euros; quando no ano passado eram apenas 40% dos participantes no inquérito.

Para 22% a despesa andará entre os 251 euros e os 500 euros e só 6% dos inquiridos tenciona ultrapassar este valor.

Os dados da Pordata, de acordo com a nova base das Contas Nacionais do INE, indicam um valor superior. Os últimos números validados dizem respeito a 2017 e indicam que o gasto médio de cada agregado familiar em educação era de 499,2€.

Um valor que chegou a ultrapassar os 500 euros em 2010 e 2011 e que teve, nos últimos dez anos, o seu valor mais baixo em 2015 (460,7 euros). 

Despesas por grau de ensino

As despesas com o regresso às aulas dependem do grau de ensino. Ainda segundo o Observador Cetelem, os gastos médios são de 285 euros no ensino pré-escolar e de 329 euros no 1.º Ciclo. Este é, aliás, o único grau de ensino em que se registou um aumento nas intenções de gastos (mais 17% em relação a 2019).

No 2.º ciclo a despesas rondam os 352 euros e no 3.º ciclo os 338 euros. A partir do ensino secundário aumentam para uma média de 392 euros. 

REGRESSO ÀS AULAS: Faça as contas a quanto vai gastar neste ano escolar

Para que seja mais fácil perceber quanto vai gastar no regresso às aulas e não ter surpresas nem derrapagens no orçamento, o melhor será fazer uma lista e calcular, em cada ponto, qual o gasto médio expectável.

Lembre-se, contudo, que há despesas que terá apenas agora, como a compra de material escolar, e outras que podem ser mensais, como as que dizem respeito aos transportes e alimentação. Tem caneta e papel à mão? Então, vamos a contas.

Livros

Os estudantes que estejam a frequentar a escolaridade obrigatória em escolas da rede pública ou privadas com contratos de associação não têm de pagar os livros, o que constitui já uma boa ajuda para compor o orçamento.

Segundo o inquérito da Cetelem, a maior parte das famílias vai mesmo aproveitar o dinheiro que poupa em livros para outras despesas familiares correntes (68%) e aquisição de outro material escolar (42%), ao passo que apenas 12% vai usar esse montante para poupanças e só 3% para as despesas com férias.

Ainda assim, será necessário adquirir cadernos de atividades ou de fichas e outros elementos dos packs pedagógicos, que não estão incluídos nos vouchers para livros grátis.

O preço médio de um livro de fichas ronda os 10€, mas pode variar consoante a disciplina ou nível de escolaridade. E há ainda a considerar gastos com livros do Plano Nacional de Leitura, ou dicionários.

Em todos estes casos, e para conseguir alguma poupança, pode comprar exemplares usados ou aproveitar as promoções que as editoras e as lojas costumam fazer nesta altura do ano.

Material escolar

Ainda que não tenha de comprar livros, está é uma despesa a que não pode fugir. Cadernos, mochilas, lápis e canetas são essenciais para o regresso à escola e, dependendo do ciclo de estudos, a lista pode ainda incluir material para desenho, desporto e outras disciplinas e atividades.

Comprar produtos de marca branca é sempre a solução mais em conta, se bem a que geralmente não seja do agrado das crianças e adolescentes. O local escolhido para comprar o material é outro dos fatores que influencia o seu custo.

Assim, se tiver filhos no 1º ciclo de estudos, e optar por produtos sem marca, não deverá gastar mais de 60 euros, um valor que desce para quase metade se não incluir artigos desportivos.

No 2º ciclo, se considerarmos as versões mais básicas de materiais, contando já com Música e Educação Física, o valor ronda os 70 euros.

As despesas aumentam no 3º ciclo e ainda mais no ensino secundário, uma vez que os materiais necessários já incluem, por exemplo, calculadoras científicas ou material de desenho mais específico. Contas feitas, e mesmo com alguma poupança, a fatura pode facilmente chegar aos cem euros.

