Share the post "Resultados das reapreciações da 2ª fase dos exames nacionais só saem em setembro"
Para milhares de alunos e respetivas famílias, o verão de 2026 não trouxe o alívio habitual do fim do ano letivo. Quem pediu a reapreciação dos exames nacionais da 2.ª fase, na esperança de ver a nota corrigida a tempo de garantir uma vaga no curso pretendido, vai ter de esperar mais algumas semanas do que estava previsto.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) confirmou que os resultados só ficam disponíveis em setembro. O calendário oficial dos exames e provas nacionais apontava inicialmente para 28 de agosto como data de divulgação das reapreciações da 2.ª fase, tanto para o ensino básico como para o secundário.
Um despacho publicado em Diário da República veio alterar esse prazo, estabelecendo datas diferentes consoante o nível de ensino:
- 9 de setembro – resultados da reapreciação das provas finais do 9.º ano;
- 14 de setembro – resultados da reapreciação dos exames nacionais do ensino secundário.
A alteração já tinha sido anunciada previamente pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre mas só se tornou formal com a publicação deste novo calendário. Segundo o ministro, a revisão das datas foi pedida pelo Júri Nacional de Exames (JNE) e teve em conta a necessidade de dar aos professores envolvidos “duas semanas, três semanas” para descansarem, depois de um período de trabalho particularmente intenso.
Exames: por que foi adiada a divulgação das notas

Este atraso é mais um episódio de um ano letivo marcado por sucessivos contratempos no processo de avaliação digital. Os problemas registados na classificação eletrónica dos exames da 1.ª fase já tinham obrigado a adiar a divulgação das notas do 9.º ano e do ensino secundário, fizeram triplicar os pedidos de revisão de classificações no secundário e levaram mesmo à criação de uma época extraordinária de exames nacionais, agendada para o início de setembro.
Foi essa sobreposição de tarefas que motivou o pedido de adiamento por parte do JNE. O processo concentrou, num curto espaço de tempo, um volume acrescido de trabalhos de classificação e de reapreciação, o que reduziu de forma significativa o período disponível para os docentes classificadores e para os trabalhadores dos serviços administrativos gozarem férias.
No despacho que formaliza a alteração, o Governo refere que esta circunstância excecional “impôs a necessidade de adequar o calendário das reapreciações à realidade excecional do presente ano letivo“.
Na prática, os mesmos professores responsáveis por corrigir e reapreciar exames têm agora de conciliar essas tarefas com a preparação da época extraordinária, que decorre entre 3 e 8 de setembro. Em vez de manter a pressão sobre um calendário já de si apertado, o Ministério optou por distribuir essa carga de trabalho ao longo de mais algumas semanas.
Incerteza para alunos e famílias
Para quem aguarda uma reapreciação, a espera tem um peso concreto. É frequente que a decisão sobre a reapreciação determine o acesso a um determinado curso superior, sobretudo em cursos com médias de entrada mais exigentes.
Com os resultados do secundário a sair apenas a 14 de setembro, muitos estudantes vão viver o arranque do ano letivo universitário sem ainda saber ao certo qual será o seu destino académico.
Apesar deste condicionalismo, o Ministério garantiu que os prazos de candidatura à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior não foram alterados.
Foi ainda criada uma época especial de exames, entre 3 e 8 de setembro, destinada a estudantes que precisem de realizar ou repetir provas fora do calendário habitual, o que dá alguma margem de manobra a quem ficou apanhado pelos sucessivos ajustes ao calendário deste ano.
Para os alunos do 9.º ano, embora o impacto seja diferente, a espera pesa igualmente, sobretudo para quem aguarda a confirmação da nota para efeitos de colocação em determinados percursos do ensino secundário.
Exames: um ano letivo fora do comum
Este episódio junta-se a uma lista já longa de constrangimentos que marcaram o calendário de exames de 2026.
A introdução, pela primeira vez, da avaliação digital dos exames nacionais do ensino secundário trouxe falhas técnicas que se repercutiram em cada etapa seguinte do processo, da divulgação das notas da 1.ª fase até às reapreciações da 2.ª fase, agora adiadas para setembro.