Share the post "Universidade de Bragança e do Norte Interior: nova instituição para mudar o Nordeste Transmontano"
O anúncio da criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior marca um ponto de viragem no ensino superior do interior português. A decisão, revelada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, representa o culminar de um processo de transformação que já vinha a ser trabalhado pela até então designada Universidade Politécnica de Bragança, antigo Instituto Politécnico de Bragança.
Assim, a Universidade de Bragança e do Norte Interior nasce da evolução do Instituto Politécnico de Bragança, que nos últimos anos já tinha sido elevado a Universidade Politécnica de Bragança, juntamente com outros doze institutos politécnicos que mudaram de designação a nível nacional.
A instituição, com sede em Bragança, integra atualmente seis escolas distribuídas por diferentes concelhos: a Escola de Saúde, a Escola de Educação, a Escola Agrária e a Escola de Tecnologia e Gestão, em Bragança, a Escola de Comunicação, em Mirandela, e a Escola de Hotelaria e Bem-estar, em Chaves.
No conjunto, acolhe cerca de dez mil estudantes, dos quais 30% são estrangeiros, um número que reflete a forte dimensão internacional já alcançada pela instituição.
E a Universidade Politécnica de Bragança?
O Governo reconheceu que há instituições politécnicas que desenvolveram mais a sua capacidade científica, sendo esse claramente o caso de Bragança, uma vez que todos os indicadores científicos a colocam numa posição de destaque.
É ainda sublinhado o papel particular que a instituição desempenha numa região do interior, apontando para a necessidade de equilibrar o território nacional face ao desequilíbrio entre regiões superlotadas e zonas de baixa densidade.
A expectativa agora é de que a nova designação ajude a atrair mais investimento e mais estudantes para a região.
Decisão é importante para o interior de Portugal

A criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior surge integrada numa estratégia mais ampla do Governo para o ensino superior, que já tinha conduzido a mudanças semelhantes nos institutos politécnicos do Porto e de Leiria, entretanto alargadas a outros territórios.
Para os autarcas e responsáveis locais, o passo dado agora reforça o combate ao desequilíbrio territorial entre o litoral e o interior, um dos desafios estruturais mais persistentes da demografia e da economia portuguesas.
Ao consolidar seis escolas espalhadas por Bragança, Mirandela e Chaves numa única universidade com identidade própria, a região ganha uma instituição com maior capacidade de atrair financiamento, investigadores e estudantes internacionais, além de um posicionamento mais forte nos rankings científicos nacionais.
Nova universidade recebida com entusiasmo
A decisão foi recebida com entusiasmo generalizado entre os diferentes quadrantes políticos com representação no distrito de Bragança.
A deputada socialista Júlia Rodrigues classificou a criação da universidade como “uma grande conquista para a região e o reconhecimento do caminho feito com muito trabalho, competência e ambição”. Já o deputado social-democrata Hernâni Dias, presidente da distrital do PSD de Bragança, considerou tratar-se de “uma decisão histórica para Bragança e o Nordeste Transmontano”, com um alcance significativo para o futuro da região.
Também a Câmara Municipal de Bragança manifestou satisfação com o anúncio. A presidente da autarquia, Isabel Ferreira, sublinhou tratar-se de uma decisão de grande importância para Bragança e para o Norte Interior, que reconhece o percurso de uma instituição e de uma região que, ao longo de décadas, se afirmaram pela qualidade do ensino, pela investigação, pela inovação e por uma forte dimensão internacional. A autarca destacou ainda que o ensino superior é hoje um dos principais ativos estratégicos do concelho.
Do lado intermunicipal, o presidente da Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes descreveu o anúncio como a “cerejinha no topo do bolo” de uma série de investimentos feitos na região.