Share the post "Ser arquiteto em Portugal: o percurso é mais longo do que imagina"
Tornar-se arquiteto em Portugal é um dos percursos académicos mais longos do ensino superior português, a par da medicina e da veterinária. Entre o primeiro ano de faculdade e a inscrição como membro efetivo da Ordem dos Arquitectos (OA), passam-se, em média, seis anos, cinco de mestrado integrado mais um período de estágio profissional obrigatório.
Este artigo interessa a quem está a escolher curso agora, mas também a quem já tem o diploma na mão e quer perceber quanto tempo e dinheiro ainda faltam até poder assinar um projeto sozinho.
O que faz um arquiteto e onde trabalha
Um arquiteto projeta espaços, como casas, edifícios, escritórios, espaços públicos, conciliando funcionalidade, estética, segurança e regulamentação urbanística. Na prática, isto significa desenhar plantas, coordenar projetos de especialidade (com engenheiros civis, eletrotécnicos ou de canalizações) e acompanhar o processo até à aprovação camarária e, muitas vezes, até ao fim da obra.
A maioria dos arquitetos portugueses trabalha em ateliers de pequena e média dimensão, mas há também quem integre gabinetes de câmaras municipais, empresas de construção ou opte pelo trabalho independente à medida que ganha carteira de clientes.
Como estudar arquitetura: percurso académico e propinas
Em Portugal, arquitetura é uma das poucas áreas, a par de medicina, medicina dentária, ciências farmacêuticas e medicina veterinária, em que a formação é organizada como Mestrado Integrado, com 10 semestres (5 anos) e entre 300 e 360 créditos ECTS, em vez do modelo habitual de licenciatura (3 anos) seguida de mestrado separado.
Nas universidades públicas, como a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) ou a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (FAUL), a propina anual está sujeita a um teto legal nacional: a propina é fixada por cada instituição entre 495€ e 697€/ano. Nas universidades e institutos privados que oferecem o curso, o valor da propina é definido livremente por cada instituição e tende a ser significativamente mais elevado, sem um valor de referência único e verificável para todo o setor.
Compare com o percurso de quem escolhe ser professor ou médico: a arquitetura fica a meio caminho, mais longa do que a maioria das licenciaturas, mas mais curta do que a medicina.
Estágio profissional: o passo obrigatório antes de exercer sozinho
Terminado o mestrado, o diploma por si só não permite exercer a profissão de forma autónoma. É necessário realizar um estágio profissional e candidatar-se a membro efetivo da Ordem dos Arquitectos, entidade que regula o acesso à profissão em Portugal.
De acordo com o Regulamento de Inscrição e Estágio da OA, o estágio tem uma duração entre 9 e 12 meses, realizado numa entidade de acolhimento sob a supervisão de um “patrono”, um arquiteto já inscrito na Ordem, que pode orientar no máximo três estagiários em simultâneo. Além da experiência profissional, o estágio inclui formação obrigatória: 21 horas de formação profissional e 8 horas de formação em Estatuto e Deontologia.
Consulte as condições de estágio junto de cada entidade de acolhimento antes de aceitar uma proposta, pois, o subsídio de estágio e as condições de acompanhamento variam de gabinete para gabinete, e a legislação (Decreto-Lei n.º 66/2011) não fixa um valor mínimo único aplicável a todos os casos.
Quanto ganha um arquiteto em Portugal
Os valores salariais mudam com frequência e dependem muito da região, dimensão do gabinete e experiência. Segundo dados do WageIndicator, um arquiteto de edifícios em início de carreira ganha entre 992€ e 1.400€ brutos por mês; após cinco anos de experiência, a faixa sobe para 1.171€ a 1.774€. A Randstad Portugal situa o salário médio nacional perto dos 1.667€ mensais (cerca de 20.000€/ano), com os níveis de entrada a começarem perto dos 15.000€ anuais.
Estes valores explicam, em grande parte, a razão pela qual muitos arquitetos optam por complementar o trabalho por conta de outrem com projetos autónomos, sobretudo depois de consolidada a carteira de clientes e a reputação no mercado.
Ao comparar com outras profissões que exigem formação longa, a arquitetura destaca-se pelo desfasamento entre o investimento em anos de estudo e o retorno salarial nos primeiros anos de carreira, um padrão que vale a pena ter em conta antes de escolher o curso superior.
Vale mesmo a pena?
Ser arquiteto em Portugal não é, para a maioria, um caminho para enriquecer rapidamente, é uma escolha vocacional, com seis anos de formação e estágio antes de assinar um projeto de forma independente.
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