Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
12 Ago, 2026 - 14:00

Ouro subiu 90% em 2026: ainda vale a pena investir agora?

Cláudia Pereira

O ouro valorizou 90% num ano e já corrigiu 20% desde o pico histórico de janeiro de 2026. Descubra se ainda vale a pena investir em ouro agora ou esperar.

O ouro subiu quase 90% nos últimos doze meses e chegou a bater um máximo histórico de 5.595 dólares por onça, em 29 de janeiro de 2026. Depois disso, corrigiu cerca de 20%, e negoceia agora perto dos 4.350 dólares.

Para quem já sabe como funciona o investimento em ouro, físico ou via ETF, a pergunta que fica não é “como”, mas “quando”: vale a pena entrar depois de uma subida tão forte, ou o melhor momento já passou?

A resposta não é igual para todos. Depende do que se procura no ouro, proteção ou ganho rápido e de como se lê o que aconteceu nos últimos sete meses.

O que mudou desde o recorde de janeiro

A subida de 2026 tem uma explicação pouco habitual: não foi puxada pela procura da joalharia, mas pelos bancos centrais. Segundo o World Gold Council, adicionaram mais de 250 toneladas de ouro às reservas em 2025, com destaque para a Polónia, a Índia e a Turquia. Pela primeira vez desde 1996, os bancos centrais detêm agora mais ouro do que títulos do Tesouro dos EUA, um sinal de que a compra não é especulativa, mas estrutural.

Ainda assim, o ouro corrigiu com força depois do pico. Quando o mercado reduziu as expectativas de cortes de juros nos EUA, em fevereiro, o preço caiu para perto dos 4.400 dólares em poucas semanas, uma queda de cerca de 20% num ativo normalmente visto como refúgio. Recuperou depois, mas o episódio é um lembrete: ouro também oscila e com força.

Comprar agora ou esperar? Os cenários para o resto de 2026

As previsões divergem mais do que o habitual. Analistas do JPMorgan apontam para um objetivo de 6.300 dólares por onça ainda em 2026, cerca de 45% acima dos níveis atuais. Outras casas colocam o intervalo mais provável para a segunda metade do ano entre 4.074 e 5.478 dólares, um leque que inclui tanto uma queda como uma recuperação até perto do máximo histórico.

Comprar perto de máximos históricos, depois de uma subida de 90%, é diferente de comprar depois de uma correção de 20% a 30%, mesmo sendo o mesmo ativo. Escalonar a entrada em duas ou três compras espaçadas ao longo de alguns meses, em vez de investir tudo de uma vez, reduz o impacto de comprar exatamente num pico.

Veja também Comprar ouro: tudo o que precisa de saber antes de investir

Quanto ouro faz sentido numa carteira

O ouro não paga juros nem dividendos, o ganho vem só da valorização do preço. Por isso, a recomendação mais comum entre consultores financeiros não é “tudo ou nada”, mas uma fatia limitada: normalmente entre 5% e 10% do património investido. Compare este peso com outras opções de baixo risco antes de decidir: um depósito a prazo ou um PPR não oscilam 20% em três semanas, mas também não sobem 90% num ano.

Antes de comprar, verifique estes três pontos

A fiscalidade não é igual em todas as formas de investir em ouro. As mais-valias na venda de ouro físico não são tributadas em Portugal, enquanto os ganhos com ETF ou ETC de ouro são tributados a 28%, a declarar no Anexo G se a corretora tiver sede em Portugal, ou no Anexo J se for estrangeira.

Os custos de entrada e saída também variam: ourivesarias cobram normalmente margem na compra e na venda, os ETC têm comissões de custódia mais baixas mas passam por uma corretora. E há o horizonte temporal: quem compra para guardar durante anos sente menos o impacto de uma correção de curto prazo.

Faça as contas antes de decidir: some os custos de cada opção, verifique a fiscalidade aplicável e pergunte-se se o objetivo é proteger património a longo prazo ou aproveitar a tendência a curto prazo.

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