Share the post "Entre jardins românticos, lagos e vinhas: descubra os encantos da Quinta da Aveleda"
Nem tudo o que merece uma escapadinha fica longe. Em Penafiel, no coração da região dos Vinhos Verdes e bem perto do Porto, a Quinta da Aveleda guarda um daqueles lugares onde apetece andar sem pressa, espreitar por detrás de uma árvore centenária e descobrir o que se esconde ao virar do caminho. E há muito para ver.
Conhecida pelos seus vinhos, a propriedade da família Guedes é também um espaço de interesse histórico e botânico, com jardins românticos, construções pitorescas, fontes, lagos e recantos que parecem pertencer a outra época.
A visita combina natureza, arquitetura e enoturismo, numa experiência que vai muito além de provar um copo de vinho. A história da quinta atravessa gerações. O cuidado dedicado à paisagem e à produção vitivinícola ajudou a construir uma identidade própria, que continua a atrair visitantes interessados em conhecer melhor o património rural português.
A propriedade preserva um jardim romântico com cerca de oito hectares, onde convivem espécies vegetais raras, árvores centenárias e elementos arquitetónicos de diferentes épocas.
Quinta da Aveleda: jardins históricos e românticos

É difícil falar da Quinta da Aveleda sem começar pelos jardins. São, provavelmente, o elemento que mais surpreende quem chega à propriedade pela primeira vez.
Não se trata apenas de um espaço verde bem cuidado, mas de uma paisagem desenhada ao longo do tempo, onde a vegetação e a arquitetura se cruzam de forma deliberada.
O jardim romântico começou a ganhar forma no século XIX, quando Manoel Pedro Guedes herdou a quinta, em 1870, e decidiu investir na propriedade.
A plantação de vinhas e a criação dos jardins fizeram parte dessa visão, que procurava conciliar a atividade agrícola com uma paisagem de grande valor estético.
Entre os elementos que merecem atenção estão as sequoias, os sobreiros e um eucalipto com mais de 300 anos.
A coleção de camélias, com quase uma centena de espécies, é outro dos pontos de interesse, sobretudo quando a primavera começa a colorir os caminhos.
Cada estação transforma o cenário, pelo que uma visita no outono não terá exatamente a mesma atmosfera de um passeio em fevereiro ou abril.
Depois, há os pequenos detalhes. O lago das três ilhas, a casa de chá, o antigo chalé e as fontes ajudam a compor um ambiente que convida a abrandar. Não é preciso ser especialista em botânica para apreciar o conjunto.
Basta reparar na forma como a luz atravessa a folhagem, no contraste entre a pedra e o verde ou no silêncio que se instala longe dos caminhos mais movimentados.
A janela manuelina, associada à Casa da Reboleira, acrescenta outra camada de interesse histórico à visita. É um daqueles elementos que vale a pena observar com atenção, em vez de passar por ele apenas para tirar uma fotografia.
O património arquitetónico da quinta inclui ainda a capela, a residência da família e outros edifícios ligados à história da propriedade.
O que ver na Quinta da Aveleda além dos jardins?

A beleza da propriedade está também na forma como os edifícios contam histórias diferentes.
A antiga casa de chá, os elementos arquitetónicos de inspiração romântica e as fontes espalhadas pelo jardim dão pistas sobre a vida de uma família que foi moldando o espaço ao longo de várias gerações.
Um dos locais a procurar é a fonte das Quatro Irmãs, mandada construir por Fernando Guedes em homenagem às quatro filhas e às quatro estações do ano. É um pormenor que ajuda a perceber como a história familiar se entrelaça com a paisagem.
A própria casa principal, inspirada nos châteaux de Bordéus, reflete a influência da arquitetura francesa na visão da propriedade.
Também vale a pena conhecer a antiga cocheira e a cavalariça, edifícios do século XIX ligados à atividade quotidiana da quinta e que hoje integram o património visitável.
Já a antiga eira, recuperada e adaptada a novas funções, acolhe a loja e os espaços de prova.
E, claro, os vinhos da Quinta da Aveleda
Os jardins podem ser a primeira surpresa, mas o vinho continua a ser uma das grandes razões para visitar a Quinta da Aveleda.
A história vitivinícola da propriedade ganhou um novo impulso em 1870, quando Manoel Pedro Guedes apostou na organização das vinhas por castas e na construção de uma adega com capacidade superior à produção da época. A ideia era preparar o futuro da quinta através do vinho.
O investimento deu frutos. Em 1888 e 1889, os vinhos da Aveleda conquistaram medalhas em exposições internacionais realizadas em Berlim e Paris, ajudando a projetar o nome da casa além-fronteiras.
Décadas mais tarde, em 1939, seria lançado o Casal Garcia, uma das marcas portuguesas mais reconhecidas no universo dos Vinhos Verdes.
Atualmente, o portefólio da Aveleda vai além dos vinhos produzidos na região dos Vinhos Verdes. A empresa trabalha também referências de outras regiões portuguesas, incluindo o Douro, a Bairrada e o Algarve, permitindo explorar diferentes estilos e expressões do território.
Adega Velha: o tempo também se prova

Outro capítulo importante da visita é a Adega Velha, ligada à produção e ao envelhecimento de aguardentes vínicas.
A história da marca começou em 1971, quando António Gil Guedes descobriu uma aguardente que o pai, Roberto Guedes, tinha deixado a envelhecer durante vários anos.
O edifício da antiga adega, com as suas barricas e condições de envelhecimento cuidadosamente controladas, permite perceber uma dimensão menos conhecida da produção vínica.
Para informações atualizadas sobre horários, preços e disponibilidade, o melhor é consultar o site oficial de enoturismo da Aveleda ou contactar a equipa através do endereço [email protected].