Olga Teixeira
Olga Teixeira
07 Set, 2021 - 09:18

Crédito para estudantes: qual a oferta disponível em 2021?

Olga Teixeira

O crédito para estudantes pode ser uma boa ajuda para pagar os estudos. Saiba quais são as opções disponíveis para este ano letivo.

Crédito para estudantes

Recorrer a um crédito para estudantes é, muitas vezes, a única opção para financiar os estudos. As opções existentes permitem financiar os cursos e despesas relacionadas com a formação, adiando o reembolso para mais tarde.

Da linha de crédito apoiada pelo Estado, passando pelas soluções disponibilizadas pelos bancos, existem várias formas para continuar a estudar, seja em que idade for. Veja como comparar e escolher.

Crédito para estudantes: como funciona?

O crédito para estudantes insere-se na modalidade de crédito pessoal. A grande diferença em relação a um crédito para férias, por exemplo, é que beneficia de melhores condições. Isto é, vai pagar menos pelo mesmo valor.

Ou seja, sendo um crédito que tem como finalidade a educação, as taxas máximas decretadas pelo Banco de Portugal são mais baixas, quando comparadas com os créditos pessoais para outros fins.

Por exemplo, para o 3º trimestre de 2021, a TAEG máxima para um crédito com finalidade educação é de 6,5%, enquanto que um crédito pessoal com outras finalidades tem uma TAEG máxima de 13%.

Por isso, e se pretende contrair um empréstimo para pagar os seus estudos ou os de um familiar, é importante que indique ao banco qual a modalidade que pretende.  

estudante

Linha de crédito para estudantes do ensino superior com garantia mútua

No crédito para estudantes com garantia mútua o Estado funciona como fiador, o que torna este apoio mais acessível do que um crédito normal. O empréstimo é pedido diretamente nos bancos aderentes.

Destina-se a estudantes do ensino superior público ou privado que frequentem cursos em Portugal. Estes cursos podem ser de Licenciatura, Mestrado, Doutoramento ou de especialização tecnológica.

O valor do empréstimo vai dos mil aos cinco mil euros anuais. Assim, para um curso de seis anos, o montante do crédito pode chegar aos 30 mil euros. É disponibilizado em tranches mensais. Após o primeiro ano, só é possível continuar a receber financiamento se tiver aproveitamento.

Enquanto estiver a estudar não paga o empréstimo e, consoante o banco, pode beneficiar de um período de carência até dois anos após o fim do curso.

Apesar de ser um crédito com melhores condições do que as que são normalmente oferecidas pelos bancos, os requisitos para aceder são mais rigorosos.

Assim, e caso não se enquadre nos pressupostos necessários, tem outras opções de crédito para poder estudar.

Quais são as condições para aceder a este crédito?

Este crédito para estudantes com garantia do Estado tem, assim, condições de acesso rigorosas. Uma delas é, justamente, a inexistência de dívidas ao Fisco ou Segurança Social.

O estudante deve ter pelo menos 18 anos. Se for menor de idade, o contrato tem de ser formalizado com os pais ou familiares com grau de parentesco até ao 2º grau. Devem ser cidadãos nacionais ou ter um título de residência permanente válido.

Outra condição é que frequentem o ensino superior, público ou privado, numa universidade ou politécnico.

Para ter acesso a este crédito para estudantes é igualmente necessário assumir o compromisso de continuar a estudar e obter aproveitamento enquanto vigorar o contrato.

Opções disponíveis de crédito para estudantes

Nem todas as instituições bancárias têm, entre os seus produtos, créditos para estudantes, ou seja, com características e condições próprias para esta finalidade.

Apresentamos as opções disponíveis, com um um breve resumo, que permite uma primeira análise. Em cada uma encontra o link para a página do crédito, onde a informação é mais detalhada.

Em alguns casos é possível fazer simulações e ficar com uma ideia de quanto poderá pagar pelo empréstimo. Ainda assim, deve informar-se sobre as condições específicas para o seu caso.

De uma forma geral, e além de taxas mais baixas do que as praticadas nos créditos pessoais, estes financiamentos contemplam também períodos de carência, Ou seja, pode pagar só no fim do curso ou quando começar a trabalhar.

