Um estudo da Kaspersky, realizado em março de 2026 junto de 7.200 pessoas em 18 países, concluiu que os utilizadores tratam o telemóvel com mais cuidado do que o computador: 77% atualiza regularmente o sistema operativo e as aplicações do smartphone, contra apenas 53% no PC.
A diferença repete-se noutras práticas: 72% gere ou elimina fotografias e vídeos antigos no telemóvel, contra 49% no computador, e 73% apaga aplicações que já não usa, face a 47% dos utilizadores de PC. O motivo é simples: o telemóvel tem menos espaço de armazenamento, o que obriga a uma limpeza mais frequente.
Portugal não fez parte da amostra do estudo, mas a conclusão aplica-se a qualquer pessoa que use o telemóvel para consultar o saldo bancário, fazer transferências por MB Way ou guardar cópias de documentos de identificação. E é precisamente aí que os hábitos falham mais.
O que revela o estudo sobre segurança digital
A Kaspersky dividiu os hábitos de higiene digital em três grupos: atualizações, gestão de ficheiros e segurança propriamente dita. Nos dois primeiros grupos, o telemóvel ganha com margem. No terceiro, os números caem a pique e de forma muito semelhante em ambos os dispositivos.
Apenas 33% dos utilizadores de smartphone e 31% dos utilizadores de PC muda a password regularmente. As cópias de segurança de dados importantes ficam ainda mais para trás: 29% e 28%, respetivamente. E só 20% dos utilizadores móveis e 16% dos utilizadores de PC revê ou atualiza as permissões das aplicações e as definições de privacidade.
Ou seja, quem limpa fotografias e apaga aplicações com regularidade quase nunca aplica o mesmo cuidado às passwords ou às permissões, precisamente as práticas que protegem dados bancários, moradas e cartões de pagamento guardados no telemóvel.
Porque é que a segurança das finanças fica em segundo plano
A explicação está no uso que cada dispositivo tem. O telemóvel serve sobretudo para tirar fotografias, conversar e aceder rapidamente à Internet, para 58% dos utilizadores, é já o principal dispositivo de acesso. O PC continua a ser a ferramenta de trabalho, usada para ficheiros e tarefas profissionais, e mantém-se como o principal meio de acesso à Internet para 58% da população com 61 ou mais anos.
Esta divisão de tarefas cria um ponto cego: o telemóvel, precisamente por concentrar aplicações bancárias, carteiras digitais e documentos pessoais, deveria receber mais atenção em matéria de passwords e permissões, não menos.
Quanto pode custar negligenciar a segurança do telemóvel
Uma password reutilizada ou nunca alterada é a porta de entrada mais comum para fraudes bancárias. Uma aplicação com permissões desatualizadas, acesso à câmara, aos contactos ou à localização que já não se justifica, aumenta a superfície de exposição a fugas de dados. E a ausência de cópias de segurança significa que, em caso de perda ou avaria do telemóvel, documentos, fotografias e credenciais podem simplesmente desaparecer.
Um gestor de passwords dedicado resolve grande parte destes riscos: guarda credenciais e dados de cartões de forma encriptada e permite gerar passwords diferentes para cada serviço, sem necessidade de memorizar nenhuma. A generalidade destas soluções custa entre 20 e 40 euros por ano, muito menos do que o tempo e o dinheiro gastos a recuperar uma conta bancária comprometida ou a repor documentos de identificação extraviados.
Como aplicar hábitos de higiene digital sem esforço
A Kaspersky recomenda um conjunto de práticas simples, que podem ser aplicadas em poucos minutos por mês:
- Defina um lembrete recorrente no calendário mensal ou trimestral para rever dispositivos e contas;
- Elimine contas antigas que já não utiliza e métodos de pagamento guardados em sites esquecidos.
- Configure cópias de segurança automáticas, de preferência encriptadas, em dispositivos amovíveis ou na cloud.
- Instale uma solução de segurança que proteja o dispositivo contra malware e fugas de dados.
- Reveja as permissões das aplicações uma vez por trimestre, retirando o acesso à câmara, à localização ou aos contactos sempre que não seja necessário.
O processo completo demora cerca de 15 minutos por dispositivo. É menos tempo do que uma chamada ao apoio ao cliente do banco depois de uma fraude confirmada.
Não é preciso escolher entre telemóvel e PC
Ignorar estes hábitos não é grátis. Uma password reutilizada há anos, uma aplicação bancária com permissões nunca revistas ou uma cópia de segurança que nunca foi feita têm um custo, só que esse custo só aparece quando já é tarde para evitar. Reveja o telemóvel e o computador com a mesma regularidade. A diferença entre os dois dispositivos, afinal, não devia ser tão grande.
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Kaspersky. (2026, agosto 24). Smartphones mais protegidos do que PCs: estudo revela diferenças nos hábitos digitais [comunicado de imprensa].