Ekonomista
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09 Set, 2026 - 13:00

Reclamações na habitação disparam 44%: o custo escondido

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As reclamações na habitação subiram 44,5% em 2026. Descubra os riscos financeiros e como evitar prejuízos ao comprar, arrendar ou gerir um condomínio.

Comprar, arrendar ou gerir uma casa está a custar cada vez mais dissabores aos portugueses. As reclamações no setor da habitação registadas no Portal da Queixa aumentaram 44,49% até agosto de 2026, face ao mesmo período de 2025.

Foram 682 reclamações em oito meses, contra 472 no ano anterior, um volume que já se aproxima do total registado em todo o ano de 2025 (739 casos). O crescimento não está concentrado num único momento: começa na procura de casa, passa pela compra e prolonga-se depois na gestão do condomínio.

Para quem gere o orçamento familiar, os números têm um significado prático. Uma quota de condomínio mal gerida, um sinal mal negociado ou um anúncio fraudulento podem custar centenas ou milhares de euros e a maior parte destes problemas evita-se com alguns cuidados antes de assinar ou transferir dinheiro.

Condomínios: a fatia que mais pesa no bolso

A Administração de Condomínios concentra 58,65% de todas as reclamações analisadas em 2026, com 400 casos registados contra 240 no ano passado — um aumento de 66,67%.

Os motivos mais citados são a qualidade do serviço e a comunicação (44,97%) e questões de segurança e privacidade (42,71%). Na prática, isto traduz-se em falta de transparência nas contas, demoras nas respostas e problemas de segurança em partes comuns como telhados ou fachadas.

O impacto financeiro raramente é visível de imediato. Uma administração pouco transparente pode significar quotas mal calculadas, obras urgentes adiadas que depois saem mais caras, ou custos extra que só aparecem na convocatória seguinte. Peça sempre acesso às contas do condomínio e compare o valor da quota com prédios semelhantes na zona.

Onde as reclamações na habitação mais estão a crescer

Comprar casa: o sinal, o contrato e a escritura

Na Mediação Imobiliária, o Portal da Queixa contabilizou 227 reclamações até agosto, mais 12,94% do que em 2025. Mais de metade (51,10%) está relacionada com falhas de informação e atendimento ineficiente por parte de agentes e redes imobiliárias.

Quando o problema é o próprio negócio, os temas mais recorrentes são o sinal, o contrato-promessa ou a escritura, mencionados em 51,55% dos casos. Um exemplo relatado no estudo envolve uma habitação onde, já depois da escritura, surgiram uma ligação elétrica ilegal, uma lareira sem licenciamento e dívidas de condomínio deixadas pela proprietária anterior.

Este tipo de surpresa tem um preço concreto: regularizar uma instalação elétrica ilegal ou saldar dívidas de condomínio herdadas pode facilmente ultrapassar os mil euros. Antes de avançar com o sinal, exija a certidão de conta-corrente do condomínio e confirme junto da câmara municipal se existem obras não licenciadas.

Arrendamento e classificados: quando a fraude é o maior risco

Nos classificados de imobiliárias ou particulares, as reclamações cresceram 77,42%, passando de 31 para 55 casos. É aqui que o dado mais preocupante aparece: as menções a burla, fraude ou esquema quase duplicaram, subindo de 16,67% para 30,91% do total da categoria.

Em 2026, 45,45% das reclamações desta categoria envolvem falta de segurança e privacidade, incluindo suspeitas de fraude em anúncios. Outros 36,36% referem-se a questões financeiras, como cobranças indevidas ou reembolsos nunca efetuados. Um dos casos relatados envolve um anúncio de arrendamento fraudulento, no qual o consumidor transferiu o valor da reserva e da renda antes de a plataforma alertar para a fraude.

Nunca transfira dinheiro para um senhorio ou vendedor sem primeiro visitar o imóvel presencialmente e confirmar a identidade do proprietário no registo predial. Um pedido de pagamento antecipado por transferência bancária, sem visita possível, é o sinal mais comum de fraude neste tipo de anúncio.

Lisboa e Porto: onde a pressão é maior

A concentração geográfica reforça o retrato. Lisboa representa 32,21% das reclamações e o Porto 27,06%, seguindo-se Setúbal com 13,38%. Na administração de condomínios, o Porto lidera mesmo com 31,66%, ligeiramente acima de Lisboa (30,15%). Na mediação imobiliária, Lisboa concentra 34,36% e o Porto 21,59%.

A satisfação global do setor subiu ligeiramente, de 2,20 para 2,30 em 5, mas continua baixa. Na administração de condomínios, passou de 1,83 para 2,08; já na mediação imobiliária, desceu 5,26%. Quem procura casa nestas duas cidades tem, estatisticamente, mais probabilidade de enfrentar um problema e mais motivo para redobrar a verificação antes de assinar.

O que fazer antes de comprar, arrendar ou pagar uma quota

Confirme sempre três coisas antes de qualquer pagamento: a identidade de que vende, o estado das contas do condomínio e a existência de dívidas ou obras não regularizadas associadas ao imóvel. São 20 minutos de verificação que podem poupar milhares de euros em surpresas depois da escritura.

Se já tem uma reclamação por resolver, registe-a junto do Livro de Reclamações ou de plataformas como o Portal da Queixa, é o primeiro passo para pressionar uma resposta e, se necessário, avançar para o Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo.

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Fontes

Portal da Queixa. (2026). Reclamações no setor da habitação sobem 44,5% até agosto de 2026. Portal da Queixa. https://portaldaqueixa.com/

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