Olga Teixeira
Olga Teixeira
23 Mar, 2020 - 13:49

Supermercados: setor garante abastecimento durante este período

Olga Teixeira

O abastecimento dos supermercados está a ser feito de forma normal. Empresas garantem produtos nas prateleiras, apesar do estado de emergência.

Supermercados: setor garante abastecimento durante este período

O abastecimento dos supermercados não está em risco e, apesar do estado de emergência decretado, não há produtos racionados.

As empresas do setor da distribuição estão mesmo a contratar funcionários para responderem de forma mais eficaz ao aumento da procura.

Uma das primeiras consequências da Covid-19 foi uma intensa corrida aos supermercados, com filas intermináveis, muitos carros de compras cheios e prateleiras vazias.

Um cenário que, para as empresas do setor não se justifica e que vários operadores têm procurado evitar, com anúncios e publicações nas redes sociais garantindo que têm em stock produtos suficientes para cobrir as necessidades dos portugueses.

Há supermercados que, nas instalações sonoras, vão passando mensagens em que dão conta disso mesmo: pode fazer as suas compras tranquilamente, porque nada vai esgotar.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), onde se incluem as principais cadeias de supermercados, emitiu mesmo um comunicado garantindo que, em Portugal, a forma como a distribuição é feita “permite que a disponibilização de alimentos e outros produtos essenciais não seja um problema para a população, qualquer que seja a sua localização”.

“Estamos todos a trabalhar em conjunto com a produção nacional, com a indústria e com o Governo para garantir, como até aqui, que este fluxo aconteça com toda a agilidade necessária”, sublinhou a associação que reúne empresas que representam mais de 3500 lojas e 95 mil colaboradores.

Estado de emergência mantém abastecimento dos supermercados

O fecho dos supermercados ou mercearias nunca esteve em cima da mesa, até porque estes estabelecimentos são considerados serviços essenciais para a população.

Basta pensar que, em Itália e Espanha, países particularmente afetados pelo surto do novo Coronavírus, e apesar de todas as medidas de restrição à circulação, estas lojas continuaram abertas.

A entrada em vigor do estado de emergência não alterou este princípio e as medidas impostas pelo Governo para o encerramento de serviços não se aplicam a estabelecimentos como padarias, mercearias, supermercados, bombas de gasolina e quiosques.

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Apesar de todos os condicionalismos impostos, nomeadamente quanto às restrições ao número de pessoas que podem estar ao mesmo tempo nesses locais, a ideia é que todos os que vendam “bens ou serviços absolutamente essenciais à vida das pessoas”, “podem e devem manter-se abertos”.

O primeiro-ministro sublinhou também que não está previsto o racionamento de produtos e que “nem se justifica que venha a haver”.

Aliás, o objetivo é que as cadeias de circulação de produtos se mantenham em funcionamento, quer seja na agricultura, na indústria ou nos transportes.

“Tudo aquilo que são as cadeias de abastecimento fundamentais de bens essenciais têm de continuar a ser asseguradas”, garantiu António Costa.

Ou seja, não aconteceram nem devem acontecer falhas no abastecimento dos supermercados.

Produtos esgotados e especulação

Para além do papel higiénico, os produtos de proteção contra a Covid-19, como álcool, gel, máscaras e luvas, têm tido imensa procura por parte dos consumidores, tendo mesmo esgotado na maior parte dos locais.

O abastecimento dos supermercados no caso destes produtos não está a ser feito ao ritmo normal, até porque os os fornecedores não conseguem ter capacidade de resposta.

A maior procura e a escassez destes produtos fizeram com que a ASAE tenha iniciado uma operação de fiscalização em farmácias e outros estabelecimentos comerciais.

O objetivo era detetar casos de especulação nos preços dos produtos mais procurados e atual em conformidade, uma vez que se trata de um crime. E foram encontrados casos em que as máscaras eram vendidas a 10 euros e um frasco de desinfetante a 20 euros.

Assim, foram instaurados um processo crime pela prática de obtenção lucro ilegítimo e dois processos de contra-ordenação por práticas comerciais ilegais.

A ASAE vai manter-se no terreno com inspeções para verificar não só os preços, mas também a segurança dos produtos postos à venda.

Cadeias de supermercados estão a contratar

O aumento da afluência, quer nas lojas físicas, quer nas online, levou mesmo a que pelo menos duas grandes cadeias de supermercados tenham anunciado a contratação de trabalhadores.

Assim, devido ao desenvolvimento da Covid-19 e “face ao aumento exponencial de afluência às suas lojas, o Lidl Portugal está a contratar 500 colaboradores para garantir que os cidadãos têm acesso a bens alimentares de primeira necessidade”.

A cadeia alemã, que tem 258 lojas e quatro centros de distribuição em Portugal, garante também que “está há várias semanas a trabalhar com os seus fornecedores e os vários parceiros da sua cadeia de valor para continuar a garantir o fornecimento de bens aos seus clientes”.

O Grupo Jerónimo Martins vai igualmente reforçar as suas equipas, sobretudo para poder fazer face ao aumento da procura online.  

O número atual de colaboradores afeto às encomendas pela internet está a revelar-se insuficiente, pelo que vai ser aumentado, estando prevista a contratação de 200 a 300 pessoas.

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Horários específicos para determinados grupos

Os apelos à adoção do consumo responsável nem sempre estão a surtir efeito, fazendo com que muitas pessoas não consigam comprar o que precisam.

Uma situação particularmente grave quando afeta grupos mais vulneráveis ou profissionais que, por estarem a trabalhar em prol dos outros, não podem fazer as suas compras normalmente.

Assim, cadeias como a ALDI, E.leclerc, Lidl e El Corte Inglês estão a criar horários de atendimento exclusivo para profissionais de saúde, bombeiros e forças de segurança e atendimento privilegiado para maiores de 65 anos.

Compras em segurança

As empresas de distribuição estão, igualmente a difundir, junto dos seus colaboradores e clientes, um conjunto de boas práticas, promovendo a desinfeção e lavagem frequente das mãos, por exemplo.

Nas lojas físicas estão a ser incentivados os pagamentos por meios eletrónicos e, sempre que possível, com recurso ao contactless.

Nas entregas online não há lugar ao pagamento em dinheiro e as compras são colocadas à porta, sem qualquer tipo de contacto entre clientes e funcionários da distribuição.

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