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GUIA DO REGRESSO ÀS AULAS
Prático e Descomplicado
Olga Teixeira
Olga Teixeira
16 Set, 2021 - 09:01

Já sabe quanto vai gastar no regresso às aulas? Vamos a contas

Olga Teixeira

O início do ano escolar é, para os pais, sinónimo de despesas. Para ter uma ideia de quanto vai gastar no regresso às aulas, nós ajudamos com as contas.

Quanto vai gastar no regresso às aulas

Todos os pais com filhos a estudar sabem que, terminadas as férias, é tempo de fazer contas a quanto vão gastar no regresso às aulas.

A despesa varia consoante o número de crianças ou jovens e o nível de ensino em que se encontram mas, de uma forma geral, cada família vai ter um gasto médio de 335 euros, no arranque deste ano escolar.

Os dados constam do último estudo do Observador Cetelem Regresso às Aulas, segundo o qual 2021 será mais um ano de poupança. Ainda assim, algumas despesas estão a regressar aos valores pré-pandemia.

Gastos no regresso às aulas diminuem

Este ano, em média, cada família pensa gastar 335 euros, ou seja, menos 5 euros do que em 2020. Apesar de representar apenas uma ligeira descida em relação ao ano anterior, é o valor mais baixo dos últimos anos.

Nota também para uma diferença nos valores médios, que variam conforme o tipo de ensino: 329 euros para quem tem filhos no ensino público e 392 euros se frequentarem o ensino privado.

Outro dado importante é que a maioria das famílias quer reduzir nos gastos relacionados com o regresso às aulas. Assim, 62% dos inquiridos dizem que terão de poupar mais. Como o farão? 85% através da adesão a promoções. Mais de um terço (34%) vai comprar menos material escolar e 29% opta pela compra de materiais mais baratos.

Quanto gastaram os portugueses em anos anteriores?

As despesas médias com o regresso às aulas têm vindo a diminuir desde 2016, excetuando o ano de 2018, em que se registou um aumento notório. 2021 é o ano em que os gastos são mais baixos:

  • 2016: 455€
  • 2017: 399€
  • 2018: 487€
  • 2019: 363€
  • 2020: 340€
  • 2021: 335€

Ainda assim, e de acordo com este inquérito, 37% dos inquiridos não pretendem gastar mais do que 250 euros. Em 2020 esta percentagem era superior: 51% apontava este valor como limite máximo. Em 2019, antes da crise provocada pela pandemia, eram 40%. Ou seja, no espaço de um ano, parece já existir alguma recuperação em termos de orçamento disponível para gastar com o regresso às aulas.

Os dados da Pordata, que dizem a respeito a gastos com educação (e não apenas com o regresso às aulas), apontam 2018 como o ano em que as famílias mais gastaram nessa categoria de despesa (536,7 euros). No entanto, não estão ainda disponíveis os números relativos a 2019 ou 2020.

Sustentabilidade é preocupação

As preocupações com o ambiente parecem estar na agenda dos encarregados de educação para o novo ano letivo. 60% dos participantes no inquérito – principalmente no Norte e na Grande Lisboa – querem tornar as compras do regresso às aulas mais sustentáveis.

Para que o regresso às aulas seja mais verde, apontam várias soluções: comprar só o que é necessário é a opção mais comum (60%), mas há 49% que pretendem também reutilizar materiais. Seguem-se, na lista de escolhas, preferir lojas de proximidade, comprar materiais ecológicos e optar por produtos sem embalagens ou recicláveis.

Regresso às aulas: faça as contas a quanto vai gastar neste ano escolar

Para que seja mais fácil perceber quanto vai gastar no regresso às aulas e não ter surpresas nem derrapagens no orçamento, o melhor será fazer uma lista e calcular, em cada ponto, qual o gasto médio expectável.

Lembre-se, contudo, que há despesas que terá apenas agora, como a compra de material escolar, e outras que podem ser mensais, como as que dizem respeito aos transportes e alimentação. Tem caneta e papel à mão? Então, vamos a contas.

Livros

Os estudantes que estejam a frequentar a escolaridade obrigatória em escolas da rede pública ou privadas com contratos de associação não têm de pagar os livros, o que constitui já uma boa ajuda para compor o orçamento.

Ainda assim, será necessário adquirir cadernos de atividades ou de fichas e outros elementos dos packs pedagógicos, que não estão incluídos nos vouchers para livros grátis.

O preço médio de um livro de fichas ronda os 10€, mas pode variar consoante a disciplina ou nível de escolaridade. E há ainda a considerar gastos com livros do Plano Nacional de Leitura, ou dicionários.