Soluções de crédito disponíveis

InstituiçãoTAEGCondições especiais
BPI4,5%Período de pagamento até 10 anos; período de carência até 60 meses.
CGD  4,6% (taxa indexada à Euribor a 12 meses); 5,3% taxa fixa a 5 anosReembolso até 120 prestações mensais; durante a frequência do curso, e até 1 ano após a sua conclusão, paga só os juros.
Cofidis  Desde 6,0%Sem comissão de abertura; financiamento até 100%.
Crédito Agrícola4,6%Prazo máximo de 120 meses; período de carência até 80% do prazo do curso, com limite máximo de 42 meses.    
Novo Banco  8,9%Prazo máximo: 60 meses; período de carência: 2 vezes o período de utilização, com um limite máximo de 60 meses. 
Montepio  5,0%Prazo de reembolso: até 120 meses (licenciatura); Pós Graduação, especialização, mestrado, doutoramento, MBA: até 84 meses; Período de carência: pode pagar só no fim do curso; subscrição obrigatória de um Seguro de Vida.
Santander  4,3%Período de carência até 4 anos; prazo de pagamento: 2 a 8 anos.

Nota: dados disponíveis a 5 de setembro de 2021, conforme informação apresentada no site das instituições.

Dicas para comparar créditos

Por vezes pode ser difícil comparar as várias opções disponíveis, até porque cada banco diz ter as melhores condições. Por outro lado, um crédito que é adequado para o seu caso pode não ser o melhor para outra pessoa.

Assim, e mesmo depois de ter propostas de vários bancos, pode não ser fácil perceber qual a melhor solução.

No site do Banco de Portugal encontra alguns conselhos práticos para comparar opções.

Vejamos, então, algumas dicas que se aplicam aos créditos para estudantes, mas também a outros empréstimos.

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Olhar sempre para a TAEG e para o MTIC

Mais importante do que o spread, é analisar a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) e o MTIC, isto é, o Montante Total Imputado ao Consumidor.

A TAEG reflete o custo anual do crédito para o cliente em percentagem do montante do empréstimo. Ou seja, uma TAEG de 6% indica que, por ano, terá de pagar só em encargos o equivalente a 6% do valor total do financiamento.

Já o MTIC soma o valor do empréstimo com todos os custos que o cliente irá pagar durante o crédito (capital, juros, comissões, impostos e outros encargos). Assim, se pedir 12 mil euros para financiar o curso, e tiver de suportar 3 mil euros de custos com o crédito, o MTIC será de 15 mil euros. Esse é o valor real que vai pagar, no fim de contas, pelo empréstimo que pediu.

2

Produtos associados

Ao contrair um empréstimo e para ter melhores condições, pode ter de subscrever outros produtos, como seguros ou cartões.

Esses produtos podem ter custos adicionais. Além disso, e caso queira desistir durante o período de vigência do empréstimo, pode, por exemplo, ver aumentar o spread. No entanto, esse aumento só pode ocorrer no prazo de um ano. Findo esse prazo, a instituição de crédito não pode aumentar o spread com esse argumento.

Informe-se bem antes de aderir a esses produtos.

3

Atenção aos prazos de pagamento

Créditos com prazos mais longos têm prestações mais baixas, mas são, geralmente, mais caros, alerta o Banco de Portugal.

Isto é, quanto mais tempo demorar a pagar um crédito, mais juros vai pagar. O conselho é que peça ao seu banco várias simulações com prazos diferentes para que possa comparar.

4

Taxa de juro: variável, fixa ou mista?

Se optar pela taxa fixa, paga sempre o mesmo pela prestação, mas estas mensalidades podem ser mais altas do que num crédito com taxa de juro variável.

Nos empréstimos com taxa variável, a taxa de juro vai variando ao longo do empréstimo, refletindo, por exemplo, as alterações da Euribor.

Já no caso de escolher uma taxa mista, há um período do contrato com taxa fixa, seguido de um período com taxa variável.

Avalie qual a taxa que lhe traz mais vantagens de acordo com o seu perfil bancário.

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