De qualquer forma, há sempre ideias que permitem poupar: reciclar, reutilizar material dos irmãos ou primos ou comprar em segunda mão são dicas que podem ser úteis quando se trata de diminuir custos.

Alimentação

Para uma noção o mais aproximada possível de quanto vai gastar não só no regresso às aulas, mas ao longo de todo o ano escolar, convém ter em conta que, pelo menos uma das refeições, será feita fora de casa.

Ao valor do almoço podem ainda juntar-se mais alguns euros por dia, caso o lanche para comer durante a manhã ou ao meio da tarde não seja levado de casa.

Assim, e partindo do princípio que o seu filho vai almoçar cantina da escola, conte com uma despesa de 1,46 euros por dia (cerca de 292 euros por ano), isto se não for beneficiário da Ação Social Escolar. Nestes casos, o custo desce para 73 cêntimos para alunos do escalão B. Os estudantes que estejam no 1.º escalão não pagam as refeições.

Já se as refeições forem feitas fora da escola, a fatura sobe para cerca de 5 euros por dia, o que pode significar uma despesa de cerca mil euros no final do ano escolar.

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Transportes

Neste capítulo, os gastos dependem do meio de transporte utilizado, que está intimamente ligado à idade do estudante.

Mais de metade dos alunos (51%) vai para a escola de carro com a família, 31% vai a pé e 21% usa os transportes públicos, ainda segundo o mesmo estudo. A autonomia aumenta à medida que a idade avança e, por isso, os transportes públicos são mais usados pelos alunos a partir do 3º ciclo.

Se for esse o meio de deslocação do seu filho, a despesa pode variar consoante o local onde vive, já que, em certos casos, o transporte é assegurado gratuitamente.

É o que acontece, por exemplo, nas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, se o seu filho for titular de um passe estudante.

Para saber os preços na sua área de residência, informe-se junto da Câmara Municipal ou dos operadores de transportes públicos locais.

ATL e atividades extracurriculares

Os custos com ATL e atividades extracurriculares também têm o seu peso no orçamento de regresso às aulas.

Nos ATL públicos o valor a pagar depende dos rendimentos dos pais. Num privado pode chegar aos 100 euros mensais, sem contar com transporte ou alimentação.

E se, além da escola, o seu filho pratica desporto ou tem aulas de música, por exemplo, há que somar também esses gastos.

Ter aulas de natação duas vezes por semana pode custar, no mínimo, 20 euros mensais. As aulas de ballet, em função da frequência semanal, podem variar entre os 25 e os 40 euros por mês.

As aulas de música ficam mais baratas se forem em grupo, mas o custo médio não é inferior a 30 euros mensais.

Semanada

No bolo total do que vai gastar no regresso às aulas, deve incluir ainda um valor para gastos avulsos.

Tendo em conta, por exemplo, uma semanada média de 26 euros — o valor médio que os pais portugueses tencionam gastar em 2020, de acordo com o mesmo estudo — às despesas já mencionadas, deverá somar 104 euros mensais a multiplicar pelo número de filhos.

Comprar o essencial para o regresso às aulas

Face a estas despesas, e tendo em conta o atual contexto económico, não é de estranhar que praticamente todos os inquiridos (96%) no estudo do Observador Cetelem digam que este ano vão comprar apenas o essencial, como mochilas, cadernos e canetas.

De resto, todas as outras categorias de despesas vão ter um peso menor no orçamento das famílias. O equipamento para educação física está nas intenções de compra de 70% dos inquiridos (menos 19% do que em 2019). O material de apoio (59%) desce 5% em relação a 2019.

O que vai sair de muitas listas de compras será o vestuário e calçado. Estes artigos estão nas preferências de 48% dos inquiridos, quando em 2019 este valor era de 88%.

Fontes

Pordata: Despesas médias de consumo final das famílias (Educação)

Observador Cetelem: Estudo Observador Cetelem Regresso às Aulas

Observador Cetelem Regresso às Aulas: Comunicados de Imprensa

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