Em todos estes casos, e para conseguir alguma poupança, pode comprar exemplares usados ou aproveitar as promoções que as editoras e as lojas costumam fazer nesta altura do ano.

Material escolar

Ainda que não tenha de comprar livros, está é uma despesa a que não pode fugir. Cadernos, mochilas, lápis e canetas são essenciais para o regresso à escola e, dependendo do ciclo de estudos, a lista pode ainda incluir material para desenho, desporto e outras disciplinas e atividades.

Comprar produtos de marca branca é sempre a solução mais em conta, se bem a que geralmente não seja do agrado das crianças e adolescentes. O local escolhido para comprar o material é outro dos fatores que influencia o seu custo.

De qualquer forma, há sempre ideias que permitem poupar: reciclar, reutilizar material dos irmãos ou primos ou comprar em segunda mão são dicas que podem ser úteis quando se trata de diminuir custos.

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Alimentação

Para uma noção o mais aproximada possível de quanto vai gastar não só no regresso às aulas, mas ao longo de todo o ano escolar, convém ter em conta que, pelo menos uma das refeições, será feita fora de casa.

Ao valor do almoço podem ainda juntar-se mais alguns euros por dia, caso o lanche para comer durante a manhã ou ao meio da tarde não seja levado de casa.

Assim, e partindo do princípio que o seu filho vai almoçar cantina da escola, conte com uma despesa de 1,46 euros por dia (cerca de 292 euros por ano), isto se não for beneficiário da Ação Social Escolar. Nestes casos, o custo desce para 73 cêntimos para alunos do escalão B. Os estudantes que estejam no 1.º escalão não pagam as refeições.

Já se as refeições forem feitas fora da escola, a fatura sobe para cerca de 5 euros por dia, o que pode significar uma despesa de cerca mil euros no final do ano escolar.

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Transportes

Neste capítulo, os gastos dependem do meio de transporte utilizado, que está intimamente ligado à idade do estudante.

A autonomia aumenta à medida que a idade avança e, por isso, os transportes públicos são mais usados pelos alunos a partir do 3º ciclo.

Se for esse o meio de deslocação do seu filho, a despesa pode variar consoante o local onde vive, já que, em certos casos, o transporte é assegurado gratuitamente.

É o que acontece, por exemplo, nas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, se o seu filho for titular de um passe estudante.

Para saber os preços na sua área de residência, informe-se junto da Câmara Municipal ou dos operadores de transportes públicos locais.

ATL e atividades extracurriculares

Os custos com ATL e atividades extracurriculares também têm o seu peso no orçamento de regresso às aulas.

Nos ATL públicos, o valor a pagar depende dos rendimentos dos pais. Num privado pode chegar aos 100 euros mensais, sem contar com transporte ou alimentação.

E se, além da escola, o seu filho pratica desporto ou tem aulas de música, por exemplo, há que somar também esses gastos.

Ter aulas de natação duas vezes por semana pode custar cerca de 30 euros mensais. As aulas de ballet, em função da frequência semanal, podem variar entre os 25 e os 40 euros por mês.

As aulas de música ficam mais baratas se forem em grupo, mas o custo médio não é inferior a 30 euros mensais.

Semanada

No bolo total do que vai gastar no regresso às aulas, deve incluir ainda um valor para gastos avulsos.

Tendo em conta, por exemplo, uma semanada média de 25 euros — às despesas já mencionadas, deverá somar cerca de 100 euros mensais a multiplicar pelo número de filhos.

Comprar o essencial para o regresso às aulas

Face a estas despesas, e tendo em conta o atual contexto económico, não é de estranhar que, ao planearem quanto vão gastar no regresso às aulas, os encarregados de educação optem por comprar primeiro apenas o essencial, como mochilas, cadernos e canetas.

De resto, todas as outras categorias de despesas vão ter um peso menor no orçamento das famílias. O equipamento para educação física está nas intenções de compra de 84% dos inquiridos (mais 14% do que em 2020). O material de apoio (64%) sobe 5% em relação a 2020 (tinha descido 5% entre 2019 e 2020).

O vestuário e calçado, que em 2020 estava na lista de compras de apenas 48% dos inquiridos, regressa às intenções de compra para 72% dos encarregados de educação.

A tecnologia (telemóveis e computadores) foi essencial para os estudantes durante os confinamentos. Talvez por isso, 58% dos inquiridos pretendem adquirir estes artigos no início do novo ano letivo.

Fontes